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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Controlado pela especulação imobiliária: CPI sobre incêndios em favelas poderá ser encerrada sem investigação


Mais uma vez a CPI está sendo sabotada e está ameaçada de ser encerrada sem concluir nenhuma investigação


Instaurada no início de abril para investigar as causas dos mais de 600 incêndios que atingiram favelas em diversas regiões da cidade desde 2008, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) formada por membros da Câmara Municipal de São Paulo, depois de mais de seis meses não apuraram nada.   

A CPI, controlada diretamente pelos empresários do setor imobiliário que financiaram a campanha de absolutamente todos os membros da comissão, foi sabotada de todas as maneiras para fracassar: ora não tinha quórum, e por vezes vários vereadores abandonaram os cargos alegando estarem ocupados em outras atividades.

Depois do recesso eleitoral e findas as promessas de campanha, a CPI praticamente foi abandonada. As últimas discussões feitas pelos vereadores chegaram ao extremo do cinismo em defender a mudança da orientação das investigações acusando os moradores das favelas de serem os responsáveis pelos incêndios de suas próprias casas, sob o pretexto de estarem a serviço de causas eleitorais.

A reunião que deveria ocorrer no último dia 31, foi cancelado por falta de quórum, com a presença apenas de três vereadores.
“De acordo com a agenda da CPI, dois subprefeitos iriam prestar esclarecimentos à Câmara. E três apareceram: Manuel Antonio da Silva Araújo, da Vila Mariana; Nevoral Alves Bucheroni, da Sé; e Ailton Araújo Brandão, da Lapa. Todos são coronéis reformados da Polícia Militar e se apresentaram pontualmente para responder aos questionamentos da comissão. O vereador Ricardo Teixeira pediu desculpas pela “perda de tempo” e rogou aos subprefeitos que ao menos deixassem à secretaria da CPI os documentos, laudos e relatórios que trouxeram sobre os incêndios ocorridos nas favelas das regiões que administram.” (Rede Brasil Atual, 01/11/2012).

“Como só nós três viemos, não podemos fazer a reunião”, disse o vereador Ricardo Teixeira (PV) que concluiu sinalizando que a comissão não sobreviverá se mais um encontro tiver que ser cancelado por falta de quórum. “Ou a próxima sessão ocorre ou vamos acabar com a CPI.”

O vereador do PR foi quem primeiro sugeriu a extinção da CPI, aceita pelos demais parlamentares. Agora, os membros da comissão farão um requerimento ao presidente da Câmara Municipal, José Police Neto (PSD), para convocar uma reunião de líderes e discutir a questão e decidir o futuro da CPI.
Ou seja, fica claro aquilo que já havia sido denunciado: a Câmara de São Paulo é governado pelos empresários, pelos bancos, pelos capitalistas do setor imobiliário que consegue aprovar projetos, remover milhares de moradores, reestruturar o centro da cidade de acordo com seus interesses econômicos e até mesmo enterrar CPI’s.

É evidente, portanto, que a luta dos moradores que foram atingidos pelos incêndios criminosos e o direito a moradia só poderá ser conquistado por fora dessas instituições que estão a serviço dos capitalistas, através da luta e da organização independente.

Fonte: site PCO

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