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quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Julgamento histórico pode definir o futuro das terras indígenas do Brasil

 




No dia 28/10, o Supremo Tribunal Federal (STF) pode iniciar o julgamento que definirá os rumos das demarcações das Terras Indígenas no Brasil. O que está em jogo é o reconhecimento ou a negação do direito mais fundamental aos povos indígenas: o direito a terra.

 

Há duas teses em disputa: de um lado, a chamada “teoria do indigenato”, que reconhece o direito territorial dos povos indígenas como “originário”, segundo os termos da Constituição; do outro lado, está uma proposta que restringe os direitos desses povos às suas terras ao reinterpretar a Constituição com base na tese do chamado ‘marco temporal’. Nessa interpretação, defendida por ruralistas, os povos indígenas só teriam direito à demarcação das terras que estivessem sob sua posse no dia 5 de outubro de 1988, data de promulgação da Constituição, ou que, nessa data, estivessem sob disputa física ou judicial comprovada.

 

Entenda o caso

 

Tramita no STF um pedido de reintegração de posse (Recurso Extraordinário 1.017.365) movido pela Fundação do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina (Farma) contra a Fundação Nacional do Índio (Funai) e indígenas do povo Xokleng, envolvendo a Terra Indígena Ibirama-Laklanõ, área reivindicada e já identificada como parte de seu território tradicional, também habitado por populações Guarani e Kaingang

 

O Recurso teve a repercussão geral reconhecida pelo plenário do STF em 2019. Isso significa que o que for julgado nesse caso servirá para fixar uma tese para todos os casos envolvendo demarcações de terras indígenas, em todas as instâncias do judiciário.

 

O que está em jogo?

 

Por isso, a decisão da Suprema Corte irá impactar o futuro de centenas de populações indígenas, já que a aplicação do marco temporal pode dificultar ainda mais as demarcações, indispensáveis à sobrevivência desses povos, à pacificação de conflitos territoriais históricos, além de coibir a violência resultante de invasões e atividades ilícitas, como grilagem de terras, garimpo e extração madeireira.

 

A existência dos povos indígenas isolados também estará ainda mais ameaçada caso a votação seja favorável à tese do marco temporal. Isso porque, por seu modo de vida nômade e avesso ao contato, é impossível comprovar a presença desses grupos em 5 de outubro de 1988 nas terras que hoje habitam ou que estivessem reivindicando formalmente o reconhecimento de seus territórios. O Estado brasileiro até hoje não conseguiu confirmar exatamente quantos são e onde estão essas comunidades especialmente vulneráveis.

 

sábado, 17 de outubro de 2020

Os ‘lugares obscuros’ dos EUA, o biopoder e a tortura sexual (II)

   A prática sistemática da tortura, da detenção e execução extrajudicial, a instalação de uma rede de “prisões secretas” de forma a iludir a vigilância humanitária são parte integrante da “guerra ao terror” invocada pelos EUA. Tal como outros aspectos dessa “guerra ao terror”, são na verdade formas normalizadas do mais bárbaro terrorismo de Estado.  

  Por Nazanin Armanian

 

Apesar de proibido na maioria dos países do mundo, o uso do terror e a tortura contra mulheres e homens na prisão não diminui, muito pelo contrário. Donald Trump, o presidente de uma democracia formal como os Estados Unidos, defende publicamente a tortura e ordena manter aberto o campo da detenção ilegal de Guantánamo. A que ponto conseguiram normalizar a apologia do terrorismo de Estado!

 

Nas prisões que este país administra, a tortura não é obra de “umas maçãs podres” caídas acidentalmente em Guantánamo, Abu Ghraib ou na prisão afegã de Bagram (”Jardim dos Deuses” em sânscrito): é estruturada, estudada e dirigida desde cima. Uma dezena de buracos obscuros, ampliados pelo golpe da Guerra contra o Terror, são a manifestação máxima daquilo que Michel Foucault narra: o espaço onde o biopoder se confronta diretamente com o corpo desnudado e aniquila até a alma do réu (e o pouco de alma que os seus algozes ainda teriam). O ataque ao mais íntimo dessas pessoas é apenas a cereja do sistema: segundo o Relatório da Comissão Histórica do Conflito e suas Vítimas da Colômbia, pelo menos 53 menores foram violadas pelos soldados dos Estados Unidos, que filmaram os abusos e venderam os vídeos como material pornográfico. As guerras são um bom negócio para os seus organizadores!

 

Embora alguns tipos de tortura já sejam conhecidos publicamente (privação de sono, calor e frio extremos, ser amarrado à cadeira alemã ou trancado durante semanas em caixões ou na casota de cão de um metro quadrado, entre outros), a tortura sexual é o que há de mais ocultado tanto pelos que a cometem como pelas vítimas, apesar de estar amplamente difundida pelo mundo.

 

Nesses espaços, depois de recebê-los com socos e pontapés, os carcereiros borrifam os seus reféns com gás de pimenta, arrancam-lhes a roupa, lançam-nos nas celas e sentam-se sobre seus corpos famintos para os imobilizar e para continuar a espancá-los. Alguns que narraram a sua passagem pelo inferno, afirmam que sentiram mais dor ao serem despojados das suas roupas do que por causa dos golpes. Pois, para grande parte da humanidade, que atribuiu um sentido moral ao vestuário, a nudez forçada é uma das agressões mais profundas que se pode sofrer e ser violada é a maior. Nunca superam o trauma físico e psicológico do ataque à sua dignidade sexual. Em Guantánamo, os presos, a princípio, lutaram com a única arma de que dispunham: lançar fezes sobre os guardas e cuspir-lhes. Foram derrotados a golpe de espancamentos e choques eléctricos, até se renderem.

Embora sejamos sinceros: os Estados Unidos não poderiam organizar o negócio do sequestro, tortura e destruição de nações inteiras sem a cooperação dos seus aliados.

Entre os países onde dispõem de masmorras estão Iraque, Afeganistão, Paquistão, Turquia, Azerbaijão, Quénia, Marrocos, Diego García, Egipto, Síria, Líbia, Tailândia, Polónia, Lituânia, Roménia e Kosovo, enquanto os países democráticos como o Reino Unido , Itália, Escócia, Espanha, Portugal, Finlândia ou Suécia, têm cooperado com esses atos terroristas autorizando à CIA-MI6 o sequestro de pessoas inocentes no seu solo e usar os seus aeroportos para esse peculiar tráfico de pessoas.

 

Mulheres nas masmorras dos EUA

 

O êxito enorme mas "secreto" do Vietname socialista.

 

                                                                                                                                 

                                                                                                          Por  André Vltchek

Há cerca de vinte anos, quando me mudei para Hanói, a cidade estava sombria, cinzenta, coberta de fumaça. A guerra terminara, mas permaneciam terríveis cicatrizes.

 

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Nota  do  blog:   Este é um artigo  relativamente recente  de Andre Vltchek (1962-2020), antes do seu falecimento em Istambul dia 22 de Setembro.  

Vltchek foi escritor, realizador de cinema, fotógrafo, jornalista, analista político e um ardente anti-imperialista.   A sua posição consequente e lúcida foi um exemplo do que deve ser um jornalismo combativo e de ideias, o qual se contrapõe ao jornalismo pasteurizado, medíocre  e vergonhoso  das  grande  mídias  corporativas  que nos mentem e omitem diariamente. 

Andre Vltchek foi, e  continua   sendo,  um exemplo para todos  aqueles  que  professam    acreditam  nos  ideias de  Liberdade  e  de  Justiça.

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Eu trouxe o meu veículo com tração às quatro rodas do Chile e insisti em conduzi-lo pessoalmente. Foi um dos primeiros SUV da cidade. Cada vez que conduzia, era atingido por scooters, que voavam como projéteis pelas amplas avenidas da capital.

 

Hanói era linda, melancólica, mas claramente marcada pela guerra. Havia histórias, histórias terríveis do passado. Nos "meus dias", o Vietname era um dos países mais pobres da Ásia.

 

Muitos patrimónios históricos, incluindo o Santuário My Son, no Vietname Central, eram basicamente vastos campos de minas, mesmo muitos anos após os terríveis bombardeios dos EUA. A única maneira de visitá-los era em veículos militares de propriedade do governo.

 

O prédio onde eu morava literalmente surgiu do infame "Hanói Hilton", a antiga prisão francesa onde os patriotas e revolucionários vietnamitas eram torturados, violentados e executados e onde alguns pilotos americanos capturados foram mantidos durante o que é chamada no Vietname a Guerra Americana. Da minha janela, podia ver uma das duas guilhotinas no pátio do que então se tinha tornado um museu do colonialismo.

 

A juíza mafiosa que instruiu o processo de Assange.

 

   
                                                                                         Por  Manlio  Danucci 


Emma Ar
buthnot é a juíza-chefe que, em Londres, instruiu o processo de extradição de Julian Assange para os Estados Unidos, onde o espera uma condenação a 175 anos de prisão por "espionagem", isto é, por ter publicado, enquanto jornalista de investigação, provas dos crimes de guerra dos Estados Unidos, entre os quais vídeos de massacres de civis no Iraque e no Afeganistão. No processo, confiado à juíza Vanessa Baraitser, foram rejeitados todos os requerimentos da defesa.



Emma Arbuthnot é a juíza-chefe que, em Londres, instruiu o processo de extradição de Julian Assange para os Estados Unidos, onde o espera uma condenação a 175 anos de prisão por "espionagem", isto é, por ter publicado, enquanto jornalista de investigação, provas dos crimes de guerra dos Estados Unidos, entre os quais vídeos de massacres de civis no Iraque e no Afeganistão. No processo, confiado à juíza Vanessa Baraitser, foram rejeitados todos os requerimentos da defesa.


Em 2018, depois de ter fracassado a acusação de violência sexual por parte da Suécia, a juíza Arbuthnot recusou-se a anular o mandado de prisão, de maneira a que Assange não pudesse conseguir asilo no Equador. Arbuthnot rejeitou as conclusões do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre a detenção arbitrária de Julian Assange. Também não foram ouvidas e levadas em conta as afirmações do responsável da ONU contra a tortura: "Assange, detido em condições extremas e não justificadas de isolamento, apresenta os sintomas típicos de uma prolongada exposição a tortura psicológica".

Em 2020, enquanto milhares de detidos eram transferidos para prisão domiciliária como medida contra o coronavírus, Assange foi mantido na cadeia, exposto ao contágio em condições físicas muito débeis. No tribunal, Assange não pode contactar com os seus advogados, é mantido numa gaiola de vidro blindado e ameaçado de expulsão se abrir a boca. O que existe por detrás deste extremo rigor?



A juíza Arbuthnot usa o título de "Lady", uma vez que é casada com Lorde James Arbuthnot, conhecido como um "falcão" dos conservadores, antigo ministro das Adjudicações da Defesa, ligado ao complexo militar-industrial e aos serviços de espionagem. Lorde Arbuthnot é, designadamente, presidente da Comissão Consultiva britânica da empresa Thalès, multinacional francesa especializada em sistemas militares aeroespaciais e membro da comissão equivalente da empresa Montrose Associates, especializada em inteligência estratégica (cargos generosamente pagos). Lorde Arbuthnot integra a Henry Jackson Society (HJS), um influente "think tank" ou grupo de pressão transatlântico ligado ao governo e aos serviços de espionagem dos Estados Unidos.

No passado mês de Julho, o secretário de Estado norte-americano, Michael Pompeo, usou da palavra em Londres numa mesa-redonda da HSJ: desde que foi director da CIA em 2017, Pompeo acusa o website WikiLeaks, fundado por Assange, de ser "um serviço de espionagem do inimigo". Uma campanha no mesmo sentido é conduzida pela Henry Jackson Society, que acusa Assange de "semear dúvidas sobre a posição moral dos governos democráticos ocidentais com o apoio de regimes autocráticos".



No Conselho Político da mesma HSJ, ao lado de Lorde Arbuthnot, esteve até há pouco Priti Patel, actual ministro do Interior do Reino Unido, a quem está atribuída a extradição de Assange. A este grupo de pressão que conduz uma campanha de intoxicação pela extradição de Assange, sob a direcção de Lorde Arbuthnot e outras personalidades influentes, está substancialmente associada a juíza Lady Arbuthnot. Foi nomeada magistrada-chefe pela rainha em Setembro de 2016, depois de WikiLeaks ter publicado em Março os documentos mais comprometedores para os Estados Unidos. Entre eles os emails da secretária de Estado Hillary Clinton revelando o verdadeiro objectivo da guerra da NATO contra a Líbia: impedir que este país utilizasse as suas reservas de ouro para criar uma moeda pan-africana alternativa ao dólar e ao franco CFA, a moeda imposta pela França a 14 ex-colónias africanas.

O verdadeiro "delito" pelo qual Assange é julgado é o de ter aberto uma brecha no muro da omertà (secretismo mafioso) político-mediático que encobre os interesses reais que jogam a cartada da guerra operando no "Estado profundo". É este poder oculto que submete Assange a um processo, instruído por Lady Arbuthnot, que faz lembrar os da Santa Inquisição em termos de tratamento do acusado. Se for extraditado para os Estados Unidos, Assange será submetido a "medidas administrativas especiais" muito mais duras que as britânicas: ficará isolado numa pequena cela; não poderá contactar a família nem falar, nem mesmo através dos seus advogados uma vez que estes serão incriminados se derem conhecimento de qualquer das suas mensagens. Por outras palavras, será condenado à morte.

17/Setembro/2020

Ver também:

 Assange e a miséria do jornalismo , também reproduzido aqui

  ‘None Of It Reported’: How Corporate Media Buried The Assange Trial ("Nada disto é informado": Como os media corporativos enterraram o julgamento de Assange).

O original encontra-se em Il Manifesto e a tradução em www.oladooculto.com/noticias.php?id=856


Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .

 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Acerca da Venezuela

                                                                                                                                           por Michael Hudson
                                                                         entrevistado por The Saker

Há uma grande controvérsia sobre o verdadeiro perfil da economia venezuelana e se a reforma e as políticas de Hugo Chávez e Nicolau Maduro foram cruciais para o povo da Venezuela ou se foram completamente equivocadas e precipitaram as crises atuais. Toda a gente parece ter opiniões muito fortes sobre isso. Mas eu não, simplesmente porque não tenho a perícia necessária para ter tais opiniões. Decidi então perguntar a um dos mais respeitados economistas independentes, Michael Hudson, por quem tenho imenso respeito e cujas análises (incluindo as que ele escreveu em parceria com Paul Craig Roberts ) parecem ser as mais confiáveis e honestas possíveis. Na verdade, Paul Craig Roberts considera Hudson o " melhor economista do mundo "!
Sou profundamente grato a Michael por suas respostas. Espero que contribuam para um entendimento honesto e objetivo do que realmente está a acontecer na Venezuela.

The Saker
The Saker: Poderia resumir o estado da economia da Venezuela quando Chávez chegou ao poder?

Michael Hudson: A Venezuela foi uma monocultura do petróleo. Suas receitas de exportação eram gastas em grande parte na importação de alimentos e de outras necessidades que poderiam ter produzido internamente. Seu comércio era em grande parte com os Estados Unidos. Portanto, apesar de sua riqueza em petróleo, a dívida externa aumentou.

Desde o início, as companhias petrolíferas americanas temiam que a Venezuela pudesse algum dia usar suas receitas petrolíferas para beneficiar a população em geral, em vez de permitir que a indústria petrolífera dos EUA e sua aristocracia compradora local desviassem sua riqueza. Assim, a indústria do petróleo – apoiada pela diplomacia dos EUA – manteve a Venezuela como refém de duas maneiras.

Em primeiro lugar, as refinarias de petróleo não foram construídas na Venezuela, mas em Trinidad e nos estados do sul da Costa do Golfo dos EUA. Isso permitiu que as companhias de petróleo dos EUA – ou o governo dos EUA – deixassem a Venezuela sem um meio de "avançar sozinha" e prosseguir uma política independente com seu petróleo, uma vez que precisava ter esse petróleo refinado. Não ajuda ter reservas de petróleo se não conseguir refiná-lo para que seja utilizável.

Segundo, os banqueiros centrais da Venezuela foram persuadidos a comprometer suas reservas de petróleo e todos os ativos do sector estatal de petróleo (incluindo a Citgo) como garantia colateral da sua dívida externa. Isso significava que, se a Venezuela não pagasse (ou fosse forçada a incumprimento por bancos norte-americanos que se recusassem a efetuar pagamentos atempados sobre a sua dívida externa), os detentores de títulos e grandes petrolíferas dos EUA estariam em posição legal de tomar posse dos ativos petrolíferos venezuelanos.

Tais políticas pró EUA tornaram a Venezuela uma oligarquia latino-americana tipicamente polarizada. Apesar de ser nominalmente rica em receitas petrolíferas, sua riqueza estava concentrada nas mãos de uma oligarquia pró EUA que deixava o seu desenvolvimento interno ser pilotado pelo Banco Mundial e pelo FMI. A população indígena, especialmente sua minoria racial rural bem como a subclasse urbana, foi excluída da participação na riqueza do petróleo do país. A recusa arrogante da oligarquia a compartilhar a riqueza, ou mesmo tornar a Venezuela auto-suficiente em elementos essenciais, tornou a eleição de Hugo Chávez um resultado natural.

The Saker: Poderia descrever as várias reformas e mudanças introduzidas por Hugo Chávez? O que ele fez de certo e o que fez de errado?

Michael Hudson: Chávez procurou restaurar uma economia mista para a Venezuela, utilizando suas receitas governamentais – principalmente do petróleo, é claro – para desenvolver infraestrutura e gastos internos em saúde, educação, emprego para elevar padrões de vida e produtividade para o seu eleitorado.

O que ele não conseguiu fazer foi sanar o desfalque sistemático e aumentar o rendimento do sector petrolífero. E foi incapaz de conter a fuga de capitais da oligarquia, levando sua riqueza e movendo-a para o exterior.

Isso não era "errado". Simplesmente leva muito tempo mudar a ruptura de uma economia – enquanto os EUA usam sanções e "truques sujos" para travar esse processo.

O Saker: Quais são,na sua opinião, as causas da atual crise económica na Venezuela – devem-se primariamente a erros cometidos por Chávez e Maduro ou a causa principal é sabotagem, subversão e sanções dos EUA?

Michael Hudson: Não há qualquer modo de Chávez e Maduro poderem ter seguido uma política pró venezuelana destinada a alcançar a independência económica sem incitar a fúria, a subversão e as sanções dos Estados Unidos. A política externa americana continua tão focada no petróleo quanto estava quando invadiu o Iraque sob o regime de Dick Cheney. A política dos EUA é tratar a Venezuela como uma extensão da economia estado-unidense, gerando um excedente comercial de petróleo para gastar nos Estados Unidos ou transferindo suas poupanças para bancos dos EUA.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Conquistas soviéticas importantes ao mundo e à classe operária.

              Rodrigo  S 
É comum ouvir nas sociedades capitalistas que a União Soviética era atrasada em todos os aspectos:  social, político, cultural, econômico e técnico-científico. Existe uma tendência a ver o lado negativo do socialismo, e até mesmo de transformar em negativo um aspecto que na verdade é positivo, através da propaganda anticomunista.

Esse discurso é absorvido facilmente pela falta de contrapontos de qualidade, necessários, a esses mitos. O presente texto é uma tentativa de ser um desses contrapontos. Serão enumeradas diversas conquistas da União Soviética durante toda sua existência. Aqui nos focaremos apenas nessa experiência em particular, especialmente antes de uma série de reformas que pouco a pouco destruíram o socialismo na URSS, por ela ter se tratado de um grande marco da história do socialismo e igualmente o que tem o maior número de informações disponível.

Conquistas políticas e sociais
1. A República Socialista Federativa Soviética da Rússia foi o primeiro Estado proletário da História a se consolidar, num combate contra mais de 10 países capitalistas que tentaram parar a revolução socialista. Foram derrotados pelo Exército Vermelho.

2. A Rússia socialista foi o primeiro país a criminalizar o racismo. Existiam Soviets para todas as etnias e nacionalidades. Alguns eram compostos inteiramente por minorias étnicas como afrodescendentes, outros Soviets eram compostos inteiramente por judeus. Isso numa época em que nos países capitalistas ambos eram tratados com desdém, uma segregação violenta com vítimas mortais e genocídios. Vários artistas, intelectuais e ativistas negros elogiavam o tempo que passaram na União Soviética, por exemplo o ativista, sociólogo e historiador W.E.B. Du Bois, o cantor Paul Robeson, o boxeador Muhammad Ali, o poeta Claude McKay. Considerações sobre essas experiências podem ser encontradas no livro “Black in the USSR”, de Joy Gleason Carew; na autobiografia de Harry Haywood, “Black Bolshevik”; e também no livro de William Mandel, “Soviet But Not Russian: The Other Peoples of the Soviet Union”.

3. Até o fim da “Era Stalin”, as várias nacionalidades e etnias que compunham a URSS tinham a possibilidade (e eram, também, encorajadas) a utilizar o próprio idioma, continuar com seus próprios costumes e religiões. O Oblast Autônomo Judaico, por exemplo, foi criado em 1934 na cidade de Birobidjan.

4. O analfabetismo foi quase completamente erradicado em aproximadamente 20 anos após a revolução, por causa de uma ampla campanha promovida pelo partido. Antes, 80% da população era analfabeta, apenas 13% das mulheres podia ler. Até a Revolução Russa, apenas 250 mil russos tinham educação superior. Em 1959 esse número já ultrapassava a marca dos 13 milhões e 45 milhões com 7 a 10 anos de estudo. No Uzbequistão pré-revolucionário, 2% da população era alfabetizada; em 1968 o número sobe para 95%.

5. Não havia população desempregada ou sem-teto e a habitação não tinha os problemas que hoje conhecemos como comuns nos países capitalistas, onde impera a especulação imobiliária. A segregação de habitações por renda familiar.

6. Instituíram a equidade de gênero, com pagamentos iguais entre homens e mulheres na mesma função, direito de voto e de participação política direta (através dos Soviets) às mulheres, acesso à educação sem distinção de gênero (e também de etnia, nacionalidade ou religião). As mulheres se juntavam na construção do socialismo sem segregação e não eram impedidas de exercer as mesmas profissões dos homens.

7. A alimentação era planejada, com preços regulados e subsidiados pelo Estado, para garantir a necessidade das populações soviéticas, em primeiro lugar, ao invés do lucro por venda de excedentes.

8. Os livros, revistas e jornais também eram subsidiados para que tivessem um preço baixo, aumentando o acesso da população à literatura e à imprensa. O rádio, que foi uma invenção russa da época imperial, foi muito difundido e importante meio de divulgação cultural. O número de instituições culturais subiu de 32 mil em 1929 para 54 mil em 1933. Construíram-se palácios da cultura, primeiro em Leningrado, depois em centros industriais e culturais e nos kolkhozes (propriedades agrícolas coletivas com administração popular). Em 1913 havia 9 milhões de livros nas bibliotecas e 180 museus; em 1932 já havia 91 milhões de exemplares e 732 museus. A tiragem de jornais aumentou 300% de 1928 a 1933. Em todos os distritos editavam-se jornais locais, cerca de 3 mil das Estações de Máquinas e Tratores e mais de mil jornais de fábrica e empresa. Mais de 3 milhões de operários e camponeses eram correspondentes. Publicava-se nos 88 idiomas dos povos da URSS.

9. O sistema de saúde universal foi o primeiro no mundo. Nenhum outro país tinha tantos médicos per capita ou camas de hospital per capita. A expectativa de vida dobrou. O número de médicos era o dobro que nos EUA; em 1977 havia na URSS aproximadamente 35 médicos e 212 camas de hospital a cada 10 mil habitantes e nos EUA os números eram 18 e 63, respectivamente, a cada 10 mil habitantes. De acordo com o censo de 1913, a expectativa de vida era de apenas 35 anos, aproximadamente; mesmo com a Segunda Guerra Mundial, nos anos 50 a expectativa já havia subido para 55 anos e continuou a crescer até a marca dos 75 anos para mulheres e 65 para homens; na década de 90 houve a maior queda desse índice, que só voltou a se recuperar realmente em 2005.

10. Uma queda notável na mortalidade aconteceu ao mesmo tempo em que a industrialização e a urbanização crescia. Em Moscou, em 1913, a mortalidade por tuberculose, por exemplo, era de 22,6 a cada 10 mil habitantes; em 1938 já estava entre 10 e 12. Um a cada 4 médicos era especializado em tuberculose.
 
11. O sistema político-econômico era voltado para a defesa do trabalhador como classe dominante. Os sindicatos se tornaram ferramentas de poder político nas mãos dos trabalhadores, que então podiam vetar demissões e mudar o setor gerencial. Indiretamente, a Revolução alimentou a pressão, nos países capitalistas, por melhores condições de trabalho. Porém, nenhum sindicato no capitalismo é capaz de prover a mesma liberdade política que tinham os soviéticos.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Venezuela rompe com o petrodólar.

                por Manlio Dinucci

A partir desta semana o preço médio do petróleo é cotado em yuan chinês", anunciou a 15 de Setembro o ministro venezuelano do Petróleo. Pela primeira vez o preço de venda do petróleo venezuelano deixa de ser cotado em dólares.

É a resposta de Caracas às sanções lançadas em 25 de Agosto pela administração Trump, mais duras que as da administração Obama em 2014: elas impedem a Venezuela de encaixar os dólares provenientes da venda do petróleo aos EUA, mais de um milhão de barris por dia, dólares até aqui utilizados para importar bens de consumo como produtos alimentares e medicamentos. As sanções impedem também o comércio de títulos emitidos pela PDVSA, a companhia petrolífera do Estado venezuelano.

Washington visa um duplo objetivo:   aumentar na Venezuela a penúria dos bens de primeira necessidade e, assim, o descontentamento popular, sobre o qual se apoia a oposição interna (subvencionada e sustentada pelos EUA) para abater o governo Maduro; colocar o Estado venezuelano em situação de incumprimento (default), ou seja, em falência, impedindo-o de pagar as prestações da dívida externa. Isso significa por em situação de falência o Estado que tem as maiores reservas petrolíferas do mundo, quase dez vezes maiores que as dos Estados Unidos.

Dessa forma, Caracas tenta subtrair-se às garras sufocantes das sanções, cotando o preço de venda do petróleo não mais em dólares dos EUA mas sim em yuan chinês. O yuan entrou há um ano no cabaz de moedas de reserva do Fundo Monetário Internacional (juntamente com o dólar, o euro, o yen e a libra esterlina) e Pequim está em vias de lançar contratos futuros (contratos a termo) de compra-
venda de petróleo em yuan, convertíveis em ouro. "Se o novo contrato de futuros ganhar consistência, corroendo nem que seja uma parte do poder esmagador dos petrodólares, isto seria um golpe fulminante para a economia americana", comenta o diário Il Sole 24 ore.

sábado, 3 de junho de 2017

Como a Mídia inventa “ repressão” na Venezuela.

            por Thierry Deronne

Enfiemo-nos na pele de uma pessoa que apenas dispusesse dos meios de comunicação diário para se informar sobre a Venezuela e que dia após dia se falasse de ‘manifestantes’ e “repressão”. Como não entender que essa pessoa acreditasse que a população está na rua e que o governo a reprime?

Porém, não há nenhuma revolta popular na Venezuela. Apesar da guerra econômica a grande maioria da população vai para as suas ocupações, trabalha, estuda, sobrevive. É por isso que a direita organiza as suas marchas com início nos bairros ricos. É por isso que recorre à violência, ao terrorismo e se localiza nos municípios de direita. Os bairros venezuelanos são em 90%, bairros populares. Compreende-se a enorme lacuna: os media transformam as ilhas sociológicas das camadas ricas (alguns % do território) em “Venezuela”. E 2% da população em “população”. [1]

A ex-presidente argentina Cristina Fernandez, depois de Evo Morales, denunciou: “a violência é utilizada na Venezuela como metodologia para alcançar o poder e derrubar um governo” [2]. Do Equador, o ex-presidente Rafael Correa recordou que “a Venezuela é uma democracia. É através do diálogo, com eleições, que devem ser resolvidas as diferenças. Muitos casos de violência vêm claramente dos partidos da oposição [3]. Esta também é a posição do Caricom, que inclui os países do Caribe [4]. O papa Francisco teve que incitar os bispos da Venezuela que, como no Chile em 1973, arrastavam os pés face ao diálogo nacional proposto pelo Presidente Maduro [5]. Este lançou o processo participativo para a Assembleia Constituinte, e confirmou a eleição presidencial legalmente prevista para 2018.

Assembleia Popular. Desde o desaparecimento de Hugo Chávez, em 2013, a Venezuela é vítima de uma guerra económica que visa privar a população de bens essenciais, principalmente alimentos e medicamentos. A direita local reúne certos elementos da estratégia implementada no Chile pela dupla Nixon-Pinochet, claramente para causar a exasperação dos setores populares e legitimar a própria violência. De acordo com o relatório do orçamento 2017 colocado no site do Departamento de Estado [6]. Foram entregues 5,5 milhões de dólares à “sociedade civil” da Venezuela. O jornalista venezuelano Eleazar Diaz Rangel, editor do diário Últimas Notícias (centro-direita) revelou trechos do relatório que o Almirante Kurt Tidd, chefe do comando Sul, enviou para o Senado dos EUA: “com a política do MUD (coligação da oposição venezuelana) estabelecemos uma agenda comum, que inclui um cenário duro, combinando ações de rua e dosificando o emprego da violência a partir da perspectiva de cerco e asfixia.” [7]

A fase insurrecional implica atacar os serviços públicos, escolas, maternidades (El Valle, El Carrizal), instituições de saúde, bloquear ruas e artérias principais para bloquear a distribuição de alimentos e paralisar a economia. Através da mídia privada, a direita apela abertamente aos militares para realizarem um golpe de Estado contra o Presidente eleito [8]. Mais recentemente os bandos paramilitares colombianos passaram do papel de formadores para um papel mais ativo: o corpo sem vida de Pedro Josué Carrillo, militante chavista, acaba de ser encontrado no Estado de Lara, com marcas de tortura típicas do país de Uribe [9] .

Apesar dos morteiros, armas, granadas ou coquetéis Molotov usados por manifestantes “pacíficos”; (sem esquecer as efígies de chavistas enforcadas em pontes, assinatura dos paramilitares colombianos), a lei proíbe a polícia ou a guarda nacional de usar as armas de fogo. Manifestantes da direita aproveitam a oportunidade para forçar a sua vantagem e evidenciam o seu ódio sobre guardas ou polícia, provocá-los com jactos de urina, excrementos e disparos com balas reais, observando a reação das câmaras da CNN.

Elementos das forças de segurança que desobedeceram e foram culpados de ferimentos ou mortes de manifestantes foram presos e processados [10]. O fato é que a grande maioria das vítimas são trabalhadores que iam para o trabalho ou voltavam, ativistas chavistas ou elementos das forças da ordem [11] . É por isso que os media falam de mortes em geral – para que se acredite que se trata de “mortos pelo regime.” A lista dos “mortos” serve para aumentar o apoio global à desestabilização: há nestes assassinatos, é terrível constatá-lo, o efeito de uma encomenda para os media.

Qualquer manifestante que mata, destrói, agride, tortura, sabota sabe que será santificado pela mídia internacional. Estes tornaram-se um incentivo para perseguir o terrorismo. Todos os mortos, todas as sabotagens econômicas serão atribuídas ao “regime”, incluindo dentro da Venezuela, onde a mídia, como a economia, é na sua maioria privada. Que a democracia participativa que é a da Venezuela tente defender-se como compete a todo o Estado de direito, vai ser imediatamente denunciada como “repressiva”. Quem ouse punir um terrorista, e isto o tornará de imediato um “preso político”. Para o jornalista e sociólogo argentino Marco Teruggi “; uma intervenção na Venezuela, o governo dos Estados Unidos tem condições mais favoráveis do que tinha para bombardear a Líbia, tendo em conta o fato de que a União Africana tinha condenado essa intervenção quase por unanimidade. (..) Tudo depende da capacidade da direita manter mais tempo o braço de ferro na rua como espaço político. Donde a importância de manter a caixa de ressonância mediática”. [12]

terça-feira, 2 de maio de 2017

Exército Vermelho salvou humanidade do nazismo

PCB- No capitalismo, as guerras são fruto da concorrência entre as classes dominantes de diferentes nações pelo domínio do planeta. 
Na Primeira Guerra Mundial, formaram-se dois blocos imperialistas opostos: Tríplice Aliança (Impérios Alemão, Austro-Húngaro e Turco-Otomano) e a Tríplice Entente (Impérios Inglês, Francês e Russo).
O sol nasce vermelho

Algo novo, entretanto, surgiu durante a Primeira Guerra Mundial: a revolução socialista de outubro de 1917, na Rússia; nova cisão ocorria no mundo, agora dividido em dois sistemas adversos: o capitalismo e o socialismo.
Os dois blocos capitalistas passaram a ter um objetivo comum: a destruição do primeiro Estado operário-camponês da história, em vista da restauração do capitalismo em escala global. Foi com este propósito que o bloco vencedor investiu na economia alemã 15 bilhões de marcos em seis anos (1924-1929).
Quando o nazismo se apossa da Alemanha e explicita seu intento de domínio mundial, as potências capitalistas dominantes não tratam de combatê-lo. Ao contrário, fecham os olhos às suas agressões e até incentivam o monstro nazista a direcionar seu ataque contra a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
Em 1939, a URSS propôs à Inglaterra e França um pacto para ações militares conjuntas se os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), bloco nazifascista, iniciassem a guerra na Europa. Não houve rejeição formal, mas nenhum passo foi dado por parte dos países capitalistas para concretizar o pacto. Ao contrário, França e Inglaterra firmaram com Alemanha e Japão acordos de não-agressão. Deixada sozinha, em agosto de 1939, a URSS assinou com a Alemanha um tratado de não-agressão. Os dirigentes sabiam que, mais cedo ou mais, tarde Hitler romperia o acordo, mas conseguiram ganhar um tempo valioso para transferir parte de suas indústrias para o leste do grande território soviético, bem como reforçar sua capacidade de defesa militar.
De 1938 a 1941, Hitler ocupou Áustria, Checoslováquia, Polônia, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Noruega, Grécia, Iugoslávia e finalmente a própria França. Na Europa central e oriental, a Alemanha adquiriu imensa quantidade de material de combate, meios de transporte, matérias-primas, materiais estratégicos e força de trabalho, tornando-se forte o suficiente para atacar a URSS.
Hitler, no livro MeinKampf (Minha Luta), proclamou: “…tratando-se de obter novos territórios na Europa, deve-se adquiri-los principalmente à custa da Rússia”.

A invasão hitlerista foi impiedosa. “Fuzilavam em massa as pessoas (mulheres, crianças, idosos, montavam campos de morte, deportavam para trabalho forçado na Alemanha. Por onde passavam, não deixavam pedra sobre pedra”. Era a política do extermínio. “Eu tenho o direito de destruir milhões de homens de raça inferior que se multiplicam como vermes” (Hitler).
Em resposta, o governo, o Partido Bolchevique e o povo soviético lançaram a palavra de ordem: “Morte aos invasores fascistas, tudo para a frente! Tudo para a vitória!”. Às fileiras do Exército Vermelho se integraram milhões de homens. Criaram-se também inúmeros regimentos de milícia popular, contando com dois milhões de combatentes.
Formou-se ainda na retaguarda uma força guerrilheira massiva. A dedicação e bravura do povo soviético comoveram o mundo e foram decisivas para quebrar a resistência capitalista (EUA, Inglaterra, França). Formou-se finalmente o bloco aliado, antifascista, a frente única dos povos pela democracia.
Caíra por terra a ideia de Hitler de que a ocupação da URSS seria um passeio uma “guerra relâmpago”. Os nazistas não imaginavam a resistência que encontrariam nas principais cidades: Leningrado, Stalingrado, Kiev e Moscou, entre tantas. Homens, mulheres, idosos e crianças se ergueram como muralha inexpugnável.
Os feitos do povo soviético repercutiram no mundo inteiro, levando um jornal burguês como o STAR, de Washington, a publicar: “Os sucessos da Rússia na luta contra a Alemanha hitleriana revestem-se de grande importância não só para Moscou e o povo russo, como também para Washington, para o futuro dos Estados Unidos. A história renderá homenagens aos russos por terem suspendido a guerra relâmpago, pondo em fuga o adversário”.
Em junho de 1942, os invasores avançam, mas encontram uma barreira instransponível em Stalingrado. Durante sete meses de combate, os invasores perderam 700.000 soldados e oficiais, mais de mil tanques, dois mil canhões e morteiros, 1.400 aviões. Os invasores eram tecnicamente superiores, mas, em novembro de 1942, os números já se invertiam em favor dos soviéticos. Os alemães estavam com 6.200.000 soldados, os soviéticos com 6.600.000; 5.000 tanques invasores contra 7.000 soviéticos; 51.000 peças e morteiros contra 77.000.
Na derrota do Stalingrado, os nazistas perderam 1,5 milhões de soldados e oficiais. “… Do ponto de vista moral, a catástrofe que o exército alemão sofreu nos acessos de Stalingrado teve um efeito sob o peso do qual ele não pôde mais reerguer-se”. (A segunda guerra mundial, B.Lideel Hart)
Depois, ocorreu a vitória do Cáucaso e se iniciou processo de expulsão em massa dos ocupantes nazistas. “A União Soviética pode orgulhar-se das suas heroicas vitórias”, escreveu o presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, acrescentando: “…os russos matam mais soldados inimigos e destroem mais armamentos do que os outros 25 estados das Nações Unidas no conjunto”.
O final de 1943 marca a virada na frente soviética e na Segunda Guerra em geral. O movimento contra o nazifascismo se consolidou e se ampliou em todo o planeta.
Em junho de 1944, com o exército alemão batido em todas as regiões da URSS, as tropas anglo-americanas desembarcaram no Norte da França, dando início à frente ocidental proposta pelo governo soviético desde o início da invasão.
Pode-se dizer que a essa altura a guerra estava decidida, diante da derrota alemã na Rússia. O próprio Winston Churchil, primeiro-ministro britânico, reconhece o papel fundamental dos soviéticos, no discurso pronunciado na Câmara dos Comuns, em julho de 1944: “….Considero meu dever reconhecer que a Rússia mobiliza e bate forças muitíssimas maiores que as enfrentadas pelos aliados no Ocidente, que, há longos anos, ao preço de imensas perdas, ela suporta o principal fardo da luta em terra”.
Um Exército Libertador

Apesar de imensas perdas, o Exército Vermelho avançou no encalço dos alemães pela Europa Oriental adentro, fustigando os nazistas e auxiliando as forças populares da resistência a derrotarem os ocupantes e seus colaboradores internos. Repúblicas democrático-populares foram instaladas com os partidos comunistas à frente na Polônia, Hungria, Iugoslávia, Checoslováquia, Romênia e Bulgária.

Presidente Maduro convoca Poder Constituinte originário do povo

Muito  diferente  dos   entreguistas e  fascistas   que, no  Brasil,  deram o  golpe  na  Constituição  de  1988 e depuseram um  governo  legitimado pelo  voto,  o  governo  venezuelano  propõe  uma  Assembleia  Nacional Constituinte   dando  ao povo  todo o direito  de  se manifestar e, o  que é  mais  notável  e importante,   sugere  a preservação  de  muitos  avanços  que a classe  trabalhadora  conseguiu  alcançar  com o  modelo  econômico  Chavista. 

 Tudo  isso  com um intuito  muito  bonito,    popular  e  livre:  impedir  que o  caos e  a violência  aumentem  no país  como  desejam  os  fascistas   assassinos.
As  mídias  corporativas,  insufladoras   do  golpe  brasileiro, jamais  divulgarão isso.  Quando  reportarem  a  essa  questão, estejam  certos,   deturparão  os fatos   seguindo assim o comando  dos    criminosos  de Washington.  Não poderia ser  diferente.  A  direita  política  é  a mesma  aqui  ou  em qualquer  lugar  do planeta.  Ela é  suja, profundamente desprezível  e   ousada  em  seus objetivos.    Todavia  algo  é  certo:  Ela  jamais   conseguirá perpetuar  seus  feitos.   É  tudo  uma questão de tempo.


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Caracas-  AVN.- O presidente Nicolás Maduro convocou nesta segunda-feira, 1º de maio, uma Assembleia Nacional Constituinte, conforme o estabelecido no artigo 347 da Carta Magna, com o objetivo de preservar a paz e a estabilidade da República.

"Hoje 1º de maio anuncio que, no uso de minhas atribuições presidenciais (...) e de acordo com o artigo 347, convoco o Poder Constituinte originário para que a classe operária e o povo, em um processo popular constituinte convoque uma Assembleia Nacional Constituinte (...) É a hora, é o caminho", disse o presidente durante discurso na avenida Bolívar de Caracas para celebrar o Dia do Trabalhador.

Maduro detalhou que este processo está aberto para dar todo o poder ao povo e transformar o Estado com a criação de uma nova Carta Magna que seja profundamente comunal e operária.

"Eu convoco o Poder Constituinte originário para conseguir a paz que necessita a República, para derrotar o golpe fascista e para que seja o povo, com sua soberania, que imponha a paz, a harmonia, o diálogo nacional verdadeiro", acrescentou Maduro.

O artigo 347 estabelece que o povo venezuelano "é o depositário do poder constituinte originário" e que, por isso, pode convocar a  Constituinte para "transformar o Estado, criar um novo ordenamento jurídico e redigir uma nova Constituição".

"Necessitamos transformar o Estado, sobretudo essa Assembleia Nacional podre que está aí (...) Tudo o que façamos será fortalecer a Constituição pioneira, a sábia, a Constituição Bolivariana de 1999. Ativo o Poder Constituinte para que o povo tome todo o poder da pátria", ressaltou o chefe de Estado.

Maduro acrescentou que esta constituinte deve ser cidadã, em união cívico-militar e não de partidos políticos nem de elites. "Uma constituinte cidadã, operária, comunal, missioneira, camponesa, feminista, da juventude, dos estudantes, indígena, mas sobretudo uma constituinte operária, profundamente comunal", enfatizou.

A Constituição outorga, igualmente, ao Presidente da República a potestade de fazer a convocatória, em seu artigo 348. Por sua parte, o artigo 349 da Carta Magna estabelece que o Presidente da República "não poderá objetar a nova Constituição. Os poderes constituídos não poderão de forma alguma impedir as decisões da Assembleia Nacional Constituinte. Após sua promulgação, a nova Constituição será publicada na Gazeta Oficial da República Bolivariana da Venezuela ou na Gazeta da Assembleia Nacional Constituinte".

Grandes Missões devem estar na Constituição

O presidente Maduro propôs que as grandes missões sociais, assim como os direitos da juventude venezuelana formem parte da Constituição da República Bolivariana da Venezuela.

"Eu quero que constitucionalizemos todas as missões e grandes missões, incluindo a Vivienda, para que ninguém nunca mais tire a moradia do povo (...) Eu quero constitucionalizar a Missão Bairro Adentro da saúde para que ninguém, nunca, possa privatizá-la. Eu quero constitucionalizar a Missão Transporte. Quero constitucionalizar os Clap e a Missão Alimentação. Quero constitucionalizar a Grande Missão Bairro Novo, Bairro Tricolor; junto à Missão Vivienda. Mas também, eu quero que nos atualizemos e façamos um capítulo especial para deixar gravado os direitos da juventude e dos estudantes venezuelanos", destacou.

Maduro informou que entregará ao Conselho Nacional Eleitoral as bases desta convocação, para que o poder popular possa eleger, por voto direto, os constituintes que acreditam na nova Constituição.

"Vou entregar nas próximas horas ao Poder Eleitoral as bases eleitorais desta convocação. Vai ser uma constituinte eleita, com voto direto do povo, para eleger uns 500 constituintes aproximadamente. Uns 200-250 eleitos pelas bases", explicou.

O presidente venezuelano exortou toda a população a manter-se firme na defesa do legado do comandante Hugo Chávez, que foi o primeiro a convocar uma Assembleia Nacional Constituinte em 1999, com o objetivo de reformar a Constituição de 1961.

"Chegou o dia. Não falhem. Não falhemos com Chávez, não falhemos com a pátria", disse.

Debate nas ruas

O presidente Maduro exortou o poder popular a debater, nas ruas, o processo constituinte, como apoio de uma comissão presidencial que levará a proposta para a consulta das bases populares do que será o sistema de eleição e o alcance deste novo processo.

"Esta comissão vai ser presidida pelo constituinte Elías Jaua Milano e ali estarão participando: Aristóbulo Isturiz, vice-presidente da pioneira (constituinte), Hermann Escarrá, Isaías Rodríguez, Earle Herrera, Cilia Flores, Delcy Rodríguez, Iris Varela, Noelí Pocaterra e Francisco Ameliah", esclareceu.

domingo, 30 de abril de 2017

Armas dos EUA contra Síria e Iêmen partem da Europa.

                                         Manlio Dinucci
O regime dos EUA faz crer que lutaria contra os jihadistas. Mas continua enviando armas, a partir da Europa "democrática" àqueles terroristas.

Leva o nome de Liberty Passion, ou seja "Paixão pela Liberdade". É um enorme, moderníssimo navio cargueiro norte-americano do tipo Ro/Ro [abrev. Roll-on/roll-off, de "embarque e desembarque sobre as próprias rodas"] – concebido para transportar veículos –, de 200 metros de comprimento, 12 conveses e superfície total de mais de 50 mil m2, com capacidade para transportar o peso equivalente a 6.500 automóveis.

Esse navio, propriedade da empresa norte-americana Liberty Global Logistics, fez a sua primeira escala – dia 24/3/2017 – no porto de Livorno, Itália. Assim começou oficialmente uma conexão regular entre Livorno e os portos de Aqaba, na Jordânia, e de Jeddah, na Arábia Saudita, servida mensalmente pelo Liberty Passion e outros dois navios similares, o Liberty Pride ("Orgulho da Liberdade") e o Liberty Promise ("Promessa de Liberdade"). A inauguração dessa linha de transporte foi celebrada como "festa para o porto de Livorno".

O significado de uma bandeira queimada pela oposição na Venezuela

                                                                  
                                       
 Aline   Pérez Neri   
Dê-me Venezuela em que servir, ela tem em mim um filho”.
Quando a  ignorância, a impotência, a teimosia, o ódio e o ressentimento vão de  mãos  dadas,  o  resultado  é  esta imagem que se tornou viral na rede da “pacífica e democrática” oposição venezuelana, a qual esse norte violento e brutal  manipula  igual uma marionete de papel.
Que atrevimento!
Indignação é a primeira sensação que qualquer ser humano que se considere digno sente ao vê-los queimando a bandeira cubana, bandeira da solidariedade imensa e até desmedida, a dos valores e princípios, a que não se deixa nem deixará pisotear. A da firme consigna feita ação de “Não à guerra, sim à paz”.
A bandeira de Cuba, potência humanitária, a que alfabetizou em torno de 10 milhões de pessoas e tem mais de 50 mil de seus trabalhadores da saúde colaborando em missões nos cantos mais recônditos do mundo, aqueles onde nem sequer os médicos das nações fazem presença.

 A que ofereceu mais de 600 milhões de consultas médicas gratuitas e com a qual salvou mais de 1 milhão e 750.000 mil cidadãos venezuelanos, com sua Missão Bairro Adentro, um dos programas de colaboração entre ambos países. Essa que tem mais de 46 mil colaboradores em quase 20 programas sociais em benefício do povo bolivariano. A que operou mais de 2 milhões e meio de seus cidadãos, de maneira totalmente gratuita. A que ensinou a ler e a escrever quase 3 milhões de analfabetos.

domingo, 16 de abril de 2017

Jornalismo degradado e degradante.

"Vê-se aí um padrão bem claro. Para obter apoio das populações para suas guerras ilegais para mudança ilegal de regime, o establishment ocidental promove ativa e empenhadamente incontáveis “falsas notícias”, como se fossem notícias não falsas. Para assegurar a “credibilidade” das notícias realmente falsas, elas são publicadas em veículos indiscutivelmente “sérios” e passam a ser regularmente repetidas por quantos comentaristas intervencionistas golpistas o dinheiro consiga comprar, como a causa “indiscutível” da importância e da urgência de se agir contra o tal Estado alvo. Fontes “anônimas” são sempre citadas nessas histórias, a maioria das quais, como a Operação Apelo de Massa do MI6, são muito frequentemente plantadas pelos serviços de segurança.”                Neil   Clark




 Nota  do  blog:   Observe    que essa fala  caberia muito  bem, coincidentemente  ou não,  a  imprensa  brasileira.   Na verdade  a  diferença  é   nenhuma.    Hipocrisias  impensáveis   associadas    a   ausência  impressionante  de caráter,  tudo    isso somado   a  algo  até difícil  de  caracterizar  devido  a  sua vileza,  vai  dar  nisso.   São os meios de comunicação  do Brasil  atualmente.  A   única  exceção é a  imprensa progressista.      É. é  isso.           Muito, muito  triste!

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Houve um tempo em que a distinção entre fatos e opiniões era uma prática bem estabelecida no jornalismo, assim como a distinção entre a mentira e a verdade. Hoje isso não é mais assim e os próprios jornalistas que trabalham nas mídias corporativas são, em grande medida, responsáveis por esta degradação. Consciente ou inconscientemente, a maior parte destes profissionais perdeu qualquer capacidade de análise ou de juízo crítico. Aceitam como verdadeiras as mentiras mais inverossímeis.
Basta ver, por exemplo, o semanário Expresso* de 08/Abril/2017. Nunca, em momento algum, os vários jornalistas que ali escreveram sobre a agressão à Síria puseram em causa a versão dos EUA de que o governo Assad teria utilizado armas químicas contra o seu próprio povo. Os leitores desse semanário nem sequer tiveram o direito do contraditório, princípio básico do jornalismo.       A mentira passa assim por verdade pura e cristalina.

Nenhum destes escrevinhadores que se intitulam jornalistas aprendeu com a História. O cinismo ou a ignorância imperam entre eles. As mentiras sucessivas do governo dos EUA para lançar guerras são pura e simplesmente ignoradas. A mentira do incidente do Golfo de Tonquim, tramada pelos EUA para lançar a guerra do Vietnam, não existe para esta gente do Expresso, dos comentaristas da TV ou das folhas de papel corporativas.

sábado, 8 de abril de 2017

Pentágono treinou "rebeldes" da Al Qaeda na Síria na utilização de armas químicas

                                                                                                  Michel Chossudosvsky

As  mídias ocidentais refutam as suas próprias mentiras. Elas não só confirmam que o Pentágono tem estado a treinar os terroristas na utilização de armas químicas como também reconhecem a existência de um não tão secreto "plano apoiado pelos EUA para lançar um ataque com armas químicas na Síria e culpar o regime de Assad" .


O Daily Mail de Londres, num artigo de 2013, confirmou a existência de um projeto anglo-americano endossado pela Casa Branca (com a assistência do Qatar) para efetuar um ataque com armas químicas na Síria e atribuir a culpa a Bashar Al Assad.

O artigo seguinte no Mail Online foi publicado e a seguir removido. Note-se o discurso contraditório: "Obama emitiu advertência ao presidente sírio Bashar al Assad", "Casa Branca dá sinal verde a ataque com armas químicas".
Esta reportagem no Mail Online publicada em Janeiro de 2013 foi removida a seguir.
Para mais pormenores clique aqui .
O treino do Pentágono de "rebeldes" (também conhecidos como terroristas do Al Qaeda) na utilização de armas químicas.

A CNN acusa Bashar Al Assad de matar seu próprio povo enquanto também reconhece que os "rebeldes" não só estão na posse de armas químicas como também que estes "terroristas moderados" filiados à Al Nusra são treinados na utilização de armas químicas por especialistas sob contrato com o Pentágono.
Numa lógica enviesada, o mandato do Pentágono era assegurar que os rebeldes alinhados com a Al Qaeda não adquiririam ou utilizariam ADM, ao realmente treiná-lo na utilização de armas químicas (soa contraditório):


Esta reportagem no Mail Online publicada em Janeiro de 2013 foi removida a seguir.
Para mais pormenores clique aqui.

"O treino [em armas químicas], o qual está a realizar-se na Jordânia e na Turquia, envolve como monitorar e proteger stocks de matérias-primas e manusear sítios e materiais com armas, de acordo com as fontes. Alguns dos empreiteiros estão no terreno na Síria a trabalhar com os rebeldes para monitorar alguns dos sítios, segundo um dos responsáveis.

A nacionalidade dos treinadores não foi revelada, embora os responsáveis previnam contra a hipótese de serem todos americanos. ( CNN , 09/Dezembro/2012).

Da Ditadura genocida à concentração e miserabilização atual

Julio C  Gambina,

Há 41 anos, um golpe militar instaurou na Argentina a ditadura mais sangrenta da sua história. Mas os interesses que esses militares defenderam através da mais bárbara repressão e de um violentíssimo terrorismo de Estado tiveram e têm continuidade no quadro constitucional posterior a 1983. São os interesses do grande capital, contra os interesses e direitos e contra a ação organizada dos trabalhadores e do povo.

A 41 anos do golpe genocida de 24 de Março de 1976 há que fazer memoria e recuperar os objetivos então propostos pelas classes dominantes para considerar quanto alcançaram e como o aprofundam na atualidade.

Com o terror de Estado exerceu-se a “necessária” violência para reestruturar a economia, o estado e a sociedade, e por isso a cultura do medo, mediante a repressão explícita, para obter uma férrea disciplina social. Por isso não deve surpreender a argumentação ideológica no presente contra a mobilização social em defesa dos direitos dos de baixo. É a cultura repressora da dominação que defende o direito a circular juntamente com os de propriedade, contra os dos trabalhadores, seus salários e condições de emprego.

Sim, há matizes em 41 anos, não é o mesmo a ditadura e os governos constitucionais, não necessariamente “democráticos”; mas existem algumas regularidades institucionais que atravessam todo o período.

Licença Creative Commons
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