Mais uma vez a CPI está sendo sabotada e está ameaçada de ser encerrada
sem concluir nenhuma investigação
Instaurada no início de abril
para investigar as causas dos mais de 600 incêndios que atingiram favelas em
diversas regiões da cidade desde 2008, a Comissão Parlamentar de Inquérito
(CPI) formada por membros da Câmara Municipal de São Paulo, depois de mais de
seis meses não apuraram nada.
A CPI, controlada diretamente
pelos empresários do setor imobiliário que financiaram a campanha de
absolutamente todos os membros da comissão, foi sabotada de todas as maneiras
para fracassar: ora não tinha quórum, e por vezes vários vereadores abandonaram
os cargos alegando estarem ocupados em outras atividades.
Depois do recesso eleitoral e
findas as promessas de campanha, a CPI praticamente foi abandonada. As últimas
discussões feitas pelos vereadores chegaram ao extremo do cinismo em defender a
mudança da orientação das investigações acusando os moradores das favelas de
serem os responsáveis pelos incêndios de suas próprias casas, sob o pretexto de
estarem a serviço de causas eleitorais.
A reunião que deveria ocorrer no
último dia 31, foi cancelado por falta de quórum, com a presença apenas de três
vereadores.
“De acordo com a agenda da CPI,
dois subprefeitos iriam prestar esclarecimentos à Câmara. E três apareceram:
Manuel Antonio da Silva Araújo, da Vila Mariana; Nevoral Alves Bucheroni, da
Sé; e Ailton Araújo Brandão, da Lapa. Todos são coronéis reformados da Polícia
Militar e se apresentaram pontualmente para responder aos questionamentos da
comissão. O vereador Ricardo Teixeira pediu desculpas pela “perda de tempo” e
rogou aos subprefeitos que ao menos deixassem à secretaria da CPI os
documentos, laudos e relatórios que trouxeram sobre os incêndios ocorridos nas
favelas das regiões que administram.” (Rede Brasil Atual, 01/11/2012).
“Como só nós três viemos, não
podemos fazer a reunião”, disse o vereador Ricardo Teixeira (PV) que concluiu
sinalizando que a comissão não sobreviverá se mais um encontro tiver que ser
cancelado por falta de quórum. “Ou a próxima sessão ocorre ou vamos acabar com
a CPI.”
O vereador do PR foi quem
primeiro sugeriu a extinção da CPI, aceita pelos demais parlamentares. Agora,
os membros da comissão farão um requerimento ao presidente da Câmara Municipal,
José Police Neto (PSD), para convocar uma reunião de líderes e discutir a questão
e decidir o futuro da CPI.
Ou seja, fica claro aquilo que já
havia sido denunciado: a Câmara de São Paulo é governado pelos empresários,
pelos bancos, pelos capitalistas do setor imobiliário que consegue aprovar
projetos, remover milhares de moradores, reestruturar o centro da cidade de
acordo com seus interesses econômicos e até mesmo enterrar CPI’s.
É evidente, portanto, que a luta
dos moradores que foram atingidos pelos incêndios criminosos e o direito a
moradia só poderá ser conquistado por fora dessas instituições que estão a
serviço dos capitalistas, através da luta e da organização independente.
Fonte: site PCO








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