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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Eu apoio os 23

Gregorio Duvivier,  29 de Janeiro de 2014
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Ninguém está falando sobre isso, mas nesse exato momento 23 ativistas estão sendo processados por associação criminosa armada – embora não haja arma, nem crime, nem associação. Além da ausência de antecedentes criminais, os ativistas tem em comum apenas o fato de terem participado das manifestações de Junho e, no ano seguinte, contra a Copa. E só. A maioria dos “associados” se conheceu na cadeia.

Não se sabe qual o critério escolhido para prendê-los, já que milhões de pessoas protestaram entre Junho de 2013 e Junho de 2014 (entre as quais eu) mas o critério parece ter sido o fato de serem, em sua maioria, professores – o que, no Brasil, parece ser um crime imperdoável, especialmente se o acusados forem, como é o caso, funcionários da rede pública. Fico feliz de não ter feito licenciatura, parei no bacharelado. Caso contrário, talvez estivesse preso.




Depois de meses de escuta telefônica em que até os advogados de defesa foram grampeados (isso sim é crime, senhor Juiz) nada pode ser dito, de fato, contra os manifestantes. Em determinada ligação, Camila Jourdan, professora da Uerj, pergunta se o amigo vai levar os “livros” e as “canetas”. O código poderia ter passado desapercebido, mas a polícia carioca, que anda assistindo muitos episódios de Sherlock na HBO, descobriu se tratar de uma mensagem cifrada. “Livros”, no caso, seriam bombas e “canetas” seriam armas.



Imediatamente após decriptar a intrincada linguagem anarquista, a polícia – sem qualquer mandado de busca e apreensão - invadiu e revistou a casa dos 23 ativistas. Não encontrou nada. Aliás, encontrou. Livros e canetas – literalmente. Mas não só. As casas tinham uma quantidade suspeita de camisetas pretas. Em algumas, máscaras de gás (direito do cidadão) e, em uma delas, encontraram uma garrafa de gasolina (aquele mesmo líquido que se usa para abastecer carros e geradores).



Mesmo assim, sem flagrante, foram presos – para, algumas semanas depois, serem soltos. A mesma sorte não teve o único preso pelas manifestações que era analfabeto, Rafael Braga. Rafael está preso até hoje por ter sido encontrado portando uma garrafa de Pinho Sol.


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Ofensiva contra movimentos ganha reforço: Senado inicia trabalhos com intenção de votar lei antiterrorismo

A ofensiva contra os movimentos sociais ganhou um novo aliado agora com o retorno dos trabalhos do Congresso Nacional. Já não bastava a iniciativa do governo federal de assinar portaria, no início do ano, autorizando que as Forças Armadas atuem nas chamadas operações de segurança pública, o que inclui manifestações populares, como as ocorridas no ano passado, agora o Senado Federal pretende votar nos próximos dias o PLS 499/13, chamado de Lei Antiterrorismo. A defesa feita por senadores no plenário do Senado mostra que o governo e os setores conservadores do país ganharam força na campanha que está em curso para perseguir o cidadão que quiser ir às ruas mostrar o seu descontentamento com as políticas em vigor.

É lamentável que tema tão polêmico tenha entrado na ordem do dia dos parlamentares num momento em que o país está com as atenções voltadas para o triste fato que levou à morte o repórter cinematográfico da Band Santiago Andrade, atingido por um rojão na manifestação realizada no último dia 6 de fevereiro, no Rio de Janeiro. Também não é mera coincidência que a lei antiterrorismo tenha ganhado força após a repercussão dos protestos de junho, que levou milhares de pessoas às ruas de todo o país. Não é exagero, portanto, afirmar que o PLS 499/13 retoma a Lei de Segurança Nacional da época da ditadura, editada para combater militantes que lutavam contra o regime de exceção no país.

O PLS 499/13, que já foi aprovado por uma comissão mista no Congresso Nacional, inclui como ato típico de terrorismo "provocar ou difundir terror ou pânico generalizado mediante ofensa ou tentativa de ofensa à vida, à integridade física ou à saúde ou à privação da liberdade de pessoa" e estabelece penas de 15 a 30 anos de reclusão ou de 24 a 30 anos de reclusão se resultar em morte. O projeto não seria um problema se o termo terrorismo não fosse usado de forma tão subjetiva a depender dos interesses de grupos dominantes que controlam as principais instituições do Estado e os meios de comunicação. Não é de hoje que o governo, os seus aliados no Congresso Nacional, as bancadas conservadoras e os principais veículos da grande mídia vêm colocando ativistas sociais no mesmo lado de grupos que nada têm a ver com as pautas sociais. Isso tudo para confundir de forma proposital a população e justificar os abusos cometidos pela Polícia.

"Desde as manifestações de junho a postura do Estado brasileiro, através do governo federal e dos governos estaduais, tem sido a de reprimir violentamente os participantes de manifestações, orquestrando uma constante criminalização dos movimentos sociais, enquanto - o que é mais grave ainda - ignora as principais demandas apresentadas pelos manifestantes. Essa situação propiciou uma radicalização das manifestações e ofereceu espaço para pequenos grupos anarquistas que vislumbram como estratégia política eficaz pra transformar o mundo o ataque aos símbolos do capitalismo e das instituições", ressalta a Executiva Nacional do PSOL, em nota divulgada nesta terça-feira (11).

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Comitê Popular da Copa promove ato na sexta-feira (14), em São Paulo


Ato "Copa pra Quem?" - Dia 14 de junho, a partir das 14h, na Av. Paulista, com unificação às 16h, no MASP

 
 Nesta véspera da abertura da Copa das Confederações FIFA 2013, os movimentos e organizações que compõem o Comitê Popular da Copa em São Paulo, juntamente com a Articulação Nacional dos Comitês Populares e a frente de movimentos da Resistência Urbana, mais uma vez, se somam à população de outras cidades para ocupar as ruas e denunciar as violações de direitos humanos que a Copa do Mundo e outros megaeventos e megaprojetos vêm promovendo nos últimos anos. Na sexta-feira, 14 de junho será promovido o ato Copa pra quem?. O Comitê Popular da Copa se concentrará às 14h, na Avenida Paulista, em frente ao número 1800 e a ação unificada com as ocupações da Resistência Urbana se iniciará as 16h, no MASP, e seguirá em marcha pela Avenida.
 
 Em São Paulo, será realizado um escracho: Fora Marin!, mostrando cartão vermelho para o presidente do Comitê Organizador Local (COL) e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que, tendo participado ativamente do regime militar autoritário com diversos cargos biônicos, é responsável direto pela morte do respeitado jornalista Vladimir Herzog, na época diretor da TV Cultura. “Hoje, este senhor controla a organização e realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil e, com a anuência do governo, segue se beneficiando com enxurradas de dinheiro sujo no balcão de negócios que é a CBF/FIFA”, afirma os organizadores do ato.
 
 Com o apoio de grupos de cultura e teatro, a ação-intervenção proposta pelo Comitê é um jogo de Futebol na Rua, A Verdadeira Partida, em que o time do Capital enfrentará o time do Povo. Na arbitragem: a Polícia.
 
A escalação dos times é a seguinte:

Capital: FIFA, CBF, Odebrecht, Nike, Governo Federal, Governo do Estado, Prefeitura, BNDES, Rede Globo, Forças Armadas, Especulação Imobiliária.
No banco: Segurança Privada, Racismo, Machismo, Coca Cola, Visa, Adidas, McDonald's, Itaú, Brahma, Caixa Econômica Federal, Aldo Rebelo.


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