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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Japoneses contestam militarização do país

AvanteSequelas do terror nuclear continuam vivas
Os protestos contra a lei que visa permitir a participação das tropas japonesas em conflitos externos sobem de tom no Japão. Este domingo, 9, o presidente da Câmara de Nagasaki, Tomihisa Taue, juntou-se aos manifestantes.

O primeiro-ministro japonês Shinzo Abe apresentou no parlamento uma proposta de lei que, a ser aprovada, implica uma mudança substancial na Constituição pacifista do país. Trata-se, no essencial, de eliminar o princípio que proíbe, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a participação militar nipónica em conflitos armados. A medida está a ser fortemente contestada a nível interno, e as cerimónias que assinaram o 70.º aniversário do lançamento da bomba atómica sobre Nagasaki decorreram em paralelo com manifestações de militantes pacifistas e sobreviventes do ataque norte-americano, a exemplo do que já havia sucedido a semana passada em Tóquio.

Enquanto Abe participava numa cerimónia no memorial às vítimas, o autarca de Nagasaki exprimia a preocupação comum ao povo japonês: o receio de que a promessa feita há 70 anos – de que o Japão nunca mais iria pegar em armas ou declarar guerra – e o princípio de paz inscrito na Constituição «possam estar agora a ser minados».

Na sua mensagem dedicada ao aniversário da tragédia e publicado no jornal The Mainichi, Tomihisa Taue

desafiou os líderes mundiais a ir ver com os próprios olhos o impacto das bombas nucleares lançadas pelos EUA em 1945.

«Dirijo-me ao presidente (Barack) Obama, aos líderes dos estados, incluindo os que têm armas nucleares, e a toda a população do mundo, por favor venham a Nagasaki e Hiroxima para ver realmente o que aconteceu após estes bombardeamentos nucleares há 70 anos».


A controversa legislação do governo de Shinzo Abe foi aprovada na câmara baixa do Parlamento japonês em Maio último, mas o projeto ainda tem passar pela câmara alta do país para se tornar lei. Consciente da forte contestação interna à sua política armamentista e belicista, o primeiro-ministro declarou este domingo que vai apresentar na próxima sessão da Assembleia Geral da ONU um projecto de resolução sobre a liquidação total das armas nucleares. Sucede no entanto que, mesmo sendo aprovada, a resolução não terá carácter vinculativo, já que essa prerrogativa é reservada às resoluções do Conselho da Segurança.

Um negócio milionário

Agência de Cooperação em Segurança e Defesa dos Estados Unidos anunciou entretanto, na sexta-feira, 7, que o Departamento de Estado norte-americano aprovou a venda ao Japão de material bélico no valor de 1,5 mil milhões de dólares. O negócio inclui «Sistemas de Combate AEGIS DDG-7 e DDG-8, Sistema Subaquático de Armas, Capacidade de Engajamento Cooperativo e equipamentos associados, peças e apoio logístico», revelou a Agência. A aquisição de duas embarcações AEGIS DDG – refere a mesma fonte, citada pelo sputniknews – permitirá ao Japão cumprir a sua meta de possuir oito navios com capacidade de defesa de mísseis balísticos e melhorar a interoperacionalidade com a Marinha dos Estados Unidos.

Shinzo Abe já prometeu que o Japão não participará em guerras «por procuração» de Washington, mas a promessa não convence os seus opositores, tanto mais que o primeiro-ministro continua a advogar que o Japão deve desempenhar um papel mais activo no estabelecimento de uma aliança de segurança com os EUA na Ásia, a fim de combater uma alegada ameaça representada pela China.


FONTE: Avante 

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