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quinta-feira, 14 de maio de 2026

A estratégia do imperialismo para sair da crise

   

O neoliberalismo criou uma crise que não pode ser superada dentro do próprio neoliberalismo.

Prabhat Patnaik [*]

O neoliberalismo levou o capitalismo mundial a um beco sem saída. A razão é a seguinte: a disposição do capital para deslocalizar a produção do Norte global para o Sul global, que tem sido uma marca distintiva do neoliberalismo, tem mantido baixos os salários no Norte global, ao obrigar os trabalhadores locais a competir com os trabalhadores do Sul, que recebem salários muito mais baixos; ao mesmo tempo, essa deslocalização não esgota as vastas reservas de mão-de-obra do Sul global, uma vez que a taxa de crescimento da produtividade do trabalho no Sul aumenta consideravelmente sob o neoliberalismo, razão pela qual os salários dos trabalhadores do Sul continuam a permanecer num nível extremamente baixo. Consequentemente, verifica-se um aumento reduzido do nível dos salários reais em todo o mundo, mesmo com o aumento da produtividade do trabalho em todos os locais, o que resulta num aumento da cota-parte do excedente econômico na produção da economia mundial no seu conjunto, bem como em cada país individualmente.

Uma vez que uma proporção maior de uma unidade de rendimento é consumida pelos trabalhadores do que por aqueles que acumulam o excedente, tal aumento na cota-parte do excedente econômico tem o efeito de reduzir a procura de consumo em relação à produção e, consequentemente, o nível da procura agregada; o aumento da fatia do excedente econômico dá, portanto, origem a uma tendência para a superprodução, a qual manifesta-se através da estagnação econômica e de níveis mais elevados de desemprego (embora esse desemprego seja frequentemente camuflado por uma redução na taxa de participação dos trabalhadores). É precisamente isto que tem acontecido com a economia mundial, desde o colapso da bolha imobiliária nos EUA.

Solidariedade aos estudantes da USP!

            Todo apoio à greve!

         Coordenação Nacional da UJC


A União da Juventude  Comunista   manifesta   sua total     solidariedade aos estudantes da USP em  greve por   permanência   estudantil,  moradia  digna, ampliação das bolsas e melhores  condições de estudo e trabalho nas universidades públicas paulistas.

É inadmissível que estudantes que lutam por direitos básicos sejam recebidos com repressão policial, violência e criminalização.    A ocupação da reitoria da USP expressa a revolta legítima de uma  juventude  que enfrenta o abandono da universidade pública, com   moradias precarizadas, bandejões sucateados, falta de assistência estudantil e o desmonte dos hospitais universitários.

Enquanto estudantes denunciam cozinhas    sem    refrigeração    adequada, alimentos estragando, estruturas deterioradas e   insuficiência   dos   auxílios permanência, a reitoria “lava as mãos”  e se  recusa a  atender as demandas, afirmando não haver orçamento para garantir  condições  dignas aos filhos e filhas da classe trabalhadora permanecerem na universidade.        A luta pelo reajuste   do  Programa  de Apoio   à  Permanência  e  Formação   Estudantil (PAPFE),  pela melhoria   dos   bandejões e  pela ampliação  da  assistência estudantil é uma luta legítima em defesa da universidade pública.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Três notas a propósito da vitória sobre o nazi-fascismo


Gustavo Carneiro
As efe­mé­rides, ainda para mais as da di­mensão e im­por­tância da­quela que por estes dias se as­si­nala – a vi­tória sobre o nazi-fas­cismo na Se­gunda Guerra Mun­dial, a 9 de Maio de 1945 –, devem servir so­bre­tudo para, evo­cando o pas­sado, com­pre­ender o pre­sente e pro­jectar o fu­turo. Ta­refa hoje di­fi­cul­tada, pois entre a re­a­li­dade e o que acerca dela se diz vai por vezes um amplo fosso. Neste caso, é ampla a fal­si­fi­cação da His­tória, com que se pro­cura obs­cu­recer as causas pro­fundas que estão na origem do fas­cismo e da guerra, as forças que mais de­ci­si­va­mente con­tri­buíram para a vi­tória e, até, o mundo que saiu desse con­flito.

Im­porta ver para lá da men­tira,   evitar có­pias   me­câ­nicas    de   re­a­li­dades   di­fe­rentes, se­parar o es­tru­tural do con­jun­tural e pro­curar,   sempre, re­tirar   li­ções   que se re­velem úteis, no caso dos co­mu­nistas e   de­mais forças pro­gres­sistas e   anti-im­pe­ri­a­listas, para pros­se­guir a a luta pela paz, a so­be­rania, a de­mo­cracia e o pro­gresso so­cial.


Eis al­gumas.

1. O fas­cismo é ex­pressão do ca­pi­ta­lismo
O que é o fas­cismo? A res­posta a esta questão é in­con­tor­nável, há 81 anos como hoje. Em 1935, no seu   VII   Con­gresso,   a   In­ter­na­ci­onal   Co­mu­nista (IC) ca­rac­te­rizou o fas­cismo como a «di­ta­dura ter­ro­rista aberta dos ele­mentos  mais re­ac­ci­o­ná­rios,  mais       chau­vi­nistas e mais im­pe­ri­a­listas do ca­pital fi­nan­ceiro».           Vendo para além do su­per­fi­cial – as fardas, as en­ce­na­ções, as pa­radas –, a IC foi  à  es­sência de classe do nazi-fas­cismo, aos   in­te­resses que   servia, a   quem   o  fi­nan­ciava  e sus­ten­ta
va.

O MAGA do sr. Trump.




Um porta-aviões norte-americano já não inspira o medo que inspirava outrora; agora irradia vulnerabilidade

Alastair Crooke [*] 

Embora a guerra com o Irã tenha sido encarada, em grande medida, através da perspectiva da guerra ocidental convencional, as suas lições são tudo menos convencionais. Na verdade, são insurrecionais. 

A abordagem ocidental do pós-guerra (especialmente no contexto da Guerra Fria) baseava-se na capacidade de superar em gastos qualquer adversário militar através da aquisição de aeronaves tripuladas e munições de alta tecnologia, superdimensionadas e dispendiosas. 
O domínio do espaço aéreo e a forte dependência do bombardeamento aéreo, ou seja, a guerra aérea, constituíam o objetivo doutrinário. 

A superioridade em termos de despesas (bem como uma inovação técnica imputada) era vista como o elemento crucial no confronto com a URSS. 

Analogamente, o impulso na guerra naval foi no sentido do investimento em porta-aviões cada vez maiores e nas frotas associadas de navios de apoio naval. 

Na guerra terrestre, o peso na “Tempestade no Deserto” da Guerra do Iraque recaiu sobre os tanques a “perfurar” e a avançar através das linhas de defesa dos adversários — embora esta abordagem tenha sido abandonada pelo Ocidente na Ucrânia, na sequência da viragem para a “guerra de trincheiras” liderada por drones na linha da frente do século XXI. 

A abordagem de gastos excessivos de ponta favoreceu o Complexo Industrial Militar dos EUA e, juntamente com a hegemonia do dólar americano, proporcionou à América a vantagem única de permitir que os EUA efetivamente “imprimissem” essas despesas suplementares de superioridade de ponta. 

Depois veio a guerra do Irão de 2026, cujo modelo assimétrico virou do avesso as doutrinas convencionais. Ao invés de dominância do espaço aéreo, o Irão não buscou a supremacia aérea, mas sim o domínio do espaço aéreo através de mísseis. 

Ao invés de infraestruturas militares situadas à superfície, os arsenais de mísseis, as instalações de lançamento e grande parte da produção de mísseis foram dispersos pelas vastas áreas geográficas do Irã e enterrados nas profundezas de cidades subterrâneas de mísseis e cadeias montanhosas. 

terça-feira, 12 de maio de 2026

Medvedev: A desnazificação da Alemanha é “uma farsa vazia”

Dmitry Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia e ex-presidente do país.Yekaterina Shtukina / Sputnik

O alto funcionário russo criticou o fato de que, após a Segunda Guerra Mundial, a República Federal da Alemanha nunca foi totalmente desnazificada.

RT – O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia e ex-presidente do país, Dmitry Medvedev, denunciou em um artigo para a  RT  que “na essência” a República Federal da Alemanha (RFA) ” nunca passou por uma verdadeira desnazificação “.

O alto funcionário observou que um memorando de 1952 sobre a situação política na Alemanha Ocidental está preservado nos arquivos do Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia, o qual “demonstra de forma convincente” que, em vez de realizar a desnazificação, “as potências ocidentais optaram por  justificar  os criminosos de guerra nazistas “.

“Todo o processo, apresentado com grande alarde, com exceção da dissolução de organizações abertamente pró-fascistas e da purga de espaços públicos, tornou-se uma farsa vazia”, ​​argumentou ele.

Medvedev acrescentou que “os anglo-saxões , em seu afã de manter os antigos chefes da economia militar de Hitler e os  nazistas  importantes que lhes eram úteis , realizaram uma campanha sob o lema: ‘Enforquem os pequenos; absolvam os grandes'”.

  • Moscou denunciou repetidamente as tentativas do Ocidente de falsificar  ou ” esquecer ” a história da Segunda Guerra Mundial e de promover novamente o nazismo. 

Afinal, a oposição é a favor da redução da jornada de trabalho?

 

Heitor Scalambrini Costa*

“Para saber o que as pessoas realmente pensam, preste atenção no que elas fazem, e não no que dizem” ( René Descartes (Filósofo, físico, matemático francês)

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a admissibilidade de propostas de Emenda à Constituição (PECs), que visa acabar com a jornada 6×1 (trabalha seis dias e descansa um). Inicia-se assim a tramitação na Câmara da redução da jornada semanal de 44 para 40 ou 36 horas semanais em 10 anos. Esta comissão, a mais importante da Câmara, tem maioria de seus componentes da extrema direita (PL) e do Centrão (formado pelos partidos: PL, União Brasil, PSD, PMDB, PP, Republicanos, Solidariedade, Podemos e Avante), cujo lema “dando que se recebe”, resume a prática política dos seus membros.

Com a constitucionalidade aprovada, agora será discutido o mérito por uma Comissão Especial, criada pelo presidente Hugo Motta (Republicanos/PB), com representação proporcional dos partidos políticos. O texto aprovado por esta Comissão será encaminhado para a discussão e deliberação do plenário da Câmara, depois do Senado.  

O governo do presidente Luís Inácio da Silva (PT) optou por enviar sob regime de urgência, o Projeto de Lei (PL) 1838/2026 que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e legislações específicas. Prevê a vigência imediata da redução de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário, com o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso), garantindo dois repousos semanais remunerados (5×2). O projeto proíbe a redução de salário. Depois de 38 anos é retomada esta discussão, pois foi na Constituição de 1988 que diminuiu de 48 horas para 44 horas a carga laboral semanal.

O declínio do trumpismo e a crise do capitalismo

 



O caótico reinado de Trump na política dos EUA está a dar sinais críticos de enfraquecimento em muitos aspectos: a “trumponomics” está a fracassar: a política de imigração trumpiana provocou uma forte reação negativa; o “Teflon Trump” [NR] ficou manchado pela sua condução desajeitada e evasiva do escândalo Epstein; as suas contradições e ultrajes em política externa confundiram tanto amigos como inimigos internacionais; e a violação da sua promessa de “acabar com as guerras sem fim” causou uma rutura com alguns dos seus apoiantes mais fervorosos.


  • É fácil esquecer que esse regime Trump está no poder há pouco mais de um ano, enquanto desfruta de uma maioria tanto na Câmara como no Senado, além de uma maioria favorável no Supremo Tribunal. Em tão pouco tempo, ele e os seus comparsas conseguiram causar danos extraordinários.

  • Ao contrário do seu primeiro mandato, em que Trump incluiu alguns dos veteranos do Partido Republicano, a nova administração estava equipada com MAGA radicais – uma cabala de mentirosos cobardes, racistas e nacionalistas descontrolados e intelectuais reacionários.
  • Seja qual for a atração que Trump possa ter conquistado entre os que estavam irritados com a traição dos dois partidos, as suas promessas já desfeitas refletem-se na queda dos números nas sondagens. Com as eleições de meio de mandato a aproximarem-se, um número significativo de pessoas dentro da sua coligação está a questionar as suas políticas ou a distanciar-se das suas posições, apesar das suas ameaças destemperadas de os destruir politicamente pela sua heresia.
  • Seria mais do que enganoso atribuir o declínio do trumpismo à resistência, aos democratas ou à esquerda em geral. Com certeza, houve focos notáveis de luta de massas contra as políticas de Trump, principalmente a impressionante resistência de Minneapolis ao ICE, que organizou com sucesso dezenas de milhares de pessoas numa força poderosa que levou as forças de Trump a um recuo embaraçoso. Aqueles que esperam reverter o avanço de Trump fariam bem em estudar o fenómeno de Minnesota em vez de se submeter à liderança do Partido Democrata.

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Kollontai: "A Prostituição e as maneiras de combatê-la"

 

"A Prostituição e as maneiras de combatê-la"      por Alexandra Kollontai

Camaradas, a questão da prostituição é um assunto difícil e espinhoso que tem recebido pouquíssima atenção na Rússia Soviética. O sinistro legado de nosso passado capitalista burguês continua a envenenar a atmosfera da república operária e afeta a saúde física e moral do povo trabalhador da Rússia Soviética. É verdade que nos três anos da revolução a natureza da prostituição tem, sob a pressão das mudanças econômicas e sociais, alterado de certa forma. Mas ainda estamos longe de nos ver livres deste mal. A prostituição continua a existir e ameaça o sentimento de solidariedade e camaradagem entre os homens e mulheres trabalhadoras, os membros da república operária. E este sentimento é a fundação e a base da sociedade comunista que estamos construindo e tornando uma realidade. É hora de pensar e prestar atenção às razões por trás da prostituição. É hora de encontrarmos maneiras e meios nos livrarmos de uma vez por todas deste mal, que não tem lugar em uma república operária.

Nossa república operária até então não criou leis direcionadas à eliminação da prostituição, e nem ao menos lançou uma fórmula clara e científica sobre a visão de que a prostituição é algo que fere o coletivo. Sabemos que a prostituição é um mal, também temos conhecimento de que no momento, neste período transicional com todos os seus problemas, a prostituição se tornou extremamente difundida. Mas varremos tal problema para de baixo do tapete, temos estado em silêncio sobre isso. Isto é, parcialmente, por conta das atitudes hipócritas que herdamos da burguesia, e parcialmente por causa de nossa relutância em considerar e aceitar os danos que a prostituição em larga escala causa à coletividade. E nossa falta de entusiasmo na luta contra a prostituição se refletiu na nossa legislação.

Nós ainda não passamos nenhum estatuto reconhecendo a prostituição como um fenômeno social prejudicial. Quando as velhas leis czaristas foram revogadas pelo Conselho de Comissários do Povo, todos os estatutos relativos à prostituição foram abolidos. Todavia nenhuma medida nova baseada nos interesses do trabalho coletivo foi introduzida. Deste modo as políticas das autoridades soviéticas direcionadas às prostitutas e à prostituição têm sido caracterizadas por diversidade e contradições. Em algumas áreas a polícia ainda realiza batidas policiais contra as prostitutas como nos velhos tempos. Em outros lugares, os bordéis existem abertamente. (A Comissão Interdepartamental sobre a Luta contra a Prostituição possui dados sobre isso.) E ainda existem algumas outras áreas em que as prostitutas são consideradas criminosas e são jogadas em campos de trabalho forçado. As diferentes atitudes das autoridades locais evidenciam a ausência de um estatuto claramente redigido. Nossa vaga atitude se tratando deste fenômeno social complexo é responsável, por uma série de distorções e desvios dos princípios subjacentes à nossa legislação e moralidade.

Sendo assim, nós devemos não somente confrontar o problema da prostituição, mas buscar uma solução que seja alinhada com nossos princípios básicos e com o programa de mudança social e econômica adotados pelo partido dos comunistas. Devemos, acima de tudo, definir claramente o que é a prostituição. A prostituição é um fenômeno que está intimamente ligado à renda não produtiva e que prospera na época dominada pelo capital e pela propriedade privada. As prostitutas, sob nosso ponto de vista, são mulheres que vendem seus corpos pelo benefício material – por comida decente, por vestimentas e outras vantagens; as prostitutas são todas aquelas que evitam a necessidade de trabalhar dando-se para um homem, seja em uma base temporária ou por toda a vida.


quarta-feira, 30 de agosto de 2023

A derrocada de Washington no Afeganistão é o prelúdio do desastre final da OTAN na Ucrânia

 

O fato gritante – absurdamente ignorado pelas mídias ocidentais – é que a luta do Afeganistão para se recuperar é o resultado dos 20 anos de destruição que os EUA e a OTAN infligiram àquele país.    

                

Esta semana fazem dois anos que os Estados Unidos e a OTAN abandonaram o Afeganistão, deixado em ruínas. O país é assolado pela pobreza e pelo impacto devastador da guerra. O mesmo destino aguarda a Ucrânia, mas numa escala muito maior.

A principal diferença provável é que as consequências políticas e militares para o bloco liderado pelos EUA serão inevitavelmente calamitosas para as presunções de poder imperial de Washington.

Há dois anos, a 15 de agosto de 2021, os rebeldes talibãs invadiram a capital afegã, Cabul, derrubando o presidente apoiado pelos EUA, Ashraf Ghani, que fugiu do país. No final desse mês, todas as forças americanas e aliadas da OTAN se retiraram do Afeganistão, numa retirada caótica e apressada que viu pessoas desesperadas agarradas ao trem de aterragem dos aviões quando estes descolavam das pistas. Foi um desastre sob a direção do Presidente dos EUA, Joe Biden.

O abandono forçado do Afeganistão marcou o fim de 20 anos de ocupação militar dos EUA naquele país da Ásia Central. Os americanos tinham invadido o país em novembro de 2001, numa duvidosa vingança pelos alegados ataques terroristas de 11 de setembro, ocorridos dois meses antes em Nova Iorque e na Pensilvânia e na sede do Pentágono, no estado da Virgínia. A narrativa oficial é inacreditável.

Seja como for, o atoleiro militar que Washington criou a seguir no Afeganistão tornou-se fútil e insustentável. Biden finalmente retirou o seu país da confusão, mas dificilmente merece elogios por encerrar uma "guerra sem fim".

Biden tentou tornar uma desgraça e de um episódio criminoso colossal numa virtude. É revelador que, mal os EUA repatriaram as suas tropas, o militarismo de Washington tenha voltado a atuar, alimentando o conflito na Ucrânia e intensificando a hostilidade contra a Rússia e a China.

Os talibãs lutaram contra os americanos e os seus parceiros criminosos da OTAN até à exaustão, apesar das esmagadoras probabilidades contra eles. O movimento islamita está no poder pela segunda vez, depois de ter governado o Afeganistão de 1996 a 2001, altura em que os americanos o invadiram sob a cínica bandeira da "Operação Liberdade Duradoura". Há que reconhecer que os americanos e os seus servos mediáticos ocidentais têm uma audácia total no engano orwelliano e na auto-ilusão.

domingo, 13 de março de 2022

As sanções de Washington destruirão a Europa, não a Rússia


                                                                                                    Pepe Escobar   (*)     

  O campo de batalha está traçado.

A lista negra oficial russa de nações sancionadoras hostis inclui os EUA, a UE, o Canadá e, na Ásia, Japão, Coreia do Sul, Formosa e Singapura (a única do Sudeste Asiático). Repare como a dita "comunidade internacional" continua a encolher.

 

O Sul Global deveria estar consciente de que nenhuma nação da Ásia Ocidental, América Latina e África se juntou ao comboio das sanções de Washington.

 

Moscou ainda nem sequer anunciou o seu próprio pacote de contra sanções. No entanto, um decreto oficial "Sobre a ordem temporária das obrigações para com certos credores estrangeiros" que permite às empresas russas liquidarem as suas dívidas em rublos, dá uma pista do que está para vir.

 

As contra-medidas russas giram todas em torno deste novo decreto presidencial, assinado no sábado passado, que o economista Yevgeny Yushchuk define como uma "mina terrestre de retaliação nuclear".

 

Funciona assim: para pagar empréstimos obtidos de um país sancionador que excedam 10 milhões de rublos por mês, uma empresa russa não tem de fazer uma transferência. Ela pede a um banco russo que abra uma conta correspondente em rublos sob o nome do credor. A seguir a empresa transfere rublos para esta conta à taxa de câmbio do dia e é tudo perfeitamente legal.

 

Pagamentos em divisas estrangeiras só passam pelo Banco Central numa base casuística. Eles devem receber autorização especial da Comissão Governamental para o Controlo do Investimento Estrangeiro.

 

O que isto significa na prática é que a maior parte dos cerca de US$478 mil milhões da dívida externa russa pode "desaparecer" dos balanços dos bancos ocidentais. O equivalente em rublos será depositado algures, em bancos russos, mas os bancos ocidentais, tal como estão as coisas, podem não ter acesso a ele.

 

É discutível se esta estratégia simples foi o produto daqueles cérebros não soberanistas reunidos no Banco Central russo. É mais provável que tenha havido contributos do influente economista Sergei Glazyev, um antigo conselheiro de topo do Presidente russo Vladimir Putin sobre integração regional: aqui está uma edição revista, em inglês, do seu ensaio inovador Sanctions and Sovereignty, que resumi anteriormente.

 

sexta-feira, 4 de março de 2022

A Rússia impede os EUA de desencadearem guerra biológica a partir dos seus laboratórios militares na Ucrânia

 

                                                                                              Vladimir Platov   ( * )  

Considerando a agitação iniciada pelos serviços   de inteligência dos EUA nos últimos tempos, quer na Ásia Central, na Transcaucásia ou noutras zonas limítrofes da Rússia e da China, está a aumentar o risco de um desastre biológico proveniente dos múltiplos laboratórios biológicos militares secretos instalados pelos EUA em regiões potencialmente instáveis do ponto de vista político e social.

 Quanto a isso, a questão de os EUA prepararem uma bomba-relógio biológica no Cazaquistão já foi levantada muitas vezes. O risco crescente de o Pentágono iniciar uma guerra biológica utilizando os mais de 400 laboratórios biológicos americanos localizados por todo o mundo e a necessidade de uma resposta clara ao risco de desastre biológico mundial a partir das instalações secretas dos EUA no estrangeiro tem sido repetidamente apontado. Afinal de contas, estes laboratórios biológicos têm cerca de 13.000 "empregados" que estão ocupados a criar estirpes de agentes patogénicos assassinos (micróbios e vírus) resistentes a vacinas.

Hoje em dia já não é segredo que os EUA criaram laboratórios biológicos em 25 países do mundo:   no Médio Oriente, África, Sudeste Asiático. Só no seio da antiga União Soviética existem laboratórios biológicos militares americanos na Ucrânia, Azerbaijão, Arménia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Moldávia e Uzbequistão.


quarta-feira, 2 de março de 2022

Os crimes de guerra nazistas devem obter a condenação de todo o mundo.

 

                                                                                     Gennady Yushchenko (+} 


Tornou-se muito clara a tática punições dos nazistas batalhões, que sofrem a derrota no confronto com as tropas ЛНР-ДНР. É tudo a mesma tática de "terra arrasada", que realizaram fascistas ocupantes, deixando sob os golpes do exército Vermelho, com o território da união SOVIÉTICA, incluindo a Ucrânia. Os alemães explodiram Днепрогэс, destruíram centenas de fábricas, minas e pontes, queimaram dezenas de milhares de casas na Ucrânia.

 O mesmo estão fazendo os nazistas de "batalhões territoriais". Mesmo partindo de Donbass, eles continuam a bombardear a partir de 122 e 152 миллиметровых de armas da cidade e vilas deste sofredora da região. A cada dia morrem civis. Estes são crimes de guerra. O ocidente ainda não está tentando parar o fogo de bairros residenciais de Donbass, o que torna o "moralista" e "humanistas" da UE e dos EUA sócios crimes de guerra.

 

Tentando criar a impressão de que os culpados da morte de civis de pessoas é o exército russo, eles vão para um sujo provocação, raking da cidade, estão sob o seu controle. No centro de Kharkov, ocorreu uma grande explosão. Todos os "mundiais" de MÍDIA, totalmente controlados Washington, tocaram sobre a culpa da Rússia. Mas isso, obviamente, foi a subversão do veículo, начиненной centenas de quilos de explosivos, o que indica que os clientes e os autores do crime. Essa é a tática professam controladas CIA inúmeras organizações terroristas em todo o mundo.

 

O ocidente e o seu "terceira coluna" na Rússia protegem отъявленных os nazistas e os terroristas que tomaram o poder na Ucrânia e fizeram seus cidadãos reféns de suas nefastas русофобии e антисоветизма. Com reféns no verdadeiro sentido da palavra. Por exemplo, na cidade de Mariupol, cercada de exércitos ЛНР-ДНР, nazistas, dos regimentos "Básico" e "muito bom arraso" não permitem que os civis deixar a cidade. Бандеровцы colocam pontos de queima nos andares superiores das casas, das quais as pessoas não resolvem ir embora. Eles são transformados em escudos humanos para os nazistas dos punitivas unidades.

 

A desconstrução construtiva do modelo relações da Rússia com o Ocidente

                                                      Alastair Crooke [*]

Putin quer dizer precisamente o que diz: a Rússia está encostada à parede, e não há lugar algum para onde a Rússia se possa retirar agora – para eles é uma questão existencial.

 

O Ocidente já estava irado. E apoplético depois que o presidente Putin chocou os líderes ocidentais ao ordenar uma operação militar especial na Ucrânia, que está a ser amplamente descrita (e percebida no Ocidente) como uma declaração de guerra: "um ataque de choque e pavor afetando amplamente cidades em toda a Ucrânia". Na verdade, o Ocidente está tão furioso que o espaço da informação literalmente se bifurcou em dois: é tudo a preto e branco, sem cinzento.

 

Para o Ocidente, Putin desafiou Biden de forma abrangente: unilateral e ilegalmente “mudou as fronteiras” da Europa e agiu como uma “potência revisionista”, tentando mudar não apenas as fronteiras da Ucrânia, mas a atual ordem mundial. “Trinta anos após o fim da Guerra Fria, estamos enfrentando um esforço determinado para redefinir a ordem multilateral”, advertiu o alto representante da UE, Josep Borell. “É um ato de desafio. É um manifesto revisionismo, o manifesto para rever a ordem mundial”.

 

Putin é caracterizado como um novo Hitler e seus atos são considerados “ilegais”. Alega-se que foi ele quem rasgou o Acordo de Minsk II (ainda assim, as Repúblicas declararam sua independência em 2014, assinaram Minsk em 2015, e foi a Rússia que nunca assinou o acordo – e, portanto, não pode violá-lo). De facto, foram os EUA que efetivamente vetaram o processo de Minsk desde 2014 e a publicação da correspondência diplomática da Rússia em novembro de 2021 expôs que a França e a Alemanha também tinham pouca intenção de pressionar Kiev para qualquer implementação significativa. Assim, tendo concluído que um acordo negociado – conforme estipulado nos Acordos de Minsk – simplesmente não aconteceria, Putin determinou que não fazia sentido esperar mais antes de implementar a linha vermelha da Rússia.

 

O falecido Stephen Cohen escreveu sobre os perigos de um inqualificável maniqueísmo – e como o espectro de um Putin diabólico havia tão sobrecarregado e envenenado a imagem dele nos EUA que Washington não consegue pensar direito – e não apenas sobre Putin, mas sobre a Rússia em si mesma. O argumento de Cohen era que essa total demonização enfraquece a diplomacia. Como se distingue o que é diferente do diabólico? Cohen pergunta como isso aconteceu? Ele sugere que em 2004, o colunista do NY Times, Nicholas Kristof, inadvertidamente explicou, pelo menos parcialmente, a diabolização de Putin. Kristof lamentou-se amargamente de ter sido “enganado pelo Sr. Putin. Ele não é uma versão sóbria de Boris Yeltsin”.


terça-feira, 1 de março de 2022

Desnazificação da Ucrânia e o apodrecimento da Mídia.

 



   
            Batalhão Azov é uma força paramilitar de extrema-direita da Ucrânia


                                                                                                                                                                    

A primeira vítima da guerra são os meios de comunicação do ocidente e a liberdade de expressão. Praticamente todos tocam pelo mesmo diapasão.

Numa homogeneidade perfeita repetem a narrativa imperial de que se trata de uma guerra da Rússia contra a Ucrânia. Isto é falso. Trata-se, sim, de uma operação da Rússia contra a OTAN.

A Rússia está a travar uma batalha existencial contra o aparelho militar da OTAN ali existente e para desnazificar o país. Ela já venceu a primeira parte dessa operação:   mais de mil ativos militares e centros de comando ligados à OTAN foram destruídos. Falta a segunda parte, que é desnazificar o país. Mas nenhum dos meios de comunicação corporativos diz isso, pois a voz do dono é que manda.

Eles entretêm-se com fake news ridículas, como essa de apresentar como grande estadista um ex-comediante viciado em estupefacientes e títere de Washington.

Ou então a inflacionar qualquer manifestação insignificante da quinta coluna que existe dentro da Rússia.

Em contrapartida, ameaças reais à liberdade de expressão – como a proibição dos canais da RT e da Sputnik em vários países – não lhes merece qualquer reprovação.

Acompanham assim os serviçais governantes europeus que mandam iluminar edifícios públicos com luzes coloridas. A equação é perfeita:   políticos submissos + mídia orquestradas = modelação da opinião pública.


Fonte:  sites  Pátria  Latina  e  Resistir Info

01/março/2022

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Julgamento histórico pode definir o futuro das terras indígenas do Brasil

 




No dia 28/10, o Supremo Tribunal Federal (STF) pode iniciar o julgamento que definirá os rumos das demarcações das Terras Indígenas no Brasil. O que está em jogo é o reconhecimento ou a negação do direito mais fundamental aos povos indígenas: o direito a terra.

 

Há duas teses em disputa: de um lado, a chamada “teoria do indigenato”, que reconhece o direito territorial dos povos indígenas como “originário”, segundo os termos da Constituição; do outro lado, está uma proposta que restringe os direitos desses povos às suas terras ao reinterpretar a Constituição com base na tese do chamado ‘marco temporal’. Nessa interpretação, defendida por ruralistas, os povos indígenas só teriam direito à demarcação das terras que estivessem sob sua posse no dia 5 de outubro de 1988, data de promulgação da Constituição, ou que, nessa data, estivessem sob disputa física ou judicial comprovada.

 

Entenda o caso

 

Tramita no STF um pedido de reintegração de posse (Recurso Extraordinário 1.017.365) movido pela Fundação do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina (Farma) contra a Fundação Nacional do Índio (Funai) e indígenas do povo Xokleng, envolvendo a Terra Indígena Ibirama-Laklanõ, área reivindicada e já identificada como parte de seu território tradicional, também habitado por populações Guarani e Kaingang

 

O Recurso teve a repercussão geral reconhecida pelo plenário do STF em 2019. Isso significa que o que for julgado nesse caso servirá para fixar uma tese para todos os casos envolvendo demarcações de terras indígenas, em todas as instâncias do judiciário.

 

O que está em jogo?

 

Por isso, a decisão da Suprema Corte irá impactar o futuro de centenas de populações indígenas, já que a aplicação do marco temporal pode dificultar ainda mais as demarcações, indispensáveis à sobrevivência desses povos, à pacificação de conflitos territoriais históricos, além de coibir a violência resultante de invasões e atividades ilícitas, como grilagem de terras, garimpo e extração madeireira.

 

A existência dos povos indígenas isolados também estará ainda mais ameaçada caso a votação seja favorável à tese do marco temporal. Isso porque, por seu modo de vida nômade e avesso ao contato, é impossível comprovar a presença desses grupos em 5 de outubro de 1988 nas terras que hoje habitam ou que estivessem reivindicando formalmente o reconhecimento de seus territórios. O Estado brasileiro até hoje não conseguiu confirmar exatamente quantos são e onde estão essas comunidades especialmente vulneráveis.

 


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