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sexta-feira, 21 de março de 2014

VENEZUELA- Nova derrota da extrema-direita


A direita não quer perder os privilégios.

Avante- No momento em que escrevemos estas linhas, com risco da própria vida, ouvimos o assobio assassino das balas sobre a cabeça. Vidros estilhaçados saltam por todos os lados, convertidos em milhares de projéteis mortais. E com um bocadinho de imaginação até é possível sentir o trovejar dos canhões não muito longe, ali ao pé da serra. A terra treme. Caracas é um caos. Caracas? Não. A Venezuela! O país arde de Norte a Sul. De Este a Oeste. Estamos à beira da guerra civil!...


Quem se limitar a ver a situação da Venezuela através dos meios de comunicação da burguesia não pode senão acreditar a pés juntos no que acabamos de escrever, que é, diga-se já, uma colossal peta. Uma intrujice que a direita trata de impingir ao mundo – não esqueçamos que 82 jornais da América Latina se confabularam para publicar uma página diária contra o governo Bolivariano – para justificar uma intervenção militar que ponha ponto final ao processo revolucionário, na certeza de que ele é a coluna vertebral do grande movimento nacionalista latino-americano que está a pôr termo ao domínio colonial de Washington sobre todo o subcontinente. Washington, enquanto instrumento político e militar ao serviço das grandes multinacionais, está como sempre disposto a tudo, incluindo uma guerra civil, tal como podemos ver hoje, por exemplo na Síria, onde as contas lhe estão a sair furadas mas com uma enorme destruição das infraestruturas do país.


Isso é o que está desenhado nos mapas de guerra dos estrategas do Pentágono. Na Venezuela, uma vez mais, meteram o pé na argola. Mesmo no auge das guarimbas (barricadas) terroristas, elas só existiram em 18 dos 385 municípios do país. Depois desceram para nove, logo para seis e mais tarde para duas. Sempre em municípios governados pela extrema direita aparentada com os fascistas. Hoje podemos afirmar que estas guarimbas – encadeadas num golpe lento – estão derrotadas, depois de terem provocado perto de 30 mortos, vários feridos e milhares de milhões de dólares de perdas em instalações governamentais e propriedade privada.

A que se deve este surto de nova violência fascista? A direita não quer perder os privilégios de sempre e não aceita as 18 derrotas das últimas 19 votações. Para maior desastre, meteu-se no beco sem saída de ter feito da última eleição autárquica um plebiscito contra o presidente Maduro. Essa estupidez política saldou-se num fracasso total porque as forças bolivarianas superaram amplamente as da direita, o que não estava nos seus cálculos. Agora terá de esperar até 2016 para um eventual referendo revogatório. A direita não tem paciência e muito menos esperança de vitória. Daí o recurso ao golpe de estado – rápido ou lento – uma opção sempre presente na agenda fascista.

Perigo permanece

As últimas sondagens sobre as guarimbas informam que a população está contra. Últimas Noticias diz que, segundo uma pesquisa própria sobre 2400 pessoas, elas são rechaçadas por 64% dos entrevistados. A empresa Pronóstico revela resultados semelhantes: 72,1% vê-as como «negativas» ou «muito negativas». As guarimbas são um erro político tão grande que Gerardo Blyde, presidente do município de Baruta e membro do partido promotor das mesmas, declarou que deviam cessar porque impediam a passagem dos camiões do lixo: «...há mil maneiras de protestar sem ter de barricar as ruas porque nos prejudicamos a nós próprios».

No mesmo sentido se pronunciou o presidente do Chacao, de outro partido guarimbero, o próprio Capriles e várias figuras da oposição. Contudo, nenhum dos presidentes das autarquias da direita fez algo por impedir essas guarimbas e as suas polícias limitam-se a proteger os terroristas. Objectivamente, estavam de acordo com elas, só que não era politicamente correcto defendê-las e, criticado-as mas permitindo-as, jogavam também ao golpe de estado porque havia a esperança de os chavistas caírem na provocação fascista e tudo descambasse numa guerra civil, que justificasse a intervenção «salvadora» de Washington. O seu cinismo foi tão longe que pretendiam que fosse o governo nacional a repor a ordem. Ou seja, queriam que fossem as autoridades bolivarianas a actuar sobre os guarimberos para as acusarem depois de repressão sobre «manifestantes pacíficos».

Esta nova conspiração fracassou, mas se as autoridades voltarem ao que oportunamente denunciou Bolívar – a cada conspiração segue um perdão e a cada perdão uma nova conspiração – não há dúvida de que a direita voltará a tentar a sua no futuro.


Fonte: Avante

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