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sábado, 29 de junho de 2013

Declaração após um ano na Embaixada do Equador.


                                                                                                   por Julian Assange

Já se passou um ano desde que cheguei a esta Embaixada em busca de refúgio à perseguição. 

 Em consequência dessa decisão, pude trabalhar relativamente a salvo da espionagem estado-unidense.

 Mas hoje, o calvário de Edward Snowden acaba de começar.

 Dois processos perigosos e fora de controle instalaram-se na última década, com consequências fatais para a democracia.

 O segredo de Estado propagou-se a uma escala aterradora.

 Simultaneamente, a privacidade humana foi secretamente erradicada.

 Algumas semanas atrás, Edward Snowden revelou a existência de um programa em execução – que envolve a administração Obama, a comunidade de inteligência e as maiores corporações de serviços da Internet – destinado a espiar o mundo inteiro.

 Automaticamente foram-lhe atribuídas pela administração Obama acusações de espionagem.

 O governo dos Estados Unidos espia todos e cada um de nós, mas é Edward Snowden que é acusado de espionagem, por nos haver alertado.

 Estamos a chegar ao ponto em que a marca de distinção internacional e de serviço à humanidade já não é mais o Prémio Nobel da Paz mas sim uma acusação de espionagem por parte do Departamento da Justiça dos EUA.

 Edward Snowden é o oitavo denunciante acusado de espionagem sob a administração deste presidente.

 O julgamento mediático de Bradley Manning entra na sua quarta semana esta segunda-feira.

 Depois de uma sucessão de injustiças contra ele cometidas, o governo dos Estados Unidos está a tentar declará-lo culpável de "colaborar com o inimigo".

 A palavra "traidor" tem sido muito utilizada ultimamente.

 Mas quem é realmente o traidor aqui?

 Quem foi que prometeu a uma geração "esperança" e "mudança", só para trair aquelas promessas com lúgubre miséria e estagnação?

 Quem jurou defender a Constituição dos Estados Unidos, só para a seguir alimentar a besta invisível das leis secretas que a devora viva a partir de dentro?


 Quem prometeu presidir "a administração mais transparente da História", só para esmagar um denunciante após o outro sob o peso das acusações de espionagem?

 Que combinou no seu executivo os poderes de juiz, jurado e executor, reivindicando todo o planeta como sua jurisdição para exercer esses poderes?

 Quem se arroga o poder de espiar o planeta inteiro – cada um de nós – e quando é apanhado em flagrante nos explica que "vamos ter de escolher"?

 Quem é essa pessoa?

 Sejamos muito cuidadosos acerca de quem chamamos "traidor".

 Edward Snowden é um dos nossos.

 São jovens com formação técnica que pertencem à geração traída por Barack Obama.

 São a geração que cresceu com a Internet e que foi por ela formada.

 O governo estado-unidense sempre vai precisar analistas de inteligência e administradores de sistema e vai ter de contratá-los entre os membros desta geração e das que se seguirão.

 Um dia, esta geração dirigirá a NSA, a CIA e o FBI.

 Não se trata de um fenómeno que vá desaparecer.

 Trata-se de algo inevitável.

 Ao tentar destruir estes jovens que nos alertam, acusando-os de espionagem, o governo dos Estados Unidos está a enfrentar toda uma geração e essa é uma batalha que vai perder.

 Isto não é o modo de consertar as coisas.

 A única maneira de consertá-las é esta:

 Mudem as políticas.

 Deixem de espionar o mundo.

 Eliminem as leis secretas.

 Cessem as detenções por tempo indefinido e sem julgamento.

 Deixem de assassinar pessoas.

 Deixem de invadir outros países e de enviar jovens estado-unidenses para matar e morrer.

 Parem as ocupações e acabem com as guerras secretas.

 Deixem de devorar os jovens: Edward Snowden, Barrett Brown, Jeremy Hammond, Aaron Swartz, Gottfrid Svartholm, Jacob Appelbaum e Bradley Manning.

 As acusações contra Edward Snowden pretendem intimidar qualquer país que possa estar a considerar levantar-se pelos seus direitos.

 Não se pode permitir que essa táctica funcione.

 O esforço a fim de encontrar asilo para Edward Snowden deve ser intensificado.

 Qual será o corajoso país que se erguerá em favor dele e reconhecerá o serviço que prestou à humanidade?

 Digam aos seus governos para darem um passo em frente.

 Avancem e apoiem Snowden.


 Esta declaração encontra-se em  http://resistir.info/.

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