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sábado, 27 de fevereiro de 2016

Testemunho do médico forense inocenta camponeses de Curuguaty

Policiais foram mortos com "armas de grosso calibre", aponta laudo. Armamento pertencia às forças de elite da polícia paraguaia

  LEONARDO WEXELL SEVERO, DE ASSUNÇÃO

Os seis policiais militares do Grupo Especial de Operações (GEO) que morreram em Marina Kue, Curuguaty, no dia 15 de junho de 2012, foram abatidos com armas de “grosso calibre”, atestou o médico forense Floriano Irala. O testemunho comprova a inocência dos camponeses, pois além da força de elite da GEO, somente policiais do FOPE (Força de Operações da Polícia Especializada) portavam fuzis Galil durante o “confronto” em que também faleceram 11 sem-terra.

O enfático e detalhado pronunciamento de Irala caiu como uma bomba no Palácio da Justiça, em Assunção, na última terça-feira. A declaração, sob juramento, abriu uma semana de depoimentos que colocaram por terra a chicana patrocinada pelo desgoverno de Horacio Cartes. Segundo o serviçal das transnacionais e do latifúndio, 324 policiais fortemente armados teriam sido vítimas de uma “emboscada”.

Comprovadamente uma terra pública, destinada à reforma agrária, Marina Kue vinha sendo alvo de uma campanha midiática em favor da empresa Campos Morombí, grileira de milhares de hectares na região desde os tempos da ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989). A chantagem chegou até a Câmara dos Deputados, onde parlamentares servis ao agronegócio aprovaram em janeiro de 2012 uma ordem de “averiguação”, logo ilegalmente transformada em sangrento despejo de 60 camponeses - metade deles mulheres, crianças e idosos – acampados no local.

Identificando um a um, esclarecendo caso a caso, o médico Floriano Irala foi explicando sobre o macabro destino reservado pelas “armas de grosso calibre” aos seis policiais da GEO: os suboficiais Godoy e Jorge Sanchez foram fulminados com uma bala certeira; o subcomissário Erven Lovera, três; Wilson Cantero, cinco; Derlis Benitez, 11 e Osvaldo Sánchez, 13.

O estudo de Floriano Irala se choca com a hipótese defendida pelo promotor Jalil Rachid, amigo da família de Blas Riquelme, que se advoga dona das terras em questão, e que foi premiado recentemente por Cartes com o vice-ministério da Segurança. No posto, o filho de Blader Rachid, que foi presidente do Partido Colorado (do ditador Alfredo Stroessner, como Blas Riquelme) controla a polícia e incide diretamente sobre mais de uma centena de depoentes no processo de Curuguaty.

Curuguaty: Policiais liquidaram sem-terra e se mataram entre si

Advogado Ricardo Paredes defende imediata libertação dos camponeses, presos políticos do governo Horacio Cartes

                                    Leonardo Wexell Severo,  de Assunção

Em esclarecedora entrevista, o advogado Ricardo Carlos Paredes denuncia a grotesca manipulação no julgamento dos camponeses de Curuguaty, presos políticos no Paraguai por reivindicar a posse desta terra pública tomada durante o governo do ditador Alfredo Stroessner (1954-1989). Nesta semana pudemos ver que à medida em que as testemunhas – até mesmo as de acusação - vão depondo, a verdade vai aparecendo. Os policiais foram mortos com armas de grosso calibre manuseadas por seus dois grupos de elite, a FOPE (Força de Operações da Polícia Especializada) e a GEO Grupo Especial de Operações); os “coquetéis molotov” - bombas artesanais - que a mídia tanto utilizou para falar dos camponeses como “criminosos e delinquentes”, não passavam de lampiões de querosene; e as fatais “armadilhas” mata-soldados nada mais eram do que ratoeiras ou “caça-bobos”, no jargão paraguaio. Uma semana depois do “confronto” de 15 de junho de 2012, em que morreram 11 camponeses e seis policiais, o presidente Fernando Lugo foi deposto a toque-de-caixa. A armação caiu como uma luva para os interesses golpistas, freando o processo de reforma agrária. Evidenciada a farsa, cresce a campanha pela libertação dos presos de Curuguaty.

Abaixo, a íntegra da entrevista.


O que dizer da acusação feita pela promotoria de que um grupo de camponeses buscou o enfrentamento com mais de 320 policiais munidos de helicóptero, cavalos, fuzis, bombas e escudos?

A acusação feita pela promotoria fala de um grupo de pessoas sem-terra que emboscaram policiais, que eram 324, contra camponeses mal armados portando quatro espingardas, dois rifles e 19 foices. Os rifles eram de ar comprimido, modificados para calibre 22. As espingardas eram de calibre 20, 28 e duas de calibre 12. O que quer dizer que o poder de fogo que tinham os camponeses era totalmente nulo. É uma quantidade de armas impossível de sustentar um tiroteio de fogo cruzado que, conforme a versão oficial, foi de longa duração. Além disso, são armas que requerem carga e recarga, tiro a tiro.

A desproporção pessoal e material não é mais do que evidente?

No momento de perguntar aos peritos policiais temos visto que todas estas armas não conseguiam ser recarregadas, com exceção das de calibre 12, que tinham a capacidade de recarregar seis tiros. Fica evidenciada, portanto, a incapacidade material de que camponeses mal armados pudessem ter entrado numa contenda bélica com centenas de policiais, que contavam com dois grupos de elite. Os fuzileiros do GEO (Grupo Especial de Operações), que portavam armas automáticas, como fuzis Galil, que conforme o comissário Gómez assegurou em seu depoimento podia dar de 45 a 50 tiros. Também havia pessoal da Força de Operações da Polícia Especializada (FOPE), igualmente de elite. Temos certeza que conforme testemunharam todos os policiais por parte da GEO, se desconhecia a presença do outro grupo policial, seja anti-motim ou tático na outra frente. Os da GEO ingressaram pelo Norte, mas desconheciam que pelo lado Sul ingressaria a outra força, o que resultava em duplo poder de fogo.

A GEO era comandada por Erven Lovera, que morreu no local.

Exatamente. Todos os seis policiais que morreram eram da GEO. Todos os demais integrantes da GEO desconheciam a presença do outro grupo armado na zona, vindo pelo lado Sul. Não conheciam e alguns que conheciam não viam a sua presença. O que se percebe é que houve uma descoordenação entre os dois grupos e que no momento em que ocorreram os primeiros disparos entraram num pânico geral. Esta situação de pânico fez com que entrassem em choque e disparassem para qualquer lado, sem orientação. O que tinham era um ponto de referência que eram os camponeses localizados à frente. Tanto é assim que todos dispararam para um mesmo ponto, onde se concentraram os mortos. Não é que os corpos estivessem disseminados por diferentes áreas, a maior parte ficou em um só perímetro. O fogo cruzado entre o Norte e o Sul convergiu para onde estava Lovera e o grupo de camponeses. Como resultado morrem 17 pessoas, seis policiais e 11 camponeses.

Quantas pessoas ficaram feridas?

“Matança de Curuguaty foi planejada pelos herdeiros políticos de Stroessner"

Na Cúpula Social do Mercosul, advogado Amélio Sisco denuncia “torturas e execuções de camponeses no Paraguai"

                   Leonardo Wexell Severo e Nicolás Honigesz, de Assunção

“A matança de Curuguaty, onde morreram 17 pessoas, 11 camponeses e seis policiais, foi planejada pelos herdeiros políticos de Alfredo Stroessner. O objetivo das torturas e execuções dos sem-terra era inviabilizar a reforma agrária e a luta dos movimentos sociais no Paraguai”, denunciou o advogado Amélio Sisco, durante a Cúpula Social do Mercosul, realizada recentemente em Assunção. 

Integrante da equipe de defensores dos camponeses colocados pela “justiça” paraguaia no banco dos réus, Amélio Sisco nos concedeu esta entrevista no albergue Virgem das Mercedes. Durante o julgamento, os sem-terra cumprirão prisão domiciliar no local, com exceção de Rubén Villalba, preso em Tacumbú, também na capital. O massacre de Curuguaty ocorreu após o “confronto” entre 324 policiais fortemente armados e 60 camponeses – metade deles mulheres, crianças e idosos – no dia 15 de junho de 2012. O sangue derramado pela Polícia Nacional e a GEO (Grupo Especial de Operações) – treinado por militares estadunidenses e por técnicos da CIA-, abriu caminho para o impeachment do presidente Fernando Lugo uma semana depois. Com a presença de representantes da Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela, a Cúpula Social do Mercosul defendeu “a imediata libertação dos presos políticos de Curuguaty”. As terras em questão foram griladas pela família de Blas Riquelme, ex-presidente do Partido Colorado - o mesmo do ditador Alfredo Stroessner, que governou o país com mão de ferro durante 35 anos, entre 1954 e 1989 - e o promotor do caso é Jalil Rachid, filho de Blader Rachid, também ex-presidente do Partido Colorado.

Curuguaty é uma terra pública reclamada pela empresa Campos Morumbi, de propriedade da família Riquelme, vinculada à ditadura de Alfredo Stroessner. Como explicar um despejo à bala de um local que deve ser destinado à reforma agrária?

Em primeiro lugar é preciso deixar claro que Campos Morumbi não é uma empresa, mas uma organização criminosa, e que as terras ocupadas pelos camponeses são públicas. Portanto, jamais poderiam ter sido objeto de um despejo, ainda mais da forma como foi feito. A presença dos camponeses incomodava o tráfico de drogas. Infelizmente, o promotor Jalil Rachid, o mesmo que quer a condenação dos sem-terra, nada fez para investigar os Riquelme, quando foram encontrados 40 hectares de maconha em Campos Morumbi. No mesmo lugar, há suspeita de que também funcione o maior laboratório de pasta de coca da região. No local, administrado por um tal Peñas Gambas, existem grupos de capangas com abundantes antecedentes criminais. Há pista de pouso de aviões e hangares onde ninguém pode chegar e há denuncias de que várias pessoas foram assassinadas, sem que a imprensa divulgue nada.

O que aconteceu no dia 15 de junho de 2012?

Os camponeses foram informados, por pessoas que haviam se infiltrado no local, no dia 14, de que havia uma ordem precisa e que grupos militares com armas de guerra viriam matar três dirigentes: um deles era Rubén Villalba, um de sobrenome Ortiz e outro conhecido como Pindu. Eram os dirigentes mais fortes.

Uma vez alertados, como os camponeses reagiram?

Ingressaram mais pessoas neste dia e se prepararam. Dispunham somente de máscaras para cobrir a boca e pintura para os rostos. Houve a orientação para que Rubén Villalba saísse para não ser morto. A informação não era concreta em relação aos outros dois dirigentes. Na madrugada, começaram a passar sal nas máscaras – já que iriam ser lançadas muitas bombas de gás lacrimogêneo – e se pintaram para que a polícia não pudesse identificar se realmente havia ou não um Rubén Villalba no local.
Houve uma pequena reunião do comando da ação militar, no próprio local, para definir como agiriam.

sábado, 12 de abril de 2014

Martín Almada: “O Paraguai se levantou contra a privatização dos setores estratégicos”

“A greve geral disse não à Aliança Público-Privada, que é uma má fotocópia do receituário fracassado do FMI”, afirmou o intelectual e Prêmio Nobel Alternativo da Paz

Leonardo Wexell Severo


Vestido com uma goiabeira, expressão de certa solenidade, sorriso generoso, olhar amplo, Martín Almada nos recebeu à noite para uma conversa rápida, no aconchego do lar, em Assunção. Era grande a correria e pequenos os espaços na agenda de entrevistas nos instantes que precederam a histórica greve geral que paralisou o Paraguai no dia 26 de março. Mesmo assim, o bate-papo acabou se transformando em boas horas de convivência e aprendizado.

Aos 77 anos, um dos mais renomados intelectuais latino-americanos, Prêmio Nobel Alternativo da Paz em 2002, traçou perspectivas para o Paraguai e para a região livrar-se das suas ervas daninhas. Almada é o advogado e pesquisador que trouxe à luz os documentos da Operação Condor, por meio da qual as ditaduras da região, em “pacto criminoso” e sintonizadas com os desígnios do governo de Washington, aplicaram, com treinamento militar estadunidense, políticas de terrorismo de Estado, para desaparecimento, tortura e assassinato de opositores.

 O próprio Almada padeceu mil dias no cárcere, teve sua mulher morta e todos os seus bens confiscados, sendo obrigado a amargar 15 anos de exílio. Forçado a viver longe da sua terra pela ditadura de Alfredo Stroessner, o educador patriota aprofundou o seu latino-americanismo e agora finca ainda mais fundo as suas raízes anti-imperialistas, trazendo à tona, na luta pela memória, “este espaço de luta política”, a busca de um futuro melhor num Paraguai desenvolvido e soberano. Boa leitura.


Como o senhor avalia a lei de Aliança Público-Privada (APP) que o governo do presidente Horacio Cartes busca implantar? 

A meu juízo este é o mesmo plano que aplicou Menem, que fracassou na Argentina. É uma má fotocópia do que fracassou na Espanha, em Portugal, na Itália. Não há um só país do mundo que saiu da pobreza graças ao Fundo Monetário Internacional. Não há um único país que se desenvolveu entregando setores estratégicos ao capital estrangeiro. O que observo, e estou muito atento ao que ocorreu no Chile, onde vou três a quatro vezes ao ano para falar sobre a Operação Condor, é que pessoas de esquerda naquele país se tornaram socialistas neoliberais. E o pior é que se consideram socialistas neoliberais exitosas.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Tentativa reivindicar ditadura paraguaia mobilizou setores populares.


Assunção-  A tentativa de reivindicar a ditadura paraguaia (1954-1989) aproveitando o próximo translado ao país dos restos de Alfredo Stroessner, mobilizou os setores populares para frustrar uma homenagem que encabeçou essa tirania.
 Stroessner, sempre apoiado pela oligarquia nacional e os governos dos Estados Unidos, deixou a seu derrocamento um saldo a mais de 20 mil vítimas, um número indeterminado de desaparecidos e milhares de pessoas que sofreram torturas, humilhação e cárcere.

 Morreu no Brasil onde se pretende agora transladar suas cinzas ao Paraguai, direito familiar nunca negado, mas a cerimônia que se pretende converter em uma pública reverência política é fortemente recusada.

 Os organizadores do mencionado translado pretendem que o chegada dos restos ao território paraguaio se faça pela Cidade do Leste, fronteiriça com o Brasil, a 327 quilômetros desta capital, e agregar um percurso por terra até Assunção, com atos de homenagem em pontos do percurso.

 Setores do Partido Colorado que o apoiaram durante boa parte de seu período ditatorial estão a cargo dessa pretendida reivindicação, inaceitável para o agrupamento de vítimas sobreviventes daquele período bem como para a maioria da população.

domingo, 24 de junho de 2012

Primeiro a “saudar” a Franco o Vaticano se faz cúmplice do golpe.


Três diplomatas fizeram uma  visita  neste  sábado, no palácio residencial a   Federico Franco : o embaixador dos EUA, James H. Thessin, o embaixador alemão Claude Robert Ellner, acompanhado do ministro para a Cooperação Económica e Desenvolvimento da Alemanha, Dirk Niebel, que considerou "normal processo” de  deposição de Lugo, e também  do  núncio apostólico Eliseu Ariotti

A Igreja Católica é a instituição que tem  demostrado maior  satisfação pelo golpe contra   Lugo.  Um bispo católico suspenso "ad divinis" pela Santa Sé, como o núncio apostólico Ariotti, fez    a primeira visita diplomática para Franco e, em seguida, celebrou uma missa na catedral contando com a  participação do novo presidente.  A hierarquia católica do Paraguai  havia  forçado a Lugo que  renunciasse publicamente, assim que a Câmara dos Deputados decidiu apresentá-lo   como cassado.

Com um "aqui não houve golpe",  o novo presidente do Paraguai, Federico Franco, começou seu primeiro dia na frente do  governo do  Paraguai.   Disse ainda que  acredita ter o apoio "unânime" em todo o país, ainda que sem o reconhecimento de muitos países  vizinhos.

Franco chegou ao seu gabinete, onde recebeu primeiramente o núncio  apostólico  italiano Eliseo  Ariotti  


"É um dom de Deus, mas também dos homens e da população  do Paraguai  de buscar a reconstrução ", disse o representante do Vaticano, que explicou que ele fora ao país  para "honrar" as novas autoridades e, ao mesmo tempo pedir,   involuntariamente,  a todos os convidados e ao   corpo diplomático a fazer o mesmo

O novo governo do presidente Federico Franco do Paraguai foi isolado no domingo pelos  seus vizinhos latino-americanos, que por unanimidade questionaram a legalidade da destituição, ocorrida nesta  sexta-feira,  de seu  antecessor, Fernando Lugo.

 O novo “ presidente” está na defensiva pela condenação unânime que recebeu dos países  vizinhos  pela  deposição de seu  anterior companheiro na chefia do governo

domingo, 3 de julho de 2011

Campanha convoca população a denunciar repressores da ditadura stronista



Karol Assunção
Jornalista da Adital
Adital

Muitos casos de violações aos direitos humanos ocorridos na ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989), no Paraguai, ainda continuam na impunidade. Para chamar atenção para a persistência da falta de justiça no país, o Coletivo de Ex-Detidas Políticas do Paraguai "Carmen Soler” convoca a população do país a participar da campanha "Denunciar os repressores da ditadura stronista é frear a repressão ao povo campesino no Paraguai”.

De acordo com as participantes do Coletivo, a ideia da Campanha é dar destaque para a importância da "denúncia, investigação, julgamento e castigo aos responsáveis pelo terrorismo de estado no Paraguai e pela perseguição política dos lutadores camponeses pela Reforma Agrária”. Para isso, convidam as organizações sociais e defensoras de direitos humanos no país a integrarem a mobilização e exigirem das autoridades paraguaias a promoção da justiça e o fim da repressão no país.

"Apesar das toneladas de documentos probatórios da repressão existentes no Arquivo do Terror no Paraguai, o aparecimento de 17 restos humanos encontrados nas fossas comuns, em especial o do pátio da Guarda de Segurança do Cárcere de Tacumbu, e depois do Relatório Final da Comissão de Verdade e Justiça do ano 2008, ainda estamos esperando que se leve a julgamento os 700 repressores stronistas, os quais continuam na mais completa impunidade. Muitos deles cumprem funções oficiais nas forças de segurança policiais e militares”, revelam.

Entre as vítimas da ditadura de Stroessner estavam camponeses. Por isso, neste mês, os moradores da companhia Simbrón, distrito de San Roque González de Santacruz, departamento de Paraguarí, lembraram os 35 anos da repressão promovida por Stroessner contra os membros das Ligas Agrárias Camponesas.

Em junho de 1976, cinco pessoas foram assassinadas em Simbrón por integrarem as Ligas Agrárias Camponesas. As integrantes do Coletivo de Ex-Detidas Políticas do Paraguai alertam que mesmo agora, 22 anos após o fim da ditadura stronista, camponeses e ativistas sociais ainda lutam contra a repressão.

"A militarização do continente imposta pelos EUA mediante o aprofundamento do Plano Colômbia, desde o lançamento da 4ª Frota em 4 de julho de 2008, tem seu ‘fato novo' na militarização da sociedade camponesa do Paraguai. Esta faz parte de um plano para impor os agronegócios com transgênicos e para sustentar o latifúndio em uma sociedade expulsiva, repressora e crescentemente injusta. Consideramos que a impunidade destes repressores é razão direta das graves violações de DH operada na atualidade pelo aparato fiscal – policial – militar – instruído por militares de EUA e seus aliados continentais em função da Doutrina de Segurança Nacional”, denunciam.

Segundo o Coletivo, a consequência dessa situação não poderia ser outra: perseguição política contra os camponeses que lutam para recuperar suas terras; torturas; e interrogatórios e perseguições de seus familiares. As integrantes do Coletivo lembram que ainda existem 44 presos políticos no país – inclusive algumas vítimas da ditadura stronista – e três pessoas refugiadas no Brasil. "Exigimos a liberdade dos presos políticos, em especial das companheiras lutadoras presas na Prisão de Mulheres de Buen Pastor”, finalizam.

Os interessados em aderir à Campanha devem escrever para: comisionparaguay@yahoo.com.ar

(1954-1989), no Paraguai, ainda continuam na impunidade. Para chamar atenção para a persistência da falta de justiça no país, o Coletivo de Ex-Detidas Políticas do Paraguai "Carmen Soler” convoca a população do país a participar da campanha "Denunciar os repressores da ditadura stronista é frear a repressão ao povo campesino no Paraguai”.

De acordo com as participantes do Coletivo, a ideia da Campanha é dar destaque para a importância da "denúncia, investigação, julgamento e castigo aos responsáveis pelo terrorismo de estado no Paraguai e pela perseguição política dos lutadores camponeses pela Reforma Agrária”. Para isso, convidam as organizações sociais e defensoras de direitos humanos no país a integrarem a mobilização e exigirem das autoridades paraguaias a promoção da justiça e o fim da repressão no país.

"Apesar das toneladas de documentos probatórios da repressão existentes no Arquivo do Terror no Paraguai, o aparecimento de 17 restos humanos encontrados nas fossas comuns, em especial o do pátio da Guarda de Segurança do Cárcere de Tacumbu, e depois do Relatório Final da Comissão de Verdade e Justiça do ano 2008, ainda estamos esperando que se leve a julgamento os 700 repressores stronistas, os quais continuam na mais completa impunidade. Muitos deles cumprem funções oficiais nas forças de segurança policiais e militares”, revelam.

Entre as vítimas da ditadura de Stroessner estavam camponeses. Por isso, neste mês, os moradores da companhia Simbrón, distrito de San Roque González de Santacruz, departamento de Paraguarí, lembraram os 35 anos da repressão promovida por Stroessner contra os membros das Ligas Agrárias Camponesas.

Em junho de 1976, cinco pessoas foram assassinadas em Simbrón por integrarem as Ligas Agrárias Camponesas. As integrantes do Coletivo de Ex-Detidas Políticas do Paraguai alertam que mesmo agora, 22 anos após o fim da ditadura stronista, camponeses e ativistas sociais ainda lutam contra a repressão.

"A militarização do continente imposta pelos EUA mediante o aprofundamento do Plano Colômbia, desde o lançamento da 4ª Frota em 4 de julho de 2008, tem seu ‘fato novo' na militarização da sociedade camponesa do Paraguai. Esta faz parte de um plano para impor os agronegócios com transgênicos e para sustentar o latifúndio em uma sociedade expulsiva, repressora e crescentemente injusta. Consideramos que a impunidade destes repressores é razão direta das graves violações de DH operada na atualidade pelo aparato fiscal – policial – militar – instruído por militares de EUA e seus aliados continentais em função da Doutrina de Segurança Nacional”, denunciam.

Segundo o Coletivo, a consequência dessa situação não poderia ser outra: perseguição política contra os camponeses que lutam para recuperar suas terras; torturas; e interrogatórios e perseguições de seus familiares. As integrantes do Coletivo lembram que ainda existem 44 presos políticos no país – inclusive algumas vítimas da ditadura stronista – e três pessoas refugiadas no Brasil. "Exigimos a liberdade dos presos políticos, em especial das companheiras lutadoras presas na Prisão de Mulheres de Buen Pastor”, finalizam.

Os interessados em aderir à Campanha devem escrever para: comisionparaguay@yahoo.com.ar

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