Pages

Subscribe:

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Freedom House ou White House? Sobre a liberdade de imprensa na América Latina

América Latina - Juan Manuel Karg, tradução do Diário Liberdade- Recentemente se deu a conhecer um novo estudo de uma ONG estadunidense, Freedom House, na qual se analisa por países a liberdade de imprensa a nível mundial, dando ênfase especial na situação dos países da América Latina.



Alguns meios de comunicação privados do nosso continente velozmente publicaram conclusões da Freedom House, a qual catalogaram como "organização independente". Agora, que níveis de independência há detrás dessa ONG? Qual é sua principal fonte de financiamento? A que países seu relatório questiona?

Em sua edição impressa do último dia 2 de maio, o diário argentino Clarín informava sobre o estudo da Freedom House, dando conta de que o relatório dessa ONG adverte sobre o "clima altamente polarizado" no país governado por Cristina Fernández Kirchner, enquanto sentencia que na Argentina há "liberdade de imprensa parcial". Para o Clarín, a Freedom House é uma "organização independente", tal como informa na mesma data, para logo depois esclarecer que a informação apresentada teve a "particularidade de ser difundida na sede do Departamento de Estado e com um funcionário de Barack Obama entre os expositores".



Agora, é uma "particularidade", tal como afirma o Clarín, que esse relatório tenha sido apresentado conjuntamente com o governo estadunidense? Não. Basta entrar no site da Freedom House (www.freedomhouse.com) e ir na seção "Programas". Ali se afirma, textualmente, que "o financiamento principal para os programas da Freedom House se apresenta em formas de doações da USAID e do Departamento de Estado dos EUA". Ou seja: 80% dos fundos que a Freedom House utiliza para suas atividades vem de Washington, o que, sem dúvida, explica o local de apresentação do relatório.

Visto e considerando isso, podemos adiantar uma conclusão a primeira vista: os países que principalmente têm sido questionados pela Freedom House no nosso continente têm sido aqueles onde se têm implementado legislações progressistas quanto à redistribuição midiática. Vários exemplos mostram isso: nos primeiros lugares aparecem a Venezuela – onde se implementou a Ley Resorte – e o Equador – onde, em 2013, se aprovou a Ley Orgánica de Comunicación.

Depois, se menciona a Argentina – com a aprovação da Ley de Servicios de Comunicación Audiovisual – e o Brasil, país onde, atualmente, se está debatendo fortemente a necessidade de sancionar uma lei de mídia. Falamos de todos os países com governo pós-neoliberais, que têm implementado na última década políticas de questionamento do status quo midiático, tentando problematizar o papel de grandes monopólios informativos. Meios como Clarín e La Nación na Argentina, Globo e Folha no Brasil, Globovisión e El Universal na Venezuela, La Hora e El Universo no Equador têm sido exemplos dessa política onde "liberdade de empresa" e "liberdade de imprensa" tem tido uma alarmante assimilação.

Por trás do relatório da Freedom House, então, encontramos uma intenção política indissimulável: repreender, com um suposto rigor técnico, as legislações que têm avançado em desmonopolizar o âmbito das comunicações. Também, claro, repreender esses governos, que mesmo assim têm avançado, em maior ou menor medida, em elementos transformadores em aspectos econômicos e sociais em benefício das grandes maiorias, diferenciando-se das políticas do "consenso de Washington". Como temos visto, por trás do véu de uma suposta "independência" da Freedom House se esconde nada menos que a Casa Branca e seus interesses – midiáticos, comerciais e políticos – para a América Latina, seu outrora "fundo de quintal".

Juan Manuel Karg, é licenciado em Ciência Política pela Universidad de Buenos Aires e investigador do Centro Cultural de la Cooperación de Buenos Aires.

Fonte: Diario Liberdade e Russia Today



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Licença Creative Commons
Este obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 2.5 Brasil.