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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

No Rio, professores em greve há mais de dois meses.

Professores do Rio acampam em frente ao prédio da Seeduc


Depois de serem atacados pela PM ao tentar invadir o prédio da Secretaria de Educação, profissionais e funcionários das escolas estaduais do Rio de Janeiro — em greve há dois meses — acamparam na porta do prédio da Seeduc, no Centro da cidade. De acordo com representantes do Sepe-RJ, sindicato que representa os profissionais da educação do Rio, a greve irá continuar até que o gerente Sérgio Cabral trate a categoria com respeito e atenda às suas reivindicações.

Na tarde do dia 26 de julho, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspendeu a liminar que impedia o gerenciamento estadual de descontar os dias não trabalhados dos profissionais da educação em greve. A categoria cruzou os braços no dia 7 de junho e promete não recuar enquanto Sérgio Cabral e o secretário de Educação, Wilson Risólia, não atenderem às suas reivindicações. Apesar do Rio de Janeiro ser o segundo estado mais rico da federação, o salário base da categoria é de míseros 765 reais para professores e 435 reais para funcionários. A categoria exige reajuste salarial de 26% e a incorporação imediata das gratificações do Programa Nova Escola.

O diretor de imprensa do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro, Alex Trentino, deu a opinião da entidade sobre o anúncio do corte de ponto dos grevistas .

— Essa medida do Sérgio Cabral de cortar o nosso ponto é arbitrária. A primeira decisão do Tribunal de Justiça, inclusive, previa que a nossa greve permitiria a reposição das aulas. Agora, o governo do estado, ao caçar a liminar, está sacrificando o ano letivo, já que ao ter nossos salários cortados, não vamos repor essas aulas. Esperamos que o governador apresente um índice para que possamos voltar ao trabalho — disse o sindicalista.

Há quase três semanas, os trabalhadores estão acampados na entrada da Secretaria de Educação para pressionar o gerenciamento estadual a atender às suas exigências. O acampamento começou depois de uma tentativa de ocupação do prédio da Seeduc reprimida com violência pela PM. A ação revelou novamente o caráter reacionário do gerenciamento de Sérgio Cabral, que tem como marca registrada, desde o início de seu mandato, a repressão ferrenha aos trabalhadores em luta no Rio de Janeiro.

— Essa política de repressão às greves tem sido padrão nesse governo, não só conosco e com os bombeiros, mas com outros trabalhadores também. Como o Sindicato da Justiça, que no ano passado fez uma greve e o governo cortou licenças sindicais, teve corte de salários, removeu trabalhadores dos seus locais de trabalho e por aí vai. Agora vai ter Copa do Mundo e Olimpíadas e esse governo autoritário está removendo milhares de famílias pobres das regiões onde vão acontecer os jogos. Uma política de habitação exclusivamente para os gringos. Então, a gente vê uma prática desse Estado que é autoritária, não só contra os trabalhadores, mas contra os movimentos sociais como um todo — disse Alex.

AND também esteve no acampamento, na Rua da Ajuda, Centro do Rio, para conversar com os profissionais que estavam no local. Entre eles estava o professor de filosofia do Colégio Estadual Carmela Dutra, Diego Felipe, de 28 anos.



— A gente tem uma greve, que é o maior instrumento de luta dos trabalhadores, e o acampamento é a expressão radicalizada da greve. A gente acampar aqui incomoda mais os governantes do que greve de pijama, onde as pessoas simplesmente não vão trabalhar. Todos estão dizendo aqui que o acampamento é uma prova de que essa greve não é como as anteriores, onde as coisas pareciam não se mover, prova de que essa greve não é burocrática — avalia o professor.

— O meu sentimento é de bastante revolta. Eu já sou revoltado com a situação da educação, desde que eu era estudante da rede estadual e sempre percebi que as coisas não andavam bem. Porque é muito complicado você saber que uma profissão tão importante quanto docente vive em uma situação tão precária, ganhando mal, em péssimas condições de trabalho. Não tem como não se revoltar. As pessoas não ficam sabendo por bloqueios do monopólio da imprensa. Enquanto o secretário de educação pensar que a educação é mercadoria, como ele mesmo disse, tudo vai andar às piores mesmo. Educação é sim a nossa maior possibilidade de transformar a realidade, de transformar as consciências das pessoas — diz. Fonte - AND Patrick Granja.

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