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domingo, 22 de maio de 2011

Governo Alkmin apresenta,com grande exagero, na mídia paulista " Plano de recuperação de perdas salariais de professores da rede estadual".

- "Este é o estilo usado pelos tucanos contra os movimentos sociais".


O governo Alkmim- PSDB- apresentou, com grande destaque na mídia paulista o “ plano de recuperação de perdas salariais de professores da rede estadual”
Alkmin como de praxe divulga fatos nebulosos sobre a realidade da Educação no estado. A mídia, “aquela”, imediatamente fez replicar suas obtemperações. Recentemente postei matéria que tenta elucidar a política do PDSB para os servidores paulistas. Uma vergonhosa e desprezível perspectiva que se coaduna com a prática assaz excludente que tem norteado as ações do tucanato desde que surgiram na política brasileira.

Os notáveis jornais paulistas, Folha e Estadão, se desmontaram em elogios a mais essa peça condenável dos tucanos. Em, “ O valor do professor” a Folha “ditabranda” observou em editorial recente: “A decisão do governo paulista de conceder reajuste de 42,2% aos professores, escalonado ao longo dos próximos quatro anos, possui o mérito inequívoco de promover a valorização do magistério.” Mais adiante o insípido pasquim atenta: (...) “Sobretudo agora que vêem atendida a reivindicação de reajuste, é obrigação dos docentes aproveitar todas as oportunidades de reciclagem profissional oferecidas pelo Estado”.

Quem conhece a realidade das Escolas públicas do estado de São Paulo não pode deixar de condenar iniciativas torpes, superficiais e vazias como essa. Muitos governos se guiam, ao que parece, por aquelas especulações frias e profundamente descontextualizadas. Buscam em expedientes dessa natureza, muitas vezes oriundos de cérebros descomprometidos e distantes da sala de aula e do mundo escolar soluções demagógico-imediatistas, para uma questão axiomaticamente conhecida por todos aqueles que estão na sala de aula lidando com o que há de mais importante no universo escolar: o aluno, o aprendiz, que as vezes também nos ensina algo, e o jovem sonhador.
A velha máxima erguida por Roger Bacon,pelos idos de 1254, aqui, nos parece circunstancialmente relevante. Sine Experientia Nihil Sufficienter Sciri Potest- Não há meio seguro de se saber nada, a não ser pela experiência-

A questão é que os tucanos fazem justamente o oposto. Eles não querem e não pretendem resolver os graves problemas da Educação em São Paulo, problemas esses que eles próprios com suas políticas deletérias fomentaram e aplicaram. Eles não têm o interesse que o Estado produza cidadãos de verdade que os vejam como eles verdadeiramente são. “cuidado com os pastéis meu caro, eles são fictícios , são adventícios. Eles são uma massa inflável que não conseguem esconder a pobreza de seu recheio!”.

Um professor com 24 anos de magistério tem um salário base de R$ 1.376,78 e não de 1.665,05, com uma jornada extremamente elevada- 40 horas semanais sendo que destas 83%, ou seja 33 são na sala de aula onde encontram-se majoritariamente superlotadas( 45 alunos ) os notórios especialistas em Educação só permitem dividi-las se esse número ultrapassar 50. Essa é uma das mais elevadas do Brasil. Lamentavelmente o magistério, aqui ou alhures tem recebido de muitos governantes um tratamento vergonhoso, mas em São Paulo o quadro é ligeiramente muito mais grave. Aliás gravíssimo! Veja a proposta do governo abaixo:
Política Salarial para a Educação Professor de Educação Básica- fonte Secretaria da Educação do estado de São Paulo.
(Jornada de 40 horas semanais)
Salário-base (R$) * atual 1.665,05 julho/2011 1.894,12 aumento 13,8%- julho/2012 2.088,27 aumento 10,2%- julho/2013 2.213,56 aumento 0,6%- julho/2014 2.368,51 aumento 0,7%

Na Alesp os deputados do Partido dos Trabalhadores reportando a matéria disseram que apenas um terço das perdas salariais dos professores no Estado de São Paulo, entre 1998 e 2010, serão recuperadas com o reajuste anunciado pelo governo Alckmin, sem contar que o percentual divulgado de 42,2% não corresponde a realidade. Isto porque, nele está inclusa a incorporação de gratificações que somam R$ 92. Com isso, o percentual do reajuste, de fato, é de 35,5%, divididos em quatro parcelas anuais que se estendem até 2014: 8,5% em 2011(já descontado o valor da gratificação); 10,2% em 2012; 6% em 2013; e 7% em 2014.

Daqui a quatro anos, este reajuste (35,5%), descontada a inflação, dará um ganho real de cerca de 13%, segundo cálculos da Assessoria Técnica da Bancada do PT. Em contrapartida, as perdas dos professores alcançaram 36,75% de 1998 a 2010.

Fazendo as contas: a inflação até 2014, projetada na Lei de Diretrizes Orçamentárias do Estado (6,5% em 2011; 5% em 2012; 4,5% em 2013 e 4,5% em 2014) chegará a 22,2%. Subtraindo-se este percentual do reajuste concedido pelo governo (35,5% - 22,2%), chega-se ao valor de aumento real em quatro anos: 13%, ou seja, praticamente um terço das perdas.

Essa é a realidade que a “grande imprensa” não mostrará nunca. Aquela mesma que tem a cara de pau de vender aquela máxima de que “ está ligada em você” !

Um outro caso chama a atenção. A OCDE Organização para Desenvolvimento Econômico que mediu o conhecimento dos estudantes em 65 países, verificou e identificou uma melhoria do Brasil durante o governo Lula. Pois bem, a revista Veja em matéria de 15/10/2010 passa a informação pela metade, mas quanto a apontar a classificação do Brasil não hesita em proclamá-la rapidamente. O citado levantamento atingiu alunos na faixa de 15 anos de escolas públicas e particulares. A China que, ainda é vermelha, matiz que a revista parece não gostar muito, aparece em 1º lugar nas áreas de Matemática, Leitura e Ciências. Com os dados da- é o que corre a boca miúda- “última flor do fáscio”, de dezembro de 2010 .

Essa questão sobre qualidade da Educação brasileira remonta a ditadura nazifascista de 1964-1985 quando os militares, em sua maioria lacaios dos Eua, iniciaram o processo de sucateamento do Ensino Público como uma das exigências da USAID- United States Agency for International Development. Ainda naquela década de 60 quando não se falava em escola de inclusão, a Educação, por obviedade, vulnerável do ponto de vista metodológico e pedagógico e voltada para uma formação nada crítica do status quo, possuía conteúdos censurados e imperativos. Os docentes naqueles idos recebiam remunerações um pouco melhores onde havia, observadas as devidas proporções,certos atrativos para aqueles que se dispunham a atividade de docência.

O ardis projetos do MEC- USAID, com o golpe, entretanto, tinham um endereço certo. Era preciso minimizar a influência, que crescia no mundo acadêmico,das perspectivas marxistas que ganhavam espaços, e não podia ser diferente, em diversas teses diagnósticas e de ação para melhorar os rendimentos do universo escolar. Melhores rendimentos significavam mais debates, pesquisas e, certamente, mais projetos para serem transformados em ações diretas coisas que o governo nazifascista não permitiria dado a sua natureza hostil e criminosa.

Juntamente com setores identificáveis da elite senil, como bem caracterizava o grande brasileiro Darcy Ribeiro, disseminaram nos meios culturais a nocivo complexo de vira-lata, destilado e meticulosamente propalado pela elite midiática e pelos seus servos voluntários.

O arrefecimento que tentaram impor a intelectualidade brasileira está diretamente relacionado a destruição da Escola Pública e a privatização, de parte do ensino Fundamental e Médio, levado a contento pelos algozes representantes daqueles, nas ações conhecidas do tucanato paulista na esfera Educacional. Seus mestres, os militares da “ditabranda”, deixaram o viés com os desfechos da 5.692/71. E os tucanos então, têm executado as atividades dessa nefasta cartilha no melhor dos estilos. O estilo do desserviço a Pátria!

Um comentário:

palavrasdeumnovomundo disse...

É companheiro, a situação da Educação no Brasil é de caos e quem vive dentro das escolas sabe disso com propriedade e a sensação é de total abandono, desilusão, exclusão social, isso inclui professores e alunos. Já os governantes e políticos sabem também perfeitamente o panorama geral e nada fazem, aliás fazem com perfeição o que esse Senhor governador de SP e seus comparsas (vivos ou mortos) sempre fizeram contra os Professores, contra uma educação de qualidade. Nunca me esquecerei quando o Sr. Mario Covas nos chamou de "vagabundos" em alto e bom tom. É isso o que somos pra eles há muito tempo e com essa mídia imunda estão conseguindo fazer a sociedade acreditar nisso.
Enquanto não houver conscientização radical de toda a categoria a nível nacional se unindo contra tudo que está aí, nada vai mudar...nada.
Abraço. Rosa

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