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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

As mentiras de Nisman e a Justiça argentina na causa AMIA

A jornalista Stella Calloni refletiu sobre a investigação do pior atentado à história argentina. “A partir da noite do atentado, os Estados Unidos e Israel determinaram que o acusado devia  ser o Irã”.

Por Stella Calloni - Carta à Agência Paco Urondo

Senti a necessidade de escrever isto por conta da imensa tristeza que produz em mim o fato de tantos (muitos companheiros de outras épocas) opinarem sem saber do que se trata esta falsa e escandalosa denúncia de promotor como Nisman. Ele nunca deveria estar a cargo da causa AMIA, porque foi parte dos desastres – não ingênuos, mas impostos por outros de fora – realizados pelo Juiz Juan José Galeano.

Desde a noite do atentado, os EUA e Israel determinaram que o acusado devia ser o Irã, sem ter investigado nada. Era impossível existir uma investigação seria com semelhante obstáculo.

Para recordar: os EUA e Israel ofereceram um “testemunho” em 1994. Ninguém lembra mais, mas Galeano saiu disparado rumo à Venezuela para interrogar a suposta testemunha Manoucher Moattamed, que se apresentava como um ex-funcionário iraniano, escapado de seu país, algo que nunca foi e que nunca aconteceu como se demonstrou. Tanto gasto, tanta informação falsa transmitida com grandes títulos. Era um testemunho inventado pela CIA e o MOSSAD israelense, porém que, em pouco tempo, ficou totalmente desacreditado por suas mentiras, contradições e falsidades, depois de criar também falsas ilusões aos familiares das vítimas.

Agora – que pouca memória tem alguns! –, esqueceram que foi montado um julgamento sem uma só linha de verdade. Um julgamento escandaloso, acusando uns e outros, e como testemunho Telleldín, criminoso que se ocupava de desmontar e depois vender automóveis roubados. A quem Galeano, com aprovação de Rúben Beraja, então presidente da DAIA, entregou 400 mil dólares – na prisão onde estava –, para que mentisse e acusasse um iraniano e outros, inclusive policiais locais que teriam contas pendentes. Porém, como se demonstrou no julgamento oral nada a ver com este caso, foram liberados.

Tanta e tantas mentiras – tudo isto consta na justiça e pode ser lido nos jornais da época – converteram o julgamento em um desastre. A isto se acrescenta o roubo das provas que não acusavam o Irã. Essa justiça, para manter a tese dos EUA e Israel cometeu tantos desatinos, que conseguiu a detenção, em Londres, do ex-Embaixador iraniano na Argentina, Hadi Soleimapour, em 2004, do qual se pediu a extradição.

Quando a justiça britânica solicitou as provas para a dita extradição, a Argentina – a “justiça argentina” – não continha nenhuma. Porque não existem. Como resultado, Londres teve de pagar ao funcionário iraniano quase 200 mil libras esterlinas de indenização, por ter detido este homem sem causa alguma. Estas sim não são invenções. Por conta desse princípio, até a Interpol nesse mesmo período, devolveu um pedido da justiça argentina, para um alerta vermelho por falta de provas.


Nos últimos tempos – e depois de grandes mudanças nesse organismo e pressões dos poderosos – se impôs o alerta vermelho, porém perguntem pelas provas. Que provas Nisman mandou? Perguntem isso. Porque se essas provas são a alegação de acusação ao Irã apresentadas pelo promotor no ano anterior, é um escândalo. Letra por letra, toma o que os EUA e Israel utilizam como a acusação, suspeitos, meias verdades. Prova concreta: nenhuma. Tentam utilizar este cruel atentado com tantas vítimas, acusando um determinado país ao qual querem invadir faz muito tempo. Isso é tão criminoso como o próprio atentado.

Ainda que siga atuando sem provas concretas, se fala de uma testemunha C – por certo também entrevistada no exterior e fornecida pelos mesmos serviços – este não pode entregar nenhuma prova.

Nenhum país respeitável do mundo vai entregar funcionários acusados pela CIA e o MOSSAD ou outro serviço de inteligência externo. Nos últimos tempos, esses mesmos serviços são caracterizados pela seguinte ação (para citar uma das mais recentes): atacar um barco de pacifistas que levava medicamentos e alimentos a Gaza, onde um povo sitiado resiste a permanentes bombardeios, intervenções e matanças. Esse barco foi assaltado em águas internacionais por forças especiais israelenses. Resultou em 13 mortos e vários feridos e torturados. A recente difusão de um resumo – apenas um resumo – das torturas e crimes cometidos pela CIA, que agrega serviços de inteligência dos países europeus na OTAN, impede qualquer país do mundo a entregar pessoas acusadas por estes serviços e sem prova alguma. Esta não é uma tomada de posição. Isto está na carta das Nações Unidas.

Por que o governo israelense não quer que, assim como a justiça argentina que viajou à Venezuela e à Europa para interrogar falsas testemunhas, as declarações sejam tomadas dos acusados em sua própria terra, na presença de comissões verificadoras internacionais imparciais, como garantia de absoluta seriedade e respeito à justiça?

O Memorando surge de um trabalho paciente diplomático como um extraordinário gesto, que contribui com a política internacional e com a solução pacífica de conflitos. Será que escutar estes acusados poderia colocar em cena a verdade e tudo aquilo que foi ocultado com pressões, dinheiro, entre outros, nos julgamentos implantados aqui?

Porém, quando se investiga, se comprova que todos os que participaram de atentados no mundo, estão ligados aos serviços de inteligência dos países que, como os EUA, estão decididos a controlar o mundo, com seus sócios menores em uma governança global. País que sob o comando da OTAN – cujas ações são ilegais e onde utilizam milhares e milhares de mercenários – querem ficar com os grandes recursos naturais. Assim como foram mentiras o que utilizaram para invadir o Afeganistão, Iraque ou Líbia, agora as usam para tentar invadir a Síria.

Fonte: http://www.agenciapacourondo.com.ar/opinion/16269-las-mentiras-de-nisman-y-la-justicia-argentina-en-la-causa-amia.html


  Fonte : site PCB -Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Um comentário:

strunfim disse...

Muito bom ouvir opiniões discordantes.

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