Assunção- A tentativa de reivindicar a ditadura
paraguaia (1954-1989) aproveitando o próximo translado ao país dos restos de
Alfredo Stroessner, mobilizou os setores populares para frustrar uma homenagem
que encabeçou essa tirania.
Stroessner, sempre apoiado pela oligarquia
nacional e os governos dos Estados Unidos, deixou a seu derrocamento um saldo a
mais de 20 mil vítimas, um número indeterminado de desaparecidos e milhares de
pessoas que sofreram torturas, humilhação e cárcere.
Morreu no Brasil onde se pretende agora
transladar suas cinzas ao Paraguai, direito familiar nunca negado, mas a
cerimônia que se pretende converter em uma pública reverência política é
fortemente recusada.
Os organizadores do mencionado translado pretendem
que o chegada dos restos ao território paraguaio se faça pela Cidade do Leste,
fronteiriça com o Brasil, a 327 quilômetros desta capital, e agregar um
percurso por terra até Assunção, com atos de homenagem em pontos do percurso.
Setores do Partido Colorado que o apoiaram
durante boa parte de seu período ditatorial estão a cargo dessa pretendida
reivindicação, inaceitável para o agrupamento de vítimas sobreviventes daquele
período bem como para a maioria da população.
Neste sábado, agrupamentos civis e sociais do
departamento de Cordilheira foram as primeiras a sair às ruas para repudiar tal
tentativa de reivindicação.
Ao ato assistiram dirigentes da Liga Agrárias
Cristãs, da Juventude Operária e de partidos políticos e organizações sociais,
que sofreram a repressão do que qualificaram de terrorismo de Estado.
Uma presença especial foi a dos prisioneiros
no chamado Campo de Concentração de Emboscada, vigente durante a ditadura, e
familiares de detentos desaparecidos, os quais contaram suas terríveis
experiências.
Fonte: site Prensa Latina








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