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quinta-feira, 15 de março de 2012

SP: estagnação no ensino

São Paulo quase parando: estagnação no ensino não é analisada

 A Secretaria da Educação do Estado avalia como melhora do ensino no Estado o resultado do SARESP (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), exame realizado para determinar o desempenho dos alunos do 5º e 9º anos do Ensino Fundamental e 3º ano do Ensino Médio nas matérias Português e Matemática. Obrigatório para as escolas públicas estaduais é facultativo para as redes municipais e particulares. Em 2011, cerca de 900 mil estudantes participaram do exame, a grande maioria da rede estadual.

 Considerando-se os quase 17 anos de governo que o PSDB exerce em São Paulo, não se pode simplesmente analisar os números sem levar em conta a política educacional nefasta e excludente levada a cabo nesse período pelos tucanos. Projetos houve. Praticamente todos com resultados pífios. E os números da avaliação confirmam essa afirmação.

 A Secretaria da Educação, ao apresentar o resultado do SARESP, mostrou também uma série histórica bastante elucidativa de que o ensino em São Paulo está mais para estagnação do que para avanços.



 A evolução do SARESP- Português - num histórico de 2007 a 2011, para o 3º ano do Ensino Médio, apresenta oscilação da pontuação de 263,2 a 265,7, com ligeiro acento positivo em 2009, caindo em 2011. Praticamente permanece nos mesmos patamares. Para o 9º ano do Ensino Fundamental, a pontuação dá um salto em 2009, sem que se tenha informação da Secretaria da Educação das raízes desse avanço. Mas o preocupante é que em 2011 a pontuação chega a 229,6, índice inferior ao de 2007, que foi de 242,6.

 Em Matemática, o 3º ano do Ensino Médio também mantém os níveis de pontuação muito próximos: 263,7 em 2007, com pequena elevação em 2009 e posterior rebaixamento em 2011. Já para o 9º ano do Ensino Fundamental, houve melhora nos índices pontuados, mas ainda insuficiente para um desempenho significativo. O dado mais substantivo se dá no 5º ano do Ensino Fundamental, com melhora em 2011 (209, cerca de 26 pontos acima do início da série histórica – 2007 - com 182,5).

 Assim, não é só uma questão de lentidão de ritmo no processo de aprendizagem. Talvez o mais importante seja avaliar por que no maior Estado da Federação os alunos caminham tão pouco na aquisição do conhecimento. Que escola afinal é essa cujos estudantes iniciam seus primeiros estudos com um certo aproveitamento e, à medida em que escalam os anos escolares, vão patinando ou desaprendendo o que adquiriram no inicio dos estudos? Que escola é essa cuja maioria dos alunos do Ensino Médio (58%) termina essa etapa escolar sem o grau de conhecimento satisfatório para esse ano?

 Analisando outro gráfico da Secretaria, que segue abaixo com as diferenças entre 2010 e 2011, podemos, sem medo de errar, confirmar que o ensino em São Paulo não avança, nem melhora. A distribuição dos alunos por faixa de desempenho mostra a dimensão da tragédia que vive o ensino no Estado.

 No Ensino Médio, num universo de 322.078 estudantes, somente 0,3% atingiu o grau avançado (966 alunos) em Matemática, que define a aquisição, pelo aluno, de mais habilidades e conteúdos para além do determinado. Assim, como considerar melhora se a mesma escola nos vários ciclos da aprendizagem vai reduzindo seus alunos a analfabetos funcionais?

Assessoria de Educação da Liderança da Bancada do PT na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo


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