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domingo, 21 de setembro de 2014

A desfaçatez do debate sobre a autonomia do Banco Central

Ivan Valente- O debate sobre autonomia do Banco Central do Brasil ganhou as manchetes dos noticiários. Então é bom lembrar de alguns de seus aspectos.

Tucanos sempre defenderam entregar logo para os banqueiros a direção da política monetária e os rumos da economia. Hoje, seus principais economistas são banqueiros ou executivos do capital financeiro e da especulação. Só não decretaram oficialmente a autonomia do Banco Central por falta de coragem ou oportunidade.

Já Lula inaugurou seu governo, em 2003, colocando na direção do Banco Central Henrique Meirelles, tucano diretor do Bank of Boston. Só não consumou a autonomia do BC por resistência, à época, no próprio PT.

Agora Marina, com assessores como Gianneti da Fonseca e André Lara Resende, resolve escancarar a proposta, para eliminar qualquer resistência do mercado financeiro à sua candidatura, e defende a autonomia de direito do Banco Central.

É cômico, se não fosse trágico, portanto, o embate televisivo feito pelas candidaturas em torno desta questão. De um lado, Marina acusa Dilma de criar “a bolsa banqueiro”. De outro, Dilma diz que não é sustentada por banqueiro, em referência a Neca Setubal, uma das donas do Itaú, coordenadora de campanha de Marina.

A verdade é que a autonomia do Bando Central já existe na prática. A diferença é que, transformá-la em lei, como propõe Marina, significa impedir que, em outro governo e com outra correlação de forças, seja possível escapar do engessamento das imposições dos bancos e do capital financeiro.

Como disse Lula, nunca os empresários e os banco ganharam tanto. Mas continuam mal agradecidos e querendo mais. É que o mercado fica nervoso com certas instabilidades.

A questão é saber quando o povo excluído ficará nervoso também com tanta desfaçatez.


Fonte: site Psol

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