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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Irã e sua importância estratégica.


No mapa acima, cada estrela corresponde a uma base militar dos Estados Unidos. Uma imagem que fala por mil palavras a respeito do cerco ao Irã


Por Anna Malm para Irã News e Pátria Latina*

A República Islâmica do Irã, a qual costumamos nos referir simplesmente como o Irã, está  localizada de maneira tal  que seu território ocupa tanto a Eurásia como o Oriente Médio.  O Irã  faz  fronteira com o Iraque do lado noroeste,  sendo que a Turquia fica um pouco mais acima deste mesmo lado. O Afeganistão e o Paquistão    são vizinhos fronteiriços ao leste, sendo que  ainda mais adiante  para  o mesmo  leste encontra-se a China.  Ao norte própriamente dito encontra-se a Rússia.

O  território o Irã é banhado por quase todos os lados  por águas de  mares, golfos, estreitos e lagos de uma grande significância política para o transporte do petróleo mundial.  Trata-se do Golfo Pérsico, do Golfo de Omã -  onde o estreito de Hormuz está localizado ligando esses dois braços marítmos -  do Mar Árabe e finalmente do Mar Cáspio. Sua posição poderia dificilmente ser mais central,  quanto as rotas marítmas que abastecem o mundo com o petróleo.

A capital do Irã é Teerã,  que também é o maior centro cultural-político-econômico do país. A civilização persa é uma das mais antigas do mundo sendo que sua medicina,  astronomia, matemática assim como artes, literatura e filosofia formaram os fundamentos do mundo moderno, tendo sido  também  este o contexto  no qual a Identidade Islâmica se desenvolveu.  

Sua população atual  é de 79.000.000 de habitantes sendo que o padrão de vida é alto. De 1900 à 1950 o país foi dirigido por uma monarquia constitucional, ou seja já obedecendo as leis de um governo parlamentárico. Há aqui também um monarca que foi  deposto  por não agradar ao poder colonial britânico e seus interesses econômicos em relação ao petróleo do país. As companhias  de pretróleo dos interesses britânicos não estavam satisfeitas e o monarca simplesmente perdeu seu poder e sua base poliítica a  favor  dos interesses britânicos.

O filho do acima mencionado monarca  pode então retomar  o poder,  bem mais tarde, através de um  golpe-de-estado,  em1953.  Este golpe-de-estado se efetuou  abaixo dos auspícios da  mesma Inglaterra,  agora ajudada pelos Estados Unidos. Quanto a Inglaterra tudo estava sendo feito para o bem da sua  principal companhia  petrolífera  de então.  O governo que tomou o poder abaixo dos auspícios da Inglaterra e dos Estados Unidos  foi  o governo do monarca que conhecemos como o Shah do Irã.

Esta pode ter sido a primeira vez que os Estados Unidos agiram ativamente na arena internacional, nesse caso através de um golpe-de-estado, para derrubar um governo que não se lhes subjugava.

O último caso consumado,  neste sentido,  foi a guerra da Líbia que é um país do norte da África. A guerra da Líbia foi imediatamente seguida por um resurgimento armado com muito envolvimento “estrangeiro”  por  todo a faixa  petrolífera  que fica  localizada  mesmo  abaixo da que podemos chamar de faixa norte da África.

Todos os  países africanos da  abrangente faixa  petrolífera encontram-se agora,  depois da caída do governo da Líbia pelas mãos  da OTAN,  em guerra aberta ou dissimulada,  guerras estas  de maior ou menor intensidade.  A mídia ocidental continuando  surda e muda como sempre.

A Síria ainda  temos na  encruzilhada do destino, a espera de uma definição. 

Mas voltando ao Irã de 1953.  No Irã  então,  as manipulações da  instalação do sistema político dirigido pelos interesses econômicos coloniais-imperialistas  da Inglaterra  e dos Estados Unidos  fizeram com que uma oposição iraniana,  contra as manipulações estrangeiras,  se fizesse  notar.  Esta oposição culminou na revolução popular de 1979, que estabeleceu a República Islâmica do Irã no governo do país.


O Irã é muito importante para a segurança energética do mundo, assim como para sua  economia global.  A reserva  de gás natural do Irã  é  a segunda maior do mundo,  e a sua reserva de petróleo é a quarta maior do mundo.

De acordo com Yuri Baranchik  [1],   a República Islâmica do Irã tornou-se num poder regional de peso  e o  Irã ocupa  agora uma posição estratégica muito importante devido a uma série de fatores.  Em relação a segurança energética ressaltou-se então:-

1)  sua localização estratégica

2)  seus impressionantes recursos naturais

3)  seu acesso marítmo as rotas de frete de cargo

4)  seu potencial para poder integrar diversos fatores numa teia de comunicações  favoráveis ao desenvolvimento econômico da Eurásia.

De acordo com  o autor  temos que a lógica das relações internacionais contemporâneas se baseia na primazia dos Estados Unidos,  primazia esta tendo que ser constantemente reafirmada.

Deste modo temos que tanto as elites  do Partido Democrático (liberal intervencionista)  quanto as elites do Partido Republicano dos Estados Unidos  aderem a idéia de que a força militar é a melhor forma de política exterior  para o seu país.  Neste cenário as fronteiras e as soberanias nacionais perdem,  da perspectiva bélica dos mesmos,  os seus contornos e o seu  significado tradicional .  No caso do Oriente Médio para eles quanto maior for o território do que denominam como o “Grande-Oriente Médio”,   tanto melhor.

Um “Grande-Oriente  Médio”  significa,  aos olhos dos acima mencionados,  um Oriente-Médio como uma gigantisca  base militar americana,   e isto no coração da  Eurásia.  Um político “Grande Oriente- Médio  significaria  então  para os Estados Unidos:-

1)      um quase que total  controle sobre o preço do gás e do petróleo.

2)      um domínio político-econômico  sobre os poderes regionais da Eurásia,  ou seja, a China, a Índia e a Rússia.

A Rússia,  A China, a Índia e o  Irã.   Nesses quatro poderes regionais sustenta-se a balança estratégica,  não só  da Eurásia,  como também da balança estratégica mundial.

Quem ainda consegue acreditar que é o aspecto ou a perspectiva de um Irã nuclear que incomoda os Estados Unidos [e por consequência seus irmãos em armas]? A China tem muito mais para incomodar os Estados Unidos a esse respeito do que Irã nunca teria, mesmo se  o  Irã viesse a ter um  relativamente pequeno arsenal nuclear. O único provável alvo para um Irã com armas nucleares  seria da perspectiva do autor, e assim também como da minha,   Israel. O autor ressalta então que neste caso o próprio Irã  iria, de certeza,  transformar-se  numa total catástrofe nuclear. A história, a experiência e a lógica nos mostram claramente que isto não faz sentido. 

O problema é então, outro. O próprio fato de um Irã com uma capacidade tecnológica incluindo o domínio do setor da energia nuclear representaria uma derrota política para os Estados Unidos no contexto da situação,  e ainda por cima uma prova concreta  da  possibilidade atual e realística de um  mundo multipolar, mundo multipolar este  com diversos centros de poder  político- econômico em cooperação conjunta,  ou  concorrência. 

Mas  é isso aí.  Isto não só acabaria com a primazia dos Estados Unidos,  como também mostraria com toda a desejável clareza as bases periclitantes dos arranjamentos nos quais o  complexo industrial-militar estabelece os Estados Unidos como uma super-potêmcia e o dólar como a única realmente internacional  moeda-de-reseva.  Isto quer dizer a moeda destinada a compras e vendas no mercado internacional e isto então muitíssimo especialmente quanto a compra e venda do petróleo e seus dericados no mercado internacional.

A economia atual dos Estados Unidos é propulcionada por um empréstimo desenfreado no mercado financeiro e esta não teria grandes chances de sobreviver uma liderança americana enfraquecida.  A  supremazia dos mesmos se  tornaria  em coisa do passado. Ao meu ver um passado a ser esquecido, depois de bem analizado e entendido.

O autor Yuri Baranchik  argumenta ainda que não é a necessidade do petróleo própriamente dito  que motiva as ações dos Estados Unidos no contexto aqui estudado. O que motiva as ações dos mesmos  é  a  sua  necessidade  de controlar tanto o mercado petrolífero como o preço do petróleo  no mercado internacional.

Os Estados Unidos tem fontes  próprias para seu consumo energético doméstico. Portanto quanto as suas  sanções que agora  levam  o  preço do petróleo às alturas,  isto não os  afeta diretamente,  se visto deste específico aspecto.

No entanto,  as sanções unilaterais americanas,  que eles ainda tentam chantagear outros países a  também imporem,  faz  por outro lado que as economias da União Européia  assim como a da China e da Índia,  entre outros países,  venham a sofrer as consequências.  Eles mesmos  pretendendo passar  ao largo da tempestade.

É interessante notar aqui a triste figura que a União  Européia  é  compulsionada  a  apresentar,  também neste caso  como em muitos outros.   

O autor ressaltou então que poder controlar o Irã  politicamente  significava  para os Estados Unidos o mesmo que poder  controlar o fornecimento energético da China e da Índia.

Nos tempos coloniais de outrora os países europeus só podiam adquirir suas importações coloniais através de um revendedor global, o qual conhecemos hoje em dia como a monarquia britânica.

Um  controle do mercado e do preço do petróleo facilitaria  ainda por cima  uma  marcha dos Estados Unidos a uma superioridade tecnológica sobre seus competidores, concluiu Yuri Baranchik.

Ressaltamos então aqui que Irã é um membro fundador tanto da ONU quanto  da OPEP – Organização dos Países Produtores de Petróleo. A importância do Irã não acaba com a sua importância estratégica.  A importância internacional do Irã também se mostra na sua posição atual como um símbolo da luta pelo direito da auto-determinação dos povos e da primazia da lei e do direito a ser exigidas nas relações internacionais. Aqui o Irã torna-se no símbolo maior a ser seguido.   

REFERÊNCIAS E NOTAS:

[1] Yuri Baranchik, “Will the U.S. Launch an Agression Against Iran?”  no jornal on-line da Strategic Culture Foundation  -  www.strategic-culture.org  

* Anna Malm é correspondente na Europa de Pátria Latina e Irã News
fonte: site Irã News

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