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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Acampamento do Levante: analistas políticos defendem “Fora, Temer” e “Diretas Já"

Cerca de 7 mil jovens recebem João Pedro Stedile, do MST, e Beatriz Cerqueira, da CUT, para fazer análise de conjuntura

Norma Odara Fes   Enviada especial a Belo Horizonte (MG), 06 de Setembro de 2016 às 16:37- Brasil de Fato
O segundo dia do 3º Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude foi marcado por uma análise de conjuntura para debater com lideranças a respeito da conjuntura política, do golpe contra a democracia e do papel da juventude em todo este processo.
  Mesa do segundo dia do 3º Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude     
O evento, que conta com mais de 7 mil jovens de todas as partes dos Brasil, está acontecendo no Estádio do Mineirinho, na região da Pampulha, em Belo Horizonte (MG). 
                                       
“Estamos aqui porque somos juventude da classe trabalhadora. Lutar não é apenas uma escolha. É uma necessidade, uma questão de sobrevivência”, brada Jessy Dayane, integrante da direção nacional do Levante Popular da Juventude, que compôs a mesa inicial da manhã desta terça-feira (6).

Também participou a professora e presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT Minas), Beatriz Cerqueira, e o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stedile.

Eles defenderam o tripé ideológico do “Fora, Temer”, “Diretas Já” e “Nenhum direito a menos” e enfatizaram a importância de não abandonar as ruas e de a juventude resistir em unidade com os trabalhadores e trabalhadoras.

Economia

Stedile elencou fatores que caracterizam a atual crise econômica, política, social e ambiental pela qual passa o mundo, e explicou que esses fatores externos influenciaram o golpe no Brasil.

“O plano da burguesia é simples: tentar recuperar a taxa de lucro de suas empresas e recompor o ambiente econômico de acumulação do capital”, explicou. "O golpe é uma estratégia de apropriação dos nossos recursos naturais, como o pré-sal. Além disso, o golpe serve para realinhar a economia brasileira aos interesses norte-americanos" , completou.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

EUA: assim funciona o sistema de assassinatos

JEREMY SCAHILL

Quase dez mil “inimigos” de Washington já foram mortos por meio de drones. Como são escolhidos os alvos. Qual o papel de Obama. Por que tantos civis são liquidados “por engano”

                              Por Jeremy Scahill
O texto a seguir é um excerto do novo livro The Assassination Complex, de Jeremy Scahill & equipe do The Intercept (Simon & Schuster, 2016), que será publicado no Brasil pela Autonomia Literária, editora parceira de Outras Palavras.


Desde seus primeiros dias como comandante em chefe, o presidente Barack Obama fez do drone sua arma preferida, usada pelos militares e pela CIA para perseguir e matar as pessoas que seu governo considerou – por meio de processos secretos, sem acusação ou julgamento – merecedores de execução. A opinião pública tem colocado foco na tecnologia do assassinato remoto, mas isso tem servido frequentemente para evitar que se examine em profundidade algo muito mais crucial: o poder do Estado sobre a vida e a morte das pessoas.

Os drones são uma ferramenta, não uma política. A política é de assassínio. Embora todos os presidentes norte-americanos, desde Gerald Ford, mantivessem uma norma executiva que bania assassinatos por funcionários dos EUA, o Congresso evitou legislar sobre esse assunto ou até definir a palavra “assassinato”. Isto permitiu que os proponentes de guerras por meio de drones renomeassem assassinatos [assassinations] com adjetivos mais palatáveis, como o termo da moda, “mortes seletivas” [targeted killings].

Quando discutiu publicamente os ataques por drones, o governo Obama ofereceu garantias de que tais operações seriam uma alternativa mais precisa do que soldados em combate. A autorização para executá-las seria dada apenas quando há uma ameaça “iminente” e “quase certeza” de que se eliminará o alvo planejado. As palavras, contudo, parecem ter sido redefinidas para não guardar quase nenhuma semelhança com seus significados comuns.

O primeiro ataque de drone fora de uma zona declarada de guerra foi realizado em 2002, mas só em maio de 2013 a Casa Branca divulgoupadrões e comportamentos para a condução desses ataques. Eram orientações pouco específicas. Afirmavam que os Estados Unidos somente conduziriam um ataque letal fora de uma “área de hostilidades ativas” se um alvo representasse uma “ameaça iminente e contínua para pessoas dos EUA”. Nada informava sobre o processo interno usado para determinar se um suspeito podia ser morto, sem processo ou julgamento. A mensagem implícita do governo Obama sobre ataques de drones tem sido: Confie, mas não verifique.

Em 15 de outubro de 2015, o site The Intercept publicou um conjunto de slides secretos que abriram uma janela para os trabalhos internos das operações militares dos EUA para assassinato/captura durante um período-chave na evolução das guerras por drone: entre 2011 e 2013. Os documentos, que também traçam a visão interna das forças especiais de operação sobre as deficiências e erros do programa de drones, foram fornecidas por uma fonte de dentro da comunidade de inteligência, que trabalhava nos tipos de operação e programas descritos nos slides. Garantimos o anonimato da fonte porque os materiais são sigilosos e porque o governo dos EUA está engajado numa perseguição agressiva contra quem denuncia suas irregularidades — os whistleblowers. Iremos nos referir a essa pessoa simplesmente como “a fonte”.

Qual é o verdadeiro objetivo das bases militares dos EUA na Argentina?

Há algumas semanas, soube-se que o governo argentino habilitaria a instalação de bases militares norte-americanos para apoiar "tarefas científicas".


 RT- Se bem que a informação foi apresentada pelo governo argentino como por diferentes meios de comunicação como um desenvolvimento com fins pacíficos, diversos analistas pensam diferente.

Em concreto, trata-se de dois projetos: um na província de Terra do Fogo, a mais austral da Argentina; e outro na chamada "tríplice fronteira" entre este país, o Paraguai e o Brasil.

"As desculpas que permitiram a Washington implementar mais de uma centena de bases militares na américa Latina, que se estendem desde a Guatemala e o Caribe até a Patagônia, são sempre altruístas", explicou o jornalista Walter Goobar. E detalhou que entre os argumentos destacam-se a suposta "ajuda humanitária, apoio em catástrofes, de combate ao tráfico de drogas ou apoio ao desenvolvimento e à pesquisa científica".

“Estas bases secretas sempre as instalados em áreas onde há recursos naturais altamente estratégicos: água, terra fértil para a produção de alimentos, minerais, óleos minerais, biodiversidade”  


Elsa Bruzzone, especialista em assuntos de geopolítica, estratégia e defesa nacional e membro do Centro de Militantes para a Democracia Argentina (CEMIDA), opinou no mesmo sentido. "Essas bases secretas sempre as instalados em áreas onde há recursos naturais altamente estratégicos: água, terra fértil para a produção de alimentos, minerais, óleos minerais, biodiversidade", disse.

"O que eles querem é fechar o cerco sobre todos os recursos naturais que temos em nossa América", acrescentou o especialista detalhou que as bases militares, "interiores e secretas, que foi instalado na américa Central e no Caribe, somadas às que têm na Colômbia, Peru, Chile, Paraguai, próximo à base militar da OTAN em Malvinas fecham o cerco sobre todos os nossos recursos naturais e reafirmam a sua presença na Antártica".

Povo Tupinambá faz apelo às autoridades pedindo o fim da violência contra indígenas

Caciques e lideranças Tupinambá reunidos em Olivença, sul da Bahia, divulgaram na manhã desta quarta-feira, 29, um comunicado pedindo o fim da violência e do preconceito contra os povos indígenas. A manifestação é dirigida às autoridades brasileiras e organismos internacionais diante das repetidas violações de direitos humanos dos povos indígenas no Brasil.

O Massacre de Caarapó, perpetrado por fazendeiros contra a aldeia Tey’i Jusu e que terminou com o assassinato do Guarani e Kaiowá Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, no último dia 14 de junho, além de outros seis baleados por tiros de arma de fogo, gerou revolta entre os Tupinambá.

“Nós, povos indígenas, sofremos quase que diariamente com ataques, criminalização e perseguições. Se não bastasse o sangue que nossos antepassados derramaram por essa Terra com o genocídio sofrido pelo povo indígena brasileiro”, destaca trecho do comunicado. Os Tupinambá lembram que essa política de genocídio nasce no próprio Estado brasileiro, que com medidas Executivas e Legislativas tentam desconstruir os direitos indígenas.

Os Tupinambá lembram ainda das declarações de ódio feitas pelos ruralistas. “Assim como acontece com os parentes Guarani Kaiowá, nós também sofremos ataques de milícias armadas, e de muitos interesses políticos da região. Aproveitamos para repudiar todas as declarações caluniosas que são feitas aos nossos povos e pedimos providências da Justiça brasileira e dos órgãos internacionais de Direitos Humanos contra estas declarações”, diz trecho do comunicado.

Leia o comunicado na íntegra:

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Para general nomeado por Temer, Comissão da Verdade foi “patética e leviana”

 Por Marco Weissheimer

O General Sérgio Etchegoyen foi indicado para assumir como ministro-chefe da Secretaria de Segurança Institucional – pasta à qual ficará subordinada a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). (Foto: Divulgação)

O militar gaúcho natural de Cruz Alta foi o primeiro general da ativa a criticar publicamente o trabalho da comissão, qualificado por ele como “patético” e “leviano”. Isso porque a CNV incluiu o pai dele, general Leo Guedes Etchegoyen, entre os militares responsáveis por violações de direitos humanos durante a ditadura militar. Essa não foi a única citação envolvendo familiares do general. Um tio dele, Cyro Guedes Etchegoyen, foi apontado pelo coronel Paulo Malhães à Comissão Nacional da Verdade, como autoridade responsável pela Casa da Morte, local de tortura e morte de presos políticos da ditadura, localizada no município de Petrópolis, Rio de Janeiro.

Em nota divulgada em dezembro de 2014, o general Etchegoyen, juntamente com outros quatro irmãos e a mãe dele, protestaram contra a inclusão do nome do pai no relatório da CNV, dizendo ela tinha o único propósito de “denegrir” a imagem do general Leo Etchegoyen. A nota afirmou:

“Ao apresentar seu nome, acompanhado de apenas três das muitas funções que desempenhou a serviço do Brasil, sem qualquer vinculação a fatos ou vítimas, os integrantes da CNV deixaram clara a natureza leviana de suas investigações e explicitaram o propósito de seu trabalho, qual seja o de puramente denegrir. (…) No seu patético esforço para reescrever a história, a CNV apontou um culpado para um crime que não identifica, sem qualquer respeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa”.

Após o golpe de 1964, Leo Guedes Etchegoyen assumiu a chefia de Polícia do RS, período no qual recebeu Daniel Anthony Mitrione (na foto, de jaleco branco, durante sua passagem por Porto Alegre), notório especialista norte-americano em métodos de tortura contra presos políticos. Mitrioni ministrou curso à Guarda Civil do Estado.
Após o golpe de 1964, Leo Guedes Etchegoyen assumiu a chefia de Polícia do RS, período no qual recebeu Daniel Anthony Mitrione (na foto, de jaleco branco, em frente ao Palácio da Polícia, durante sua passagem por Porto Alegre), notório especialista norte-americano em métodos de tortura contra presos políticos. Mitrioni, que acabou sendo morto pelos tupamaros no Uruguai, ministrou curso à Guarda Civil do Estado.
Após o golpe de 1964, Leo Guedes Etchegoyen assumiu a chefia de Polícia do RS, período no qual recebeu Daniel Anthony Mitrione (na foto, de jaleco branco, em frente ao Palácio da Polícia, durante sua passagem por Porto Alegre), notório especialista norte-americano em métodos de tortura contra presos políticos. Mitrioni, que acabou sendo morto pelos tupamaros no Uruguai, ministrou curso à Guarda Civil do Estado.


A resposta da Comissão da Verdade

Diante da reação da família do general, a assessoria de comunicação da Comissão Nacional da Verdade divulgou nota, no dia 11 de dezembro de 2014, relatando os fatos que basearam a inclusão de Leo Etchegoyen no capítulo 16 do volume I do relatório final, categoria B: “responsável pela gestão de estruturas onde ocorreram graves violações de direitos humanos”. Segundo o relato da CNV, “após o golpe de 1964, Leo Guedes Etchegoyen assumiu a chefia de Polícia do Estado do Rio Grande do Sul, período no qual recebeu Daniel Anthony Mitrione, notório especialista norte-americano em métodos de tortura contra presos políticos, para ministrar curso à Guarda Civil do Estado, realizado no período de 19 a 26 de junho”.

Em novembro de 1964, Etchegoyen assumiu a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, permanecendo no caro até fevereiro de 1965. Mais tarde, o militar foi chefe do Estado Maior do II Exército, de 1979 a julho de 1981, período no qual serviu sob as ordens do general Milton Tavares de Souza, comandante do II Exército que chefiou o Centro de Informações do Exército no período Médici. Ainda segundo a Comissão da Verdade, em 28 de dezembro de 1979, o general Leo Etchegoyen, na qualidade de chefe do Estado Maior e supervisor das atividades do DOI-CODI, elogiou os serviços prestados pelo tenente coronel Dalmo Lúcio Muniz Cyrillo, chefe do DOI CODI do II Exército, destacando “sua experiência no campo das informações e por sua dedicação, boa vontade, capacidade de trabalho e espírito de cooperação”.

Cyrillo atuou no DOI-CODI do II Exército como chefe de equipes de interrogatório e desempenhou a função de subcomandante nos períodos de Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir Santos Maciel. Em 1979, ele assumiu o comando do DOI-CODI de São Paulo, período no qual atuou sob as ordens de Leo Etchegoyen e Milton Tavares de Souza.

sábado, 16 de abril de 2016

A presidenta Dilma denuncia o golpe de Estado.

De   forma bastante didática e muito clara a presidenta Dilma denuncia o golpe de Estado em curso.   Não há dúvidas. 

O que está em jogo é o futuro  do Brasil. Nossa soberania e nossos  créditos internacionais precisam ser aprimorados e não destruídos.    A presidenta também reportou a isso.

A presidenta chamou de aventura  golpista a tentativa de impeachment , e foi categórica  ao  asseverar  que aqueles que  votarem   pelo golpe  ficaram  com a marca  indestrutível em suas testas de traidores da democracia..

A presidenta   afirmou, com muita clareza,  que não há denúncia  de corrupção contra ela e  que nunca impediu que investigações em seu governo fossem realizadas, muito ao contrário.


“Meu nome não está em nenhuma lista de propina e o processo de impeachment é uma fraude jurídica e política”.


“Os golpistas querem cortar o bolsa família e até o Minha Casa Minha Vida. Ameaçam até a Educação Pública e entregar os recursos do pré-sal as multinacionais”, acusou.

Um apelo  muito  claro e verdadeiro.   Assista ao vídeo.




quarta-feira, 13 de abril de 2016

RDPC: isolada, demonizada e desumanizada pelo Ocidente

 
                                                                                          por Andre Vltchek [*]
Muito provavelmente haverá em breve novas e brutais sanções contra a Coreia do Norte. Haverá maciços e provocatórios exercícios militares, envolvendo os Estados Unidos e a Coreia do Sul. Em resumo, é sempre business as usual: o Ocidente continuará a torturar a Coreia do Norte (RPDC) com provocações, isolamento, demonização e desumanização, para que o país não funcione normalmente e não possa por si próprio prosperar.

Nos países ocidentais uma opinião pública submissa engole todas as mentiras que, sem vergonha, estão sendo servidas pelos media. Não é de facto surpreendente que na Europa e na América do Norte as pessoas tenham parado há muito de questionar os dogmas oficiais.

A RPDC é retratada como um Estado insano, de gente faminta, subnormal e subdesenvolvida, cujos líderes são constantemente vistos em bebedeiras e prostituição, matando-se uns aos outros e construindo ogivas primitivas mas letais, a fim de destruir o mundo.

Os que estão familiarizados com a RPDC sabem que tudo isso é um pacote de mentiras desavergonhadas. Pyongyang é uma cidade elegante, com bom funcionamento, com grandes áreas de habitação pública, excelentes ligações de transportes, locais de lazer e recreio, teatros, instalações desportivas e zonas verdes. E apesar das monstruosas sanções, o campo é muito mais próspero do que o que se vê em Estados ocidentais "clientes" como a Indonésia e as Filipinas.

Há pelo menos alguns relatos decentes que têm sido escritos sobre essas mentiras grotescas da propaganda Ocidental. Mas a questão essencial permanece: "Por que é o Ocidente está tão obcecado em demonizar a Coreia do Norte?"

E a resposta é simples: como Cuba, a Coreia do Norte ousou pisar nos calos do colonialismo ocidental e do imperialismo. Com sacrifício de seus filhos e filhas, ajudou a libertar muitos países africanos e forneceu assistência às forças mais progressistas no continente mais pilhado e arrasado.

Isso é algo que o Ocidente nunca perdoa. Vive da pilhagem desenfreada de todos os continentes; desenvolveu-se essencialmente pela pilhagem das suas colónias. Os países que ajudaram as lutas de libertação, as nações que lutaram pela libertação do mundo colonizado – União Soviética/Rússia, China, Cuba e Coreia do Norte – foram designadas pelos ideólogos ocidentais como os mais "perigosos" e 'maléficos" lugares na terra.

Na Europa e na América do Norte, as massas condicionadas (que realmente têm lucrado com o colonialismo e o neocolonialismo desde há séculos), recusam-se obstinadamente a compreender que aquela é a principal razão pela qual o Império faz o povo da Coreia do Norte sofrer desde há décadas

O meu camarada Mwandawiro Mghanga, presidente do Partido Social-Democrata do Quênia (SDP) e também membro da Comissão Executiva do Africa Left Networking Forum (ALNEF) com sede em Dakar, escreveu para este ensaio:

"O SDP condena as injustificadas sanções contra Coreia do Norte (RPDC) instigadas pelo imperialismo, liderado pelos Estados Unidos da América. Estamos conscientes de que o imperialismo nunca cessou a sua guerra fria e quente contra a RPDC que, através de uma das maiores patrióticas, heroicas, e revolucionárias lutas armadas de libertação nacional, anticoloniais e anti-imperialistas, conseguiu conquistar a verdadeira independência da metade Norte da península coreana.

Quando o imperialismo dos EUA invadiu a Coreia do Norte, tal como colonialismo japonês antes, sofreu uma das mais humilhantes derrotas militares que nunca será esquecida na sua história reacionária. Sabemos também que os EUA e o Ocidente odeiam a RPDC venenosamente por se recusar a ser uma marionete do imperialismo como Coreia do Sul. Uma guerra suja de falsa propaganda é travada contra a RPDC porque esta recusa o caminho capitalista e neocolonial da escravidão, subdesenvolvimento e exploração, tendo escolhido em vez disso o caminho do desenvolvimento para a liberdade e o humanismo, o socialismo.

Em África não aceitaremos ser enganados pelos imperialistas que sempre foram parte integrante dos nossos problemas. O imperialismo não é e nunca foi amigo de África, mas o seu inimigo. Revolucionários e patriotas africanos nunca permitirão que seja o imperialismo a dizer-nos quem são nossos amigos. Sabemos quem são nossos amigos! E A Coreia do Norte sempre foi um verdadeiro amigo da África.

Quando todo o continente africano estava sob o colonialismo ocidental, a Coreia sob a liderança revolucionária do camarada Kim Il Sung lutava contra colonialismo japonês, mostrando ao mesmo tempo solidariedade com África.

sábado, 2 de abril de 2016

A tentativa de criminalizar Guilherme Boulos e o MTST


Leonardo Sakamoto

Da mesma forma que é democrática a livre manifestação popular em defesa do impeachment de Dilma Rousseff, também é democrática a livre manifestação popular que considera um golpe de Estado a forma como é conduzido o processo de cassação.
Grupos e partidos contrários ao governo, que discordaram do resultado das eleições de 2014, foram às ruas contesta-las e demonstrar sua insatisfação, o que foi fundamental para colocar Dilma e o PT a um passo do cadafalso (bem, na verdade, eles mesmo caminharam para a forca por conta dos seus próprios erros). Posso discordar dos métodos e narrativas desses grupos e partidos mas, até aí, faz parte do jogo.

Portanto, soa hipócrita, para dizer o mínimo, quando representantes do PSDB e do DEM entram com representações junto ao Ministério Público Federal pedindo a investigação do coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) Guilherme Boulos sobre declarações que tem dado em eventos.

Dizem que ele incita ao crime e forma milícia privada por afirmar o óbvio – que parte da sociedade vai resistir nas ruas se o impeachment ocorrer sem estar baseado em um claro crime de responsabilidade cometido pela presidente.
Lembrando que incompetência no cargo, falta de capacidade política e dificuldades de se expressar em público não significam crime de responsabilidade.

Por outro lado, resistência significa utilizar os meios possíveis e ao alcance de cada um para demonstrar sua insatisfação. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) resiste ao governo federal gastando milhões de reais para ocupar, na forma de anúncios, espaços nobres nos principais jornais e portais a fim de clamar pelo impeachment – além de produzir e distribuir um exército de patos de borracha amarelos pelo país.

A própria oposição resiste travando a aprovação de projetos de lei que visam a retomar o crescimento econômico (projetos com as quais ela concorda, aliás), ocupando o espaço com discursos pró-impeachment, para desgastar o governo federal e forçar sua saída. E prometem fazer o mesmo caso o impeachment não passe.
Daí quando trabalhadores e movimentos sociais prometem resistência, cruzando os braços em greves e ocupando ruas, avenidas e outros espaços, a ação vira caso de polícia? Aonde o pessoal acha que está? Ou onde gostaria que estivéssemos? No Brasil do final do século 19 ou em plena ditadura civil-militar?

A criminalização da resistência de apenas um dos lados dessa disputa mostra o quanto atores de nosso sistema político é incapaz de entender o que é, de fato, uma democracia. Chamar de chantagem toda forma de protesto com a qual não concordamos é, no mínimo, infantil.
A oposição  não vai admitir, mas a quantidade de pessoas que têm ido às ruas para criticar a forma como está sendo conduzido o processo de impeachment – atenção, não confundir com ir às ruas para apoiar esse governo – foi maior que a esperada. À frente de muitas delas, está o MTST e a Frente Povo sem Medo, que se mantém bastante críticos ao Palácio do Planalto.

A partir daí, a narrativa para a criminalização de movimentos sociais tem sido anabolizada na mídia, nas redes sociais, nos espaços políticos. Narrativa que quer inverter os sentidos das palavras e transformar resistência popular em ameaça à democracia e à governabilidade.
Guilherme Boulos é liderança do principal movimento social de massa deste país em termos de centralidade da pauta, capacidade de mobilização e visão de atuação hoje. Um movimento com uma agenda antiga, mas com uma equipe que sabe se comunicar e influenciar a disputa simbólica da narrativa, pela mídia, pelas redes sociais.

E vem exatamente do posicionamento crítico adotado contra a atual administração federal o respeito de vários setores da esquerda para com o movimento e com Boulos. Esse respeito e essa capacidade de mobilização, que consegue colocar dezenas de milhares de militantes nas ruas quando preciso, assusta muita gente. Que prefere ver ele preso do que articulando com outros movimentos ou em cima de um caminhão de som.

terça-feira, 29 de março de 2016

Sobre a entrevista de Luciana Genro à Folha de São Paulo

Em entrevista publicada nesta terça-feira (29) a ex-candidata à Presidência da República pelo PSOL, Luciana Genro, expressou suas opiniões sobre o atual momento político que o país vive. Embora falando em nome próprio, por se tratar de figura pública do PSOL, o partido e sua bancada se sentem na obrigação de registrar que a posição oficial do partido, de sua bancada federal e de dezenas de lideranças partidárias, divulgada na última semana, é a que segue abaixo:

Nota da Executiva Nacional e da bancada do PSOL

Face à velocidade dos últimos acontecimentos e a radicalização da crise política, tomamos um posicionamento firme e sem meias palavras:

Somos oposição programática e de esquerda ao governo Dilma. Combatemos suas políticas regressivas e questionamos as concessões feitas ao grande capital. Diante da atual crise, do ajuste fiscal e da retirada de direitos, é inegável que este governo tem se afastado dos reais anseios da maioria da população.

Somos favoráveis a toda e qualquer investigação, desde que respeitado o Estado Democrático de Direito, sem seletividade ou interferências externas. É preciso que se desvendem as relações promíscuas entre os poderes da República e o grande empresariado.

quarta-feira, 2 de março de 2016

O capitalismo na sua fase autofágica. O ocidente está reduzido a canibalizar-se

                                                         por  Paul Craig Roberts
Eu próprio, Michael Hudson, John Perkins e alguns outros, temos relatado os múltiplos saques de povos pelas instituições econômicas ocidentais, principalmente os grandes bancos de Nova Iorque com a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os países do terceiro mundo foram e são saqueados ao serem induzidos em certos planos de desenvolvimento. A governos crédulos e confiantes é-lhes dito que podem tornar os seus países ricos contraindo empréstimos externos para implementarem planos de desenvolvimento que as potências ocidentais apresentam e que teriam em resultado desse desenvolvimento econômico suficientes receitas fiscais para pagamentos dos empréstimos externos.

Raramente, se alguma vez, isso acontece. O que acontece é que o país se torna endividado até ao limite, muito para além dos seus ganhos em moeda estrangeira. Quando o país é incapaz de satisfazer o serviço de dívida, os credores enviam o FMI ao governo endividado para dizer que o FMI poderá proteger o rating financeiro do governo emprestando-lhe dinheiro para pagar aos seus credores bancários. No entanto, as condições impostas são que o governo deverá tomar as necessárias medidas de austeridade a fim de poder pagar ao FMI.

Estas medidas consistem em restringir serviços públicos, o sector estatal, pensões de reforma e vender recursos nacionais aos estrangeiros. O dinheiro economizado pela redução de benefícios sociais e o obtido com a venda de ativos do país aos estrangeiros serve para pagar ao FMI.

Esta é a maneira pela qual historicamente o Ocidente tem saqueado países do terceiro mundo. Se o presidente de um país estiver relutante em entrar em tal negócio, ele simplesmente é subornado, como governos gregos foram, juntando-se ao saque do país que pretensamente representaria. Quando este método de saque se esgota, o Ocidente compra terras agrícolas forçando países do terceiro mundo a abandonarem uma política de auto-suficiência alimentar, produzindo uma ou duas culturas para exportação.

Esta política tornou populações do terceiro mundo dependentes das importações de alimentos do ocidente. Normalmente as receitas de exportação são captadas por governantes corruptos ou pelos compradores estrangeiros que pagam preços reduzidos pelas exportações enquanto os estrangeiros vendem alimentos demasiado caro. Desta forma, a auto-suficiência é transformada em endividamento.

Com o terceiro mundo explorado até aos limites possíveis, as potências ocidentais resolveram saquear os seus próprios países. A Irlanda tem sido saqueada, o saque da Grécia e de Portugal é tão severo que forçou um grande número de mulheres jovens à prostituição. Mas isso não incomoda a consciência ocidental.

Anteriormente, quando um país soberano se encontrava com endividamento superior ao que poderia suportar, os credores tinham que anular parte da dívida até um montante em que o país pudesse suportar. No século XXI, como relato no meu livro The Failure of Laissez Faire Capitalism, esta regra tradicional foi abandonada.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Testemunho do médico forense inocenta camponeses de Curuguaty

Policiais foram mortos com "armas de grosso calibre", aponta laudo. Armamento pertencia às forças de elite da polícia paraguaia

  LEONARDO WEXELL SEVERO, DE ASSUNÇÃO

Os seis policiais militares do Grupo Especial de Operações (GEO) que morreram em Marina Kue, Curuguaty, no dia 15 de junho de 2012, foram abatidos com armas de “grosso calibre”, atestou o médico forense Floriano Irala. O testemunho comprova a inocência dos camponeses, pois além da força de elite da GEO, somente policiais do FOPE (Força de Operações da Polícia Especializada) portavam fuzis Galil durante o “confronto” em que também faleceram 11 sem-terra.

O enfático e detalhado pronunciamento de Irala caiu como uma bomba no Palácio da Justiça, em Assunção, na última terça-feira. A declaração, sob juramento, abriu uma semana de depoimentos que colocaram por terra a chicana patrocinada pelo desgoverno de Horacio Cartes. Segundo o serviçal das transnacionais e do latifúndio, 324 policiais fortemente armados teriam sido vítimas de uma “emboscada”.

Comprovadamente uma terra pública, destinada à reforma agrária, Marina Kue vinha sendo alvo de uma campanha midiática em favor da empresa Campos Morombí, grileira de milhares de hectares na região desde os tempos da ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989). A chantagem chegou até a Câmara dos Deputados, onde parlamentares servis ao agronegócio aprovaram em janeiro de 2012 uma ordem de “averiguação”, logo ilegalmente transformada em sangrento despejo de 60 camponeses - metade deles mulheres, crianças e idosos – acampados no local.

Identificando um a um, esclarecendo caso a caso, o médico Floriano Irala foi explicando sobre o macabro destino reservado pelas “armas de grosso calibre” aos seis policiais da GEO: os suboficiais Godoy e Jorge Sanchez foram fulminados com uma bala certeira; o subcomissário Erven Lovera, três; Wilson Cantero, cinco; Derlis Benitez, 11 e Osvaldo Sánchez, 13.

O estudo de Floriano Irala se choca com a hipótese defendida pelo promotor Jalil Rachid, amigo da família de Blas Riquelme, que se advoga dona das terras em questão, e que foi premiado recentemente por Cartes com o vice-ministério da Segurança. No posto, o filho de Blader Rachid, que foi presidente do Partido Colorado (do ditador Alfredo Stroessner, como Blas Riquelme) controla a polícia e incide diretamente sobre mais de uma centena de depoentes no processo de Curuguaty.

Curuguaty: Policiais liquidaram sem-terra e se mataram entre si

Advogado Ricardo Paredes defende imediata libertação dos camponeses, presos políticos do governo Horacio Cartes

                                    Leonardo Wexell Severo,  de Assunção

Em esclarecedora entrevista, o advogado Ricardo Carlos Paredes denuncia a grotesca manipulação no julgamento dos camponeses de Curuguaty, presos políticos no Paraguai por reivindicar a posse desta terra pública tomada durante o governo do ditador Alfredo Stroessner (1954-1989). Nesta semana pudemos ver que à medida em que as testemunhas – até mesmo as de acusação - vão depondo, a verdade vai aparecendo. Os policiais foram mortos com armas de grosso calibre manuseadas por seus dois grupos de elite, a FOPE (Força de Operações da Polícia Especializada) e a GEO Grupo Especial de Operações); os “coquetéis molotov” - bombas artesanais - que a mídia tanto utilizou para falar dos camponeses como “criminosos e delinquentes”, não passavam de lampiões de querosene; e as fatais “armadilhas” mata-soldados nada mais eram do que ratoeiras ou “caça-bobos”, no jargão paraguaio. Uma semana depois do “confronto” de 15 de junho de 2012, em que morreram 11 camponeses e seis policiais, o presidente Fernando Lugo foi deposto a toque-de-caixa. A armação caiu como uma luva para os interesses golpistas, freando o processo de reforma agrária. Evidenciada a farsa, cresce a campanha pela libertação dos presos de Curuguaty.

Abaixo, a íntegra da entrevista.


O que dizer da acusação feita pela promotoria de que um grupo de camponeses buscou o enfrentamento com mais de 320 policiais munidos de helicóptero, cavalos, fuzis, bombas e escudos?

A acusação feita pela promotoria fala de um grupo de pessoas sem-terra que emboscaram policiais, que eram 324, contra camponeses mal armados portando quatro espingardas, dois rifles e 19 foices. Os rifles eram de ar comprimido, modificados para calibre 22. As espingardas eram de calibre 20, 28 e duas de calibre 12. O que quer dizer que o poder de fogo que tinham os camponeses era totalmente nulo. É uma quantidade de armas impossível de sustentar um tiroteio de fogo cruzado que, conforme a versão oficial, foi de longa duração. Além disso, são armas que requerem carga e recarga, tiro a tiro.

A desproporção pessoal e material não é mais do que evidente?

No momento de perguntar aos peritos policiais temos visto que todas estas armas não conseguiam ser recarregadas, com exceção das de calibre 12, que tinham a capacidade de recarregar seis tiros. Fica evidenciada, portanto, a incapacidade material de que camponeses mal armados pudessem ter entrado numa contenda bélica com centenas de policiais, que contavam com dois grupos de elite. Os fuzileiros do GEO (Grupo Especial de Operações), que portavam armas automáticas, como fuzis Galil, que conforme o comissário Gómez assegurou em seu depoimento podia dar de 45 a 50 tiros. Também havia pessoal da Força de Operações da Polícia Especializada (FOPE), igualmente de elite. Temos certeza que conforme testemunharam todos os policiais por parte da GEO, se desconhecia a presença do outro grupo policial, seja anti-motim ou tático na outra frente. Os da GEO ingressaram pelo Norte, mas desconheciam que pelo lado Sul ingressaria a outra força, o que resultava em duplo poder de fogo.

A GEO era comandada por Erven Lovera, que morreu no local.

Exatamente. Todos os seis policiais que morreram eram da GEO. Todos os demais integrantes da GEO desconheciam a presença do outro grupo armado na zona, vindo pelo lado Sul. Não conheciam e alguns que conheciam não viam a sua presença. O que se percebe é que houve uma descoordenação entre os dois grupos e que no momento em que ocorreram os primeiros disparos entraram num pânico geral. Esta situação de pânico fez com que entrassem em choque e disparassem para qualquer lado, sem orientação. O que tinham era um ponto de referência que eram os camponeses localizados à frente. Tanto é assim que todos dispararam para um mesmo ponto, onde se concentraram os mortos. Não é que os corpos estivessem disseminados por diferentes áreas, a maior parte ficou em um só perímetro. O fogo cruzado entre o Norte e o Sul convergiu para onde estava Lovera e o grupo de camponeses. Como resultado morrem 17 pessoas, seis policiais e 11 camponeses.

Quantas pessoas ficaram feridas?

“Matança de Curuguaty foi planejada pelos herdeiros políticos de Stroessner"

Na Cúpula Social do Mercosul, advogado Amélio Sisco denuncia “torturas e execuções de camponeses no Paraguai"

                   Leonardo Wexell Severo e Nicolás Honigesz, de Assunção

“A matança de Curuguaty, onde morreram 17 pessoas, 11 camponeses e seis policiais, foi planejada pelos herdeiros políticos de Alfredo Stroessner. O objetivo das torturas e execuções dos sem-terra era inviabilizar a reforma agrária e a luta dos movimentos sociais no Paraguai”, denunciou o advogado Amélio Sisco, durante a Cúpula Social do Mercosul, realizada recentemente em Assunção. 

Integrante da equipe de defensores dos camponeses colocados pela “justiça” paraguaia no banco dos réus, Amélio Sisco nos concedeu esta entrevista no albergue Virgem das Mercedes. Durante o julgamento, os sem-terra cumprirão prisão domiciliar no local, com exceção de Rubén Villalba, preso em Tacumbú, também na capital. O massacre de Curuguaty ocorreu após o “confronto” entre 324 policiais fortemente armados e 60 camponeses – metade deles mulheres, crianças e idosos – no dia 15 de junho de 2012. O sangue derramado pela Polícia Nacional e a GEO (Grupo Especial de Operações) – treinado por militares estadunidenses e por técnicos da CIA-, abriu caminho para o impeachment do presidente Fernando Lugo uma semana depois. Com a presença de representantes da Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela, a Cúpula Social do Mercosul defendeu “a imediata libertação dos presos políticos de Curuguaty”. As terras em questão foram griladas pela família de Blas Riquelme, ex-presidente do Partido Colorado - o mesmo do ditador Alfredo Stroessner, que governou o país com mão de ferro durante 35 anos, entre 1954 e 1989 - e o promotor do caso é Jalil Rachid, filho de Blader Rachid, também ex-presidente do Partido Colorado.

Curuguaty é uma terra pública reclamada pela empresa Campos Morumbi, de propriedade da família Riquelme, vinculada à ditadura de Alfredo Stroessner. Como explicar um despejo à bala de um local que deve ser destinado à reforma agrária?

Em primeiro lugar é preciso deixar claro que Campos Morumbi não é uma empresa, mas uma organização criminosa, e que as terras ocupadas pelos camponeses são públicas. Portanto, jamais poderiam ter sido objeto de um despejo, ainda mais da forma como foi feito. A presença dos camponeses incomodava o tráfico de drogas. Infelizmente, o promotor Jalil Rachid, o mesmo que quer a condenação dos sem-terra, nada fez para investigar os Riquelme, quando foram encontrados 40 hectares de maconha em Campos Morumbi. No mesmo lugar, há suspeita de que também funcione o maior laboratório de pasta de coca da região. No local, administrado por um tal Peñas Gambas, existem grupos de capangas com abundantes antecedentes criminais. Há pista de pouso de aviões e hangares onde ninguém pode chegar e há denuncias de que várias pessoas foram assassinadas, sem que a imprensa divulgue nada.

O que aconteceu no dia 15 de junho de 2012?

Os camponeses foram informados, por pessoas que haviam se infiltrado no local, no dia 14, de que havia uma ordem precisa e que grupos militares com armas de guerra viriam matar três dirigentes: um deles era Rubén Villalba, um de sobrenome Ortiz e outro conhecido como Pindu. Eram os dirigentes mais fortes.

Uma vez alertados, como os camponeses reagiram?

Ingressaram mais pessoas neste dia e se prepararam. Dispunham somente de máscaras para cobrir a boca e pintura para os rostos. Houve a orientação para que Rubén Villalba saísse para não ser morto. A informação não era concreta em relação aos outros dois dirigentes. Na madrugada, começaram a passar sal nas máscaras – já que iriam ser lançadas muitas bombas de gás lacrimogêneo – e se pintaram para que a polícia não pudesse identificar se realmente havia ou não um Rubén Villalba no local.
Houve uma pequena reunião do comando da ação militar, no próprio local, para definir como agiriam.

Massacre de Curuguaty possibilitou assalto das multinacionais ao poder político no Paraguai”

                              Denuncia o líder camponês Ernesto Benítez

                                Leonardo Wexell Severo e Nicolás Honigesz, de Assunção

Dirigente da Coordenadora de Produtos Agropecuários de São Pedro Norte e destacada liderança do movimento camponês do Paraguai, Ernesto Benítez carrega consigo as marcas de quem nunca se rendeu aos poderosos de plantão. Em 7 de setembro de 1995, foi um dos 21 feridos à bala durante ataque da Polícia Nacional contra manifestantes em Santa Rosa del Aguaray. Na oportunidade foi assassinado Pedro Giménez, de apenas 20 anos. “Os policiais me dispararam com uma escopeta e quase perdi a vida. Tiveram que extirpar uma parte do pulmão”, conta. Em 2003, durante protesto com 16 feridos à bala, em que foi assassinado Eulalio Blanco, Benítez foi levado à Delegacia de Santa Rosa, onde foi torturado por militares e policiais. Na sua avaliação, enquanto não houver reforma agrária e o poder dos grandes produtores de soja e das multinacionais continuar intacto, “não haverá justiça no Paraguai”. Para Benítez, este é o grande nó do embate judicial que cerca o julgamento do massacre de Curuguaty: “se os companheiros saírem livres e fica claro que é uma terra pública, o que entrará em pauta são os 10 milhões de hectares grilados que foram parar nas mãos do latifúndio”. “Outra questão fundamental é que foi com o massacre de Curuguaty que se montou o golpe de Estado e o assalto das multinacionais ao poder político”, frisou. O “confronto” entre 324 policiais fortemente armados com fuzis Galil, escudos, bombas de gás lacrimogêneo, cavalos e helicóptero, e 60 camponeses – metade deles mulheres, crianças e idosos - em Marina Kue, Curuguaty, ocorreu no dia 15 de junho de 2012. O presidente Fernando Lugo foi afastado uma semana depois de um “julgamento” relâmpago. Abaixo, a íntegra da entrevista.

 O último censo do Paraguai, de 2008, aponta que 85,5% das terras do país estão nas mãos de 2,5% dos proprietários. O que mudou nos últimos anos?

Creio que a situação de desigualdade vem piorando aceleradamente. Atualmente, com este novo governo que definimos como o da etapa da transnacionalização definitiva, isso se aprofundou, porque atende unicamente os interesses de umas 200 famílias da burguesia local e é subordinado ao capital internacional. Por isso ataca sistematicamente a população indígena e camponesa, com as instituições do Estado atuando abertamente a favor dos interesses das multinacionais. Então, produto da pobreza e da violência, a desigualdade vem se aprofundando.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

UCRÂNIA E OTAN : a Arte da Guerra

Manlio Dinucci
O roteiro para a cooperação militar Otan-Ucrânia, assinado em dezembro, praticamente integra doravante as forças armadas e a indústria bélica de Kiev nas da Aliança sob a condução dos Estados Unidos. Nada mais falta a não ser a entrada formal da Ucrânia na Otan.


O presidente Poroshenko anunciou para esse efeito um «referendo» cuja data está por definir, prenunciando uma clara vitória do «sim» sobre a base de uma pesquisa já realizada. Por seu lado, a Otan garantiu que a Ucrânia, «um dos mais sólidos parceiros da Aliança», está «firmemente comprometida a realizar a democracia e a legalidade».

Os fatos falam claramente. A Ucrânia de Poroshenko – o oligarca que enriqueceu com o saque das propriedades do Estado e a quem o primeiro-ministro italiano Renzi louva como «sábia liderança» – decretou por lei em dezembro o banimento do Partido Comunista da Ucrânia, acusado de «incitação ao ódio étnico e violação dos direitos humanos e das liberdades». Estão proibidos por lei mesmo os símbolos comunistas : cantar A Internacional resulta numa pena de 5 a 10 anos de prisão.

É o ato final de uma campanha de perseguição semelhante à que marcou o advento do fascismo na Itália e do nazismo na Alemanha. Sedes de partidos destruídas, dirigentes linchados, jornalistas torturados e assassinados, militantes queimados vivos na Bolsa do Trabalho de Odessa, civis sem armas massacrados em Marioupol, bombardeados com fósforo branco em Slaviansk, Lougansk e Donetsk.

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