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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Frente agroalimentar na grande ofensiva monopolista do capital

Jorge Messias
«O mundo já está preparado para se submeter a um governo mundial. A soberania supranacional de uma elite de intelectuais e de banqueiros mundiais, seguramente que é preferível à autodeterminação nacional...» (David Rockefeller, chefe-de-fila do capitalismo mundial, 1991).

«A concentração da riqueza e do capital é um processo inevitável resultante da reprodução capitalista e acelera-se em toda a economia mundial. Deste modo, cresce a fome, a miséria e o desemprego; degradam-se as condições de trabalho com a entrada em novas áreas de exploração dos trabalhadores, com a imposição de salários baixíssimos, como é o caso da China e do continente asiático, onde vigora uma nova divisão internacional do trabalho. Simultaneamente, agravam-se para a maioria da população mundial as condições de saúde, saneamento, educação, etc. Isto passa-se mesmo no caso da população dos países imperialistas.» (adaptado da 10.ª edição do Relatório sobre a Riqueza Mundial, Instituto Merrill Lynch).

«A constante subida da espiral de preços dos produtos alimentares resulta de o capital financeiro ter começado a investir fortemente nos mercados mundiais agrícolas, depois da crise de investimentos no sector imobiliário. Mas quanto mais alto subirem os preços, mais fome haverá no mundo.» (Desemprego Zero, Blogue Casa das Aranhas).

O capitalismo continua a ser o que sempre foi (mesmo quando já existia e pouco era citado). Consistia, consiste e consistirá na propriedade privada dos meios de produção e na exploração de uma força do trabalho cada vez mais mal paga. São objetivos permanentes que assumem, em cada fase histórica, formas e modos de apresentação diferentes. O latifúndio agrário associava-se, na Antiguidade, às ideias de grande extensão de terras aráveis e ao poder discricionário e cruel que os poderosos senhores usavam contra os camponeses e escravos que os serviam. Tratava-se, portanto, de um conjunto de noções pouco ou nada simpáticas às população plebeias.


Nos atuais jogos de palavras, tudo neste aspecto mudou. Latifúndio, tal como colonialismo, exploração do homem, monopólio, burguesia, imperialismo e tantos outros termos mais, são expressões a evitar. Na gramática capitalista moderna tendem a ser substituídos por expressões politicamente corretas e agradáveis de ouvir, como acontece com Agronegócio. Este neologismo contém aquilo que o passado tornou odioso (exploração abusiva do solo, saque do trabalho do homem, conquista do lucro e do poder). Mas oculta-se atrás do biombo das técnicas de comunicação que mistificam, simultaneamente, a verdade e a mentira: progresso, tecnologias, combate à fome, solidariedade, filantropia, etc., etc. Basta comparar com a realidade embustes largamente usados pela comunicação social quando identifica agronegócio com o combate à fome; deveres sociais do Estado com as IPSS ou com a Economia da Comunhão; ou Reforma Agrária de Mercado com a genuína Reforma Agrária, revolucionária e socialista.



A alta hierarquia católica conhece e é agente activa de todas estas trapaças. Sabe que os mais fortes pilares da Nova Ordem que integram o Agronegócio são as sementes transgénicas que envenenam a saúde pública; as finanças especulativas (dos swaps às lavagens de dinheiro) ou os crowdfundings (seguros de alto risco dos negócios escuros).

Nada disto constitui novidade para a Cúria Romana. Os purpurados conhecem de cor os enunciados da ética católica. O que não os impediu de, muito recentemente, já sob a égide do papa Francisco I, terem feito publicar, no decurso de um só ano, documentos que são autênticos crimes contra os direitos do homem e representam a confissão espontânea do alinhamento que existe entre o Vaticano e as formações mais reaccionárias do imperialismo neoliberal.

Basta olhar-se para as decisões oficiais da hierarquia de prolongar a vida de um banco do Vaticano – o IOR – minado por escândalos monumentais contínuos; de reclamar a imediata instituição de uma única entidade supervisora bancário e de um só governo mundial; de proclamar que as sementes modificadas representam uma arma valiosa para a erradicação da fome no mundo: de dar «luz verde» ao incremento do emprego dos crowdfundings capitalistas e das suas redes de plataformas empresariais; e do anúncio da adesão da Unidade de Inteligência Financeira do Vaticano ao Egmont Group, multinacional das Edições Maxell, altamente conhecedor do mundo financeiro, da área dos media e dos meios onde se situam as formações de lavagens de dinheiro e de preparação de actos terroristas internacionais.

«Pelos seus frutos os conhecereis...», consta na Bíblia.

Fonte: Avante


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