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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Mão de obra escrava nos cárceres dos Estados Unidos.

Anahi Rubin-Resumen Latinoamericano/Telesur – Os Estados Unidos possuem 2.300.000 pessoas privadas de liberdade, a população carcerária mais extensa do mundo. Com apenas 5% da população mundial, este país tem 25% dos presos do mundo.

Centro do capitalismo mundial, sabe muito bem como usufruir e aumentar a mais valia a seu nível máximo. Trabalhos com baixos salários, profissionais que trabalham sem benefícios, pessoas sem documentos submetidas a todo tipo de explorações formam parte do dia a dia.

O que muita gente não sabe e os grandes meios ocultam é a nova forma de exploração, que é exercida sobre pessoas reclusas nas prisões deste país.

Com a mudança das leis nos anos 80, a punição e a reclusão por uso e venda de drogas foram recrudescidas, fazendo com que o número de prisioneiros encarcerados por estas causas aumentasse em 11%. Assim, as prisões federais viram cheias a sua capacidade, dando desculpas para o surgimento da abertura de prisões privadas e, com isto, a explosão de um dos negócios mais rentáveis dos últimos anos.

Durante os governos de Ronald Reagan e George Bush, a abertura destas prisões foi iniciada. Com Bill Clinton, o negócio foi afiançado. Atualmente, existem 100 prisões distribuídas privadas em todo o território americano. As duas Corporações que se destacam neste grupo são: Corporations of América (possui 66 cárceres, com 91.000 prisioneiros e lucros anuais de 1.700 milhões de dólares) e Geo (65 prisões, 65.700 detidos e 1.600 milhões em lucros). Estes dois grupos aumentaram em 46% seus lucros, entre os anos de 2007 e 2014.


A esta altura da nota, o leitor se perguntará como estas corporações obtém tanto dinheiro. Como qualquer outro negócio, necessitam “clientes” que povoem as prisões. 50% provêm dos consumidores e vendedores de entorpecentes e outra grande porcentagem é formada por imigrantes sem documentação – 400.000 são detidos por ano. O Congresso formulou uma cota que requer que o Departamento de Segurança Interna assegure 34.000 pessoas por dia nos centros de detenções por violações migratórias.

Além de pessoas que ocupem os cárceres, precisam de políticos que aprovem leis para promover todos estes encarceramentos. Como retribuição, ditos políticos recebem milhões de dólares. Por outra parte, os estados se comprometem para que as prisões privadas tenham entre 95 e 100% de ocupação; se a meta não é cumprida, o estado tem que pagar.

Entre as tarefas realizadas pelos presidiários está a de trabalhar. Não seria ruim caso fosse parte de um programa de reabilitação e beneficiaria a pessoa. Porém, na realidade, os que mais se beneficiam são as grandes empresas que possuem milhares de pessoas que realizam trabalho escravo, sem sindicatos, e benefícios de nenhum tipo.

Antes de 1970, era proibido que empresas privadas utilizassem reclusos para trabalhar. No entanto, em 1979, o Departamento de Justiça e o Congresso Norte-americano suspenderam a restrição. Nos últimos anos, existem 37 estados que permitem que os prisioneiros trabalhem.

Segundo o site Alternet.org, os presos federais recebem um salário um pouco maior, oscilando entre $0.23 a $ 1.23 por hora. São empregados pela Unicor, uma corporação do Governo, cujo principal cliente é o Departamento de Defesa. Mais de 20.000 reclusos trabalham nestes programas, fazendo coletes à prova de balas, capacetes, cabos para atirar mísseis (incluindo os que são utilizados nos mísseis Patriot durante a Guerra do Golfo).

Porém, nos últimos anos outras grandes corporações se incorporaram ao mercado penitenciário; como IBM, Motorola, Microsoft, Telecom, Target, Pierre Cardin, Macys. Entre 1980 e 1994, os lucros destas empresas aumentaram de $392 milhões a 1310 milhões de dólares.

Aproximadamente um milhão de internos trabalha em tempo integral nas prisões norte-americanas. Não têm muitas opções: no caso de não aceitarem, têm seus privilégios de uso de cantinas retirados ou são mandados às celas de castigo.

Porém, não apenas os reclusos são obrigados a trabalhar no interior das prisões. Algumas empresas ou indivíduos utilizam esta mão de obra para outras tarefas fora dos cárceres. Por exemplo, a companhia petroleira inglesa BP, tristemente célebre pelo desastre ambiental que provocou em 2011, quando ocorreu a explosão no Golfo do México, contratou presidiários do estado da Louisiana para tarefas de limpeza. Este estado possui a taxa de encarceramento mais alta da nação, sendo 70% constituída por afro-americanos.

As corporações descobriram quão vantajoso é contratar reclusos, não apenas pelos baixíssimos salários, mas porque se evitam problemas com os sindicatos. Em Wisconsin, os reclusos ocupam postos de trabalho que, anteriormente, eram desempenhados por trabalhadores que estavam sindicalizados. Talvez muitas empresas privadas já necessitem ir aos países do terceiro mundo para estabelecer suas indústrias e contratar empregados a baixo custo, se neste país têm milhões de presidiários que ganham centavos. Segundo um informe da revista Perpective, em 1990, a Escod Indústrias preferiu Carolina do Sul ao invés do México, porque os trabalhadores exigiam mais dinheiro.

Sem mudança nas leis que criminalizam a imigração e penalizam os pobres, afro-americanos e latinos, estes negócios das grandes corporações continuarão crescendo em detrimento da justiça social e da liberdade.

Fonte: http://www.resumenlatinoamericano.org/2015/08/17/mano-de-obra-esclava-en-las-carceles-de-estados-unidos/


  fonte: PCB - Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

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