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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Venezuela denuncia ingerência dos EUA - Condenação global

Avante- A Venezuela pretende que aos países não-alinhados condenem a ingerência norte-americana nos assuntos internos do país, já repudiada unanimemente pela UNASUL e rechaçada pela maioria dos venezuelanos.

No texto que as autoridades bolivarianas previam levar à Cimeira dos Não-Alinhados, agendada para ontem e hoje, 28 e 29, em Argel, e à qual deveriam comparecer representantes governamentais de cerca de 80 países, a Venezuela acusa os EUA de desenvolverem «aberta e publicamente uma campanha sistemática de ingerência nos assuntos internos da Venezuela, contrariando os princípios que servem de fundamento ao ordenamento jurídico internacional, assim como os valores para a manutenção da paz e a segurança  internacionais».

O conteúdo do documento, citado pela Lusa, é semelhante ao votado unanimemente pela União das Nações da América do Sul. Na resolução aprovada na reunião da UNASUL, sábado, 24, em Galápagos, no Equador, condena-se «a iniciativa legislativa que visa impor sanções unilaterais a funcionários do Estado venezuelanos, as quais vulnerabilizam o princípio de não-intervenção nos assuntos internos de outros estados e são um obstáculo para que o povo venezuelano possa superar as suas dificuldades com independência, em paz e democracia».

Os países sul-americanos membros da organização reiteraram, ainda, de acordo com informações divulgadas pela agência de notícias portuguesa, «a preocupação pelas atuações que possam interferir negativamente no desenvolvimento do processo de diálogo entre o governo venezuelano e sectores da oposição», e reafirmam «a sua convicção de que o diálogo – promovido justamente pela UNASUL – é prioritário».

Coação inaceitável

A Venezuela considera «inaceitável e irracional» que o Departamento de Estado norte-americano «faça um apelo para que as autoridades de segurança pública e o sistema judicial venezuelanos não apliquem as medidas penais respectivas e deixem de cumprir as suas funções e atribuições». Em causa está a aprovação pelo Comité das Relações Externas e pelo Senado dos EUA de um projeto para a alegada defesa dos direitos humanos e da sociedade civil na Venezuela. «Instrumento do iminente carácter intervencionista» da Casa Branca no território e que Caracas diz suportar-se em «situações pontuais de violência (…) divulgadas por corporações mediáticas dos EUA que se esquivaram aos princípios éticos necessários para o exercício profissional do jornalismo».


Para além das sanções a aplicar, o governo bolivariano denuncia, igualmente, que a proposta, que será votada também na Câmara dos Representantes do Congresso, «reflete o apoio direto e o financiamento às pretensões da oposição política», tornando evidente que os EUA «continuarão a financiar a oposição venezuelana, em particular os grupos que exercem violência armada, atribuindo-lhes 15 milhões de dólares».

«A intenção do Governo norte-americano de aplicar sanções contra o Estado venezuelano (...) não é outra coisa que um mecanismo de coação contra o nosso país que viola a Carta das Nações Unidas», insiste a Venezuela, que salienta, por fim, «a pretensão hegemónica e imperialista» e a suposta «autoridade» norte-americana «para sancionar unilateralmente qualquer Estado quando os seus interesses assim o justifiquem».

Golpe à espreita

O executivo liderado por Nicolás Maduro reclama o direito do povo venezuelano a viver em paz e a escolher soberanamente o seu caminho num país independente. Os desenvolvimentos recentes impulsionados a partir de Washington, tais como o referido pacote legislativo, o abandono do diálogo por parte da Mesa de Unidade Nacional, ou o prosseguimento dos ataques contra equipamentos e instituições públicas por parte de bandos de mercenários, são obstáculos a que isso aconteça.

O presidente venezuelano alerta mesmo que os grupos de extrema-direita que têm semeado a violência no país se preparam para um golpe de Estado. «Os golpistas já disseram que Junho é o mês do colapso», advertiu o chefe de Estado venezuelano num encontro com representantes de mais de duas centenas de comunas, realizado dia 18.

Já no domingo, 25, milhões de venezuelanos saíram às ruas em todo o país para uma grande jornada pela paz e o progresso. A adesão massiva a concentrações e marchas, concertos e espectáculos de artes cénicas, exposições, debates e outras iniciativas envolvendo a população, mostrou que o povo rejeita qualquer intentona com o objetivo de derrubar o governo democraticamente eleito.

A corroborar o repúdio da maioria dos venezuelanos pelo golpe que o governo venezuelano diz estar à espreita, uma sondagem efectuada pela Hinterlaces indica que 67 por cento dos inquiridos discorda da aplicação de sanções a funcionários venezuelanos por parte dos EUA. Na mesma pesquisa, 73 por cento dos participantes afirma que os protestos violentos só pioram a situação no país.



Dados contrariam
imperialismo

Contrariamente ao que argumentam os EUA, os dados apurados pelo Ministério Público da Venezuela indicam que nem os protagonistas dos protestos são maioritariamente «estudantes», nem as suas acções são «pacíficas». Segundo a procuradora Luisa Ortega Díaz:

Das 174 pessoas que continuam detidas, apenas 12 são estudantes.

Em 190 provas de uso de estupefacientes feitas aos detidos nas barricadas (guarimbas), 49 deram positivas.

Entre os presos estão 58 estrangeiros, 21 dos quais paramilitares colombianos, outros com ordens de captura internacional emitidas pela Interpol, e outros ainda terroristas oriundos do Médio Oriente, alguns dos quais capturados na posse de armamento e substâncias explosivas.

Entre as acções de «protesto pacífico» constam ataques e a destruição de mais de uma centena de unidades de transporte colectivo, várias centrais eléctricas, universidades, escolas e bibliotecas; mercados, estabelecimentos comerciais e veículos de transporte de alimentos; centros de saúde e comunitários ou instituições da administração central e local.


Fonte: Avante

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