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domingo, 9 de março de 2014

Até onde pode ir o Ocidente para impedir o referendo na Crimeia?

Ucrânia - Voz da Rússia - [Ksenia Melnikova] Resta apenas uma semana até ao referendo na Crimeia. Na região autônoma preparam-se para tomar uma decisão fulcral: aderir à Rússia ou alargar a autonomia e continuar integrada na Ucrânia.

Além disso, Sevastopol, depois do referendo, pode passar a fazer parte da Federação da Rússia na qualidade de entidade separadoa. Entretanto, Yulia Tymoshenko, antiga primeira-ministra da Ucrânia, está pronta a iniciar a guerra de guerrilha na península e os países ocidentais ameaçam a Rússia com sanções.

Na Crimeia e Sevastopol, o referendo está sendo preparado a toda a força: organizam-se lugares para o escrutínio, confirmam-se as listas dos eleitores, imprimem-se um milhão e meio de boletins. O destino da península e dessa cidade separada será definido a 16 de março: continuar no seio da Ucrânia ou tornarem-se sujeitos da Federação da Rússia. Estas perguntas são feitas em russo, ucraniano e na língua dos tártaros da Crimeia.

Entretanto, na Ucrânia, foi desencadeada uma verdadeira guerra contra a língua russa, desta vez na Internet. Alexander Turchinov, presidente interino nomeado pela Rada Suprema (parlamento), ordenou a todos os órgãos do Estado da Ucrânia que retirassem as versões russas das suas páginas na Internet. Até domingo, foram retiradas versões russas de 14 ministérios, as páginas estão apenas em ucraniano e inglês. Não obstante no sul e leste do país se falar fundamentalmente apenas em russo.

Segundo sondagens da opinião pública, a maioria dos habitantes da Crimeia e de Sevastopol desejariam juntar-se à Federação da Rússia. Se o referendo confirmar esse desejo, no prazo de um mês, os dois territórios passarão a estar sob jurisdição russa, declara Vladimir Konstantinov, presidente do onselho Supremo da República Autônoma da Crimeia:

"Estou convencido disso: já realizamos sondagens da opinião pública nesse sentido: os habitantes da Crimeia já se sentiram cidadãos de outro país, do país natal. Nós, sem nunca termos ido a lado nenhum, regressamos à pátria. Todos os 22 anos de presença no seio da Ucrânia foi uma luta pela nossa autonomia, pela nossa identidade, uma luta pela língua, pela nossa cultura, pelos nossos heróis."

Por recomendação da Rússia, a autonomia convidou para o referendo observadores internacionais para que se convençam da transparência e da legitimidade da votação. Porém, infelizmente, os observadores estrangeiros poderão deturpar a situação real das coisas na Crimeia, assinalou Vladimir Konstantinov.

Yulia Tymoshenko, antiga primeira-ministra da Ucrânia, apela ao Ocidente para impedir a realização do referendo. Ela insiste no aumento da pressão sobre Moscou e já fez um projeto de sanções econômicas que a UE e os EUA devem, segundo ela, declarar contra a Rússia. Tymoshenko ameaça também com guerra de guerrilha se a região votar pela adesão à Rússia.

Segundo a tradição, em Washington esperam motivos para iniciar ações militares. John Kerry, secretário de Estado norte-americano, disse, numa conversa com Serguei Lavrov, ministro russo das Relações Exteriores, que a união da Crimeia à Rússia fechará as portas à diplomacia. Martin Dempsey, comandante do comitê unido dos chefes do Estado-Maior dos EUA, declarou, numa entrevista a um canal de televisão americano que não exclui um conflito militar na Ucrânia:

"Temos deveres perante os aliados da OTAN e garantimos-lhes que, se o caso disser respeito aos nossos compromissos, seguir-se-á uma resposta da nossa parte."

Pelos vistos, os Estados Unidos não estão minimamente incomodados pelo fato de a Ucrânia não ser membro da OTAN e a situação no país ser agudizada pelos países ocidentais juntamente com os nacionalistas radicais.

Fonte: Diario Liberdade


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