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sábado, 20 de abril de 2013

Contra a redução da maioridade penal. Por mais direitos para a juventude!


Imagem: internet
Juntos- Nos últimos dias o debate acerca da redução da maioridade penal voltou a ocupar um lugar de destaque nos noticiários nacionais. O assassinato do estudante Victor Hugo Deppman, de 19 anos, com um tiro disparado por um adolescente de 17 anos, em São Paulo, recolou o tema na ordem do dia. Após esse triste e lamentável acontecimento, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi à mídia defender alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), visando endurecer as punições contra jovens infratores com idade abaixo de 18 anos.

A proposta de Alckmin, que segundo ele será apresentada em breve pelo PSDB no Congresso Nacional, vai se somar aos mais de 30 projetos de lei apresentados desde a vigência do ECA que visam reduzir a maioridade penal ou endurecer as sanções contra adolescentes que delinquem. A pergunta que precisamos fazer é: reduzir a maioridade penal é a solução para o problema da violência, que aflige sobretudo os grandes centros urbanos do nosso país?


Reduzir a maioridade penal para quê e para quem?

A defesa da redução da maioridade penal vem sempre acompanhada de algum caso grave de violência praticada por um jovem pobre, geralmente negro, morador de periferia, contra uma pessoa de nível social superior ao dele, geralmente branca, moradora de bairros mais centrais ou elitizados. Apoiando-se na comoção social produzida por esses fatos, a grande mídia e os setores políticos conservadores tiram um velho e empoeirado argumento da cartola como uma solução mágica para o problema: reduzir a maioridade penal, para que um adolescente de 16 anos possa ser responsabilizado criminalmente como se fosse um adulto.

Às vezes esses setores vão além, propondo o endurecimento geral da legislação penal, com a adoção da pena de morte e outras sanções incompatíveis com um Estado Democrático de Direito. Aumentar o poder punitivo do Estado seria então o único caminho para conter a criminalidade que não para de crescer. Essa construção de uma cultura do medo tem lado e classe social. As propostas de endurecimento do Direito Penal servem, tão somente, para criminalizar ainda mais a pobreza. No caso da redução da maioridade penal aos 16 anos, para criminalizar a juventude pobre, negra e das periferias.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Incompetentes e truculentos

 A violência corre solta no nosso Estado, evidenciando não somente a truculência policial, mas o total desprezo e desrespeito pelo ser humano.

Usuários de drogas são espancados e expulsos da cracolândia. Sem planejamento e acolhimento adequados, centenas de desassistidos passam a circular como zumbis pela cidade.

 Medidas para a solução do problema da droga, da violência e da mendicância no centro da capital têm que ser tomadas com responsabilidade. Não cabe aqui citar o que esta nefasta gestão interrompeu no diálogo social. Basta lembrar o impacto negativo para a recuperação do centro ocorrido após a interrupção do projeto do BID, o desmantelamento do Boracéa (modelo de atendimento social) e o descaso das gestões Kassab em trazer o Bolsa Família para São Paulo.

 Na USP, mais um exemplo de indisposição para o diálogo. Viu-se a perplexidade da população que não compreendia a truculência e o que se passava. Posteriormente, a indignação com o comportamento nitidamente preconceituoso de um policial frente ao aluno que virou alvo, por ser negro.

 A reintegração de posse do Pinheirinho, em São José dos Campos, já se caracterizou como uma das ações mais violentas e cruéis do novo-velho governo paulista.

 Centenas de famílias enxotadas numa ação judicial que existe há anos e tinha desfecho conhecido. Nada foi pensado sobre destino delas. O Estatuto da Cidade passou ao largo, seja por, ou falta de, interesse do prefeito peesedebista de São José, seja pela omissão do governador. A política do que se danem os destituídos.

 Como disse um popular, do lado de fora da catedral da Sé, sobre a festa de 458 anos de São Paulo: “Enquanto o prefeito está comungando, nós aqui apanhando”.

 Esta falta de compromisso com o social perdura no abandono das famílias, que, vítimas de incêndio na favela do Moinho (região central da capital), continuam sem futuro, largadas no meio das cinzas, com um único banheiro para todos.



 No transporte, a violência do descaso é tão ou mais grave, pois são milhares de pessoas que poderiam estar chegando mais cedo em casa, ficando mais com a família, tendo menos estresse, gastando menos e vivendo melhor.

 Em resumo, esses maus governantes, que fazem discursos bonitos, têm suas ações em direção oposta à sensibilidade, ao respeito e ao cuidado com o outro. Principalmente com os que não têm.

 Entrementes, a pergunta que não quer calar: por que tantos bilhões da Prefeitura de São Paulo nos bancos, enquanto a pobreza grassa solta na cidade?

 *Marta Suplicy é senadora pelo Partidos dos Trabalhadores e vice-presidente do Senado.

   fonte: PT estadual

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Justiça condena Estado de São Paulo a indenizar família de vítima dos "Crimes de Maio"

imagem: latuff
Militantes do movimento reclamam de blindagem política do governo do Estado, que barra investigações e não dialoga com os familiares; defensoria pública segue com a defesa pela federalização dos casos.

O Tribunal de Justiça de São Paulo considerou o Estado de São Paulo culpado pela morte de Edson Rogério Silva dos Santos, filho de Débora Silva, uma das mães que perderam seus filhos entre os dias 12 e 21 de maio de 2006. Ela, que integra o Movimento Mães de Maio, deve receber indenização de R$ 165,5 mil e pensão mensal, conforme a decisão. No entanto, Débora ressalta que mais importante do que o dinheiro é a porta que se abre para a investigação das execuções e desaparecimentos, ocorridos em 2006.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

E Que Ninguém Nunca Mais Duvide do Poder da Classe Trabalhadora.


A imprensa brasileira, a referência vai para a grande mídia, de maneira vergonhosa e arreganhada, pouco ou quase nada menciona sobre a greve dos professores das Escolas Públicas do estado de Minas Gerais- estado esse governado pelo tucano Antonio Anastasia- aquele que alguns diziam na última campanha eleitoral que era “um espécime da social-democrata de quem se poderia esperar algo aceitável dentro de certos parâmetros pragmáticos”.

Pois bem ele veio vestido exatamente igual aos seus primos irmãos tucanos de São Paulo: o intrépido vestuário político que massacra as multidões e destroi os sonhos da classe trabalhadora. É, eles são assim. Ardis, lúcidos e empíricos defensores da direita . Se dedicam, com célere proficiência ao exercício de tais expedientes, e isso já tem séculos. E apresentam-nos nessa esteira, a violência, a traição, a venalidade amarga de amplos setores da imprensa nacional e, o mais grave, o conluio entre amplos setores dos três poderes do estado mineiro. Eis o legado e as expectativas que se anunciam após tão execrável conduta.

O texto do professor de filosofia Fábio Barreto nos arremete, certamente, aos desígnios de milhares de professores espalhados por esse grande Brasil que, creio, acreditam que somente a luta faz a lei e que, em determinadas contradições que natureza humana nos reserva, são nelas que residem e que devemos encontrar novas forças para continuar acreditando na construção coletiva de ações que projete-nos na direção verdade e do ideal que nos inflama.

Que é necessário fazer a auto-crítica quando se percebe que algo está em falta não temos dúvida disso. A questão é o de sabermos quando esse algo se manifesta , qual a sua natureza e,sobretudo, como e de onde ele provém. Vamos ao texto..

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Fábio Bezerra*


Mais de 100 Dias da Heróica Greve dos Trabalhadores em Educação de Minas.

A mais de cem dias, os trabalhadores em educação de Minas Gerais travam uma batalha heróica em defesa da carreira do magistério e pelo pagamento do Piso Salarial Nacional.

Iniciada em 08 de Junho, a Greve dos educadores de Minas já é a mais longa da história da categoria e hoje uma das mais longas greves do funcionalismo público brasileiro.

Mas o que chama a atenção a esse processo não é a sua temporalidade, mas sim as condições nas quais o movimento eclodiu e principalmente as reações do Governo tucano de Antônio Augusto Anastasia e de toda a estrutura de poder e repressão a serviço do Estado e da classe dominante.

Em 2010, o que chamo de Ensaio Geral, os educadores de Minas entram em Greve questionando o fato de o Estado ter o pior piso salarial de todos os Estados da Federação, pagando aos profissionais do magistério a fabulosa bagatela de R$ 369,00!

Isso em um Estado que possui o 2º maior PIB do Brasil e que teve a 2ª maior arrecadação em ICMS entre todos os entes federativos.

A reivindicação era simples e baseada na lei recentemente aprovada pelo congresso e sancionada pelo executivo; o pagamento do PSN (Piso Salarial Nacional), criado no Governo Lula como parâmetro para uma isonomia salarial e base para as carreiras do magistério do ensino básico municipal e estadual em todo o país.

Porém, a mesma Lei do Piso traz consigo contradições que são oportunistamente apropriadas por diversos governos a fim de não cumprir o pagamento integral da mesma.

Ela condiciona o pagamento a uma jornada de até 40 h/semanais para os servidores, o que no caso mineiro abre uma prerrogativa ao Governo de alegar que já paga o piso devido ao fato de em MG a jornada ser de 24h/semanais e dessa forma se aplicar a proporcionalidade o que naquela época chegava ao patamar de R$ 545,00.

Mas o que muitos não sabem é que já em 2010 parte desses R$ 545,00 mantinham o piso de quase 10 anos, ou seja, R$ 369,00 acrescidos de um abono que se chamava PRC (Parcela Remuneratória Complementar), o que por sua vez causava outra irregularidade, pois o Piso é integral e não comporta em sua contabilidade abonos ou qualquer outro tipo de penduricalho aos quais o Governo ao longo dos últimos 20 anos determinou como modelo de “reajuste salarial”.

Para os menos desavisados, esses penduricalhos não servem como patamar para biênios e quinquênios incindirem na remuneração total, ou seja, as vantagens adquiridas com o tempo de serviço incidem apenas no salário base, que é há mais de 10 anos R$ 369,00!

Mas voltando a Greve do Ensaio Geral, a Greve de 2010; ela foi marcante e significativa, pois nunca na história de Minas Gerais, nem em 1979 ou 1986 quando se tem os maiores registros de greves dos educadores mineiros, uma greve foi tão atacada e combatida pelo Governo e seu batalhão de serviçais arautos da moralidade e da segurança pública.

Primeiro a costumeira ação deletéria da pusilânime, nojenta e provincial impressa mineira, que parece ainda viver nos tempos de Chateaubriand....

Esse pseudo quarto poder, nos perseguiu de todas as formas possíveis e inimagináveis, atacando os educadores como criminosos culpados pelas crianças estarem nas ruas, como baderneiros que atrapalhavam o trânsito de BH e de outras cidades do Estado, como insensíveis às contas públicas e a famigerada Lei de Responsabilidade Fiscal e por fim como oportunistas por estarmos em Greve em um ano eleitoral!

Poucas e raras foram as matérias isentas de juízo de valor contrário ao movimento.

Depois veio o leal escudeiro dos Governos do PSDB, a Bem Conceituada Federação de Pais de MG, que só aparece nos cerimoniais do Governo para puxar saco ou nos períodos de Greve para criticar o movimento.

Mas até aqui nada de diferente do que já presenciamos em outras Greves da educação, a não ser o fato de pela primeira vez na história o Tribunal de Justiça ter sido acionado pelo Governo e em menos de 48 horas dar um veredito de ilegalidade da greve e a multa diária ao sindicato caso persistisse em manter o movimento.

Como disse anteriormente, nem no período da Ditadura em 1979 e nem em outras épocas o Governo de Minas chegou a tanto.

E qual a resposta da categoria?

Manteve a Greve, com muito mais vigor e determinação. Tanta por sinal que após a assembleia ratificar por unanimidade a continuação da Greve, seguiram em passeata, mais de cinco mil manifestantes, em direção ao Palácio da Justiça para comunicar pessoalmente aos juízes qual era a nossa decisão e se tivesse que começar a demitir os 72 mil designados em educação de MG que começasse por ali mesmo.

A própria Direção do Sindicato um dia antes, já ciente da decisão judicial, balançou frente à ameaça de demissão de todos (as) os (as) servidores contratados, mas por fim prevaleceu o bom senso que esse debate deveria ser avaliado e decidido pela categoria em luta.

E esta não titubeou!

Já naquele momento, não era apenas a imprensa boca de latrina, os baba ovo e puxa saco do governo que acham que falam em nome de pais, nem tão pouco os cassetetes, cães e cia Ltda. da costumeira repressão militar, agora a justiça nos desafiava e nos tentava subjugar.... E o que assistimos naquele momento foi uma das mais belas aulas de luta de classes e tomada de consciência de um movimento em si e seu real papel na sociedade, assim como qual é o real papel do Estado, dos aparelhos ideológicos e do aparato repressivo.

Se há muito não se via um cenário onde os atores políticos não assumiam os seus papéis na realidade conjuntural, chego a dizer que a Greve de 2010 recolocou na ordem do dia e no imaginário do movimento sindical a ideia e o sentido da luta de classes.

Pois ao questionar o não cumprimento do Piso Salarial Nacional, mesmo com as suas contradições, o movimento dos educadores em Greve pôs o dedo na ferida das contas públicas do Estado e das prioridades do Governo de Aécio Neves e Antônio Anastasia.

Prioridades estas que privilegiam as mineradoras com renúncia fiscal, apesar de Minas ser a maior produtora de minério de ferro do Brasil, que sobrecarrega a massa trabalhadora com as mais altas taxas de ICMS do país e isenta as grandes indústrias privadas instaladas em Minas.

Prioridades que sonegam recursos para os serviços públicos desde o famigerado Choque de Gestão, com cortes e redução de pessoal e investimentos, destinando volumosas quantias de dinheiro público para a rolagem de juros de dívidas questionáveis e para a fábrica de obras faraônicas que serviriam de outdoor para as candidaturas do PSDB e seus aliados.

Lamentável foi e ainda o é a postura do PT no Governo Federal, que se omitiu em retirar da Lei do Piso o parágrafo ambíguo sobre as 40h/ semanais.

Chamo de Ensaio Geral a Greve de 2010, pois ela reacendeu a perspectiva da luta na categoria e pode promover da melhor maneira possível, ou seja, através da práxis política, do exercício do confronto de posições e do aprendizado ontológico desse processo, sendo um prelúdio do reencontro da categoria consigo mesmo e com o seu potencial político de mobilização e de identidade de classe.

Se hoje os bravos educadores (as) de Minas Gerais, mesmo que cansados e castigados pelo corte de salários nos últimos dois meses, além de toda a angústia e do drama em viver no fronte das ruas, o dia a dia da maior greve de todos os tempos do funcionalismo público em Minas, chegam a cem dias de luta, podem ter certeza que não são mais os mesmos.

São mais do que grevistas, pois na luta e no combate diário que estão travando contra o governo, constituíram um novo patamar de homens e mulheres conscientes de sua força, conscientes de suas atribuições e principalmente enrijecidos pelas pancadas e auguras do combate diuturno contra o poder do Estado e porque não dizer do capital.

Um dos grandes companheiros que conheci nas jornadas de lutas que travamos ao longo desses últimos anos, o companheiro Euller Conrado, de maneira peculiar e muito fortuita cunhou esse agrupamento de servidores guerrilheiros da defesa da educação pública e da profissão de educador de Núcleo Duro da Greve.

E é assim que melhor classifico essa brava gente: “O Núcleo Duro Da Greve”, pois como muro de arrimo, tanta pancada vem suportando e a cada embate com o mar revolto consolida sua firmeza e sua posição de resistência.

Certa ocasião o velho bolchevique e líder da revolução russa, o camarada Vladimir Ulianov (Lênin) proferiu em uma sessão nos Sovietes de Petrogrado a celebre frase que sintetiza a ontologia do ser social sob a égide da luta contra o poder do capital e seus agentes: “A Luta Muda o Homem que Luta”.

E é assim que compreendo, ao ver meus companheiros de categoria, que se no passado tinham receios e dúvidas em relação à luta por nossos direitos e dignidade, se descobrirem como sujeitos históricos, agentes de transformação e que se transformaram em soldados de uma guerra que já acontece às claras há muito tempo, mas sempre era velada e escondida pela mídia, pela ignorância, pela ideologia dominante e principalmente pela mediocridade e pelo medo.

Essa greve, caro leitor, é mais do que uma greve pela valorização da educação... É mais do que uma greve de resistência, pois essa categoria chegou ao fundo do posso e como dizia o bom e velho Marx, no Manifesto Comunista: “(...) já não tem mais nada a perder a não ser os grilhões que os acorrentam.” é mais do que uma greve salarial!

Ela hoje atingiu um ponto culminante entre o econômico e o ideológico, nem sempre comuns nos movimentos reivindicatórios, dando condições de suporte da retomada do papel político do movimento sindical na educação e de revigoramento do conjunto dos movimentos sociais no Estado, pois num determinado momento, a Greve dos Trabalhadores em Educação de Minas reluziu em si todo o esplendor e sentido da luta política entre capital e trabalho, entre o funcionalismo público e o autoritarismo do Estado, entre os pobres que dependem de serviços públicos de qualidade e aqueles que se apoderaram da máquina e das finanças do Estado, entre dois modelos de governança... Atraindo para si os olhares, simpatia e apoio militante de lideranças sindicais e movimentos sociais que isoladamente vinham, a seu modo, travando pelejas contra a máquina do Governo e até mesmo, em alguns casos, contra o imobilismo e o ceticismo tão comuns em épocas de sindicalismo pelego e conciliações de classe.

Muitos questionam precipitadamente a validade do movimento e se este de fato irá atingir os seus objetivos econômicos, outros apostam no malogro de tão contaminados que estão pelo senso comum de só enxergar resultados baseados em cifras.

Mas o que a burguesia desse Estado e seu auto- comissariado sabem bem é que o germe da rebeldia, da insubordinação, do questionamento mais agudo e crítico, da agitação revolucionária de brasa quase imperceptível que existia, se tornou uma labareda capaz de consumir todas as injúrias e ataques desesperados a ponto de ser uma chama viva e reluzente que alimenta os sonhos, as esperanças e quem sabe ilumine um novo trilhar de conquistas ao conjunto da classe trabalhadora de Minas e do Brasil.

Não é a toa que o PSDB em Minas sob a batuta de Antônio Anastasia, chamado por muitos de Anastasista, tenta desesperadamente sufocar esse sopro de rebeldia, antes que contamine mais e mais o conjunto do funcionalismo e antes que comece a derreter, mais ainda, a frágil estátua de cera do Governo Aécio Neves proponente candidato tucano às eleições de 2014.

Para a burguesia mineira e o PSDB- MG, a derrota da Greve é agora uma questão de princípios, pois querem dar um exemplo a toda a elite brasileira e em especial à burguesia paulista, não apenas para salvar a imagem do modelo imposto em MG desde o período de Aécio Neves, mas também como modelo de coerção e tratamento de choque, especialidade desse governo no tratamento ao funcionalismo público no Estado.

Mas quero aproveitar para ressaltar que há entre nós, muitos pseudos amigos do povo, que se juntaram a nós nesse momento por interesses eleitorais visando as disputas municipais contra o PSDB e seus aliados e a disputa eleitoral entre PT e PSDB para 2014.

Os correligionários de Dilma, por exemplo, nada ou quase nada fizeram para impedir a aprovação do famigerado parágrafo que tanto tem servido de álibi a Secretaria de Planejamento e Educação para dizer que em Minas o Piso é pago proporcionalmente às 40 horas previstas na lei.

Mas enfim, são contradições as quais não há como se evitar e que nesse momento temos que saber distinguir sem nutrir falsas ilusões e expectativas.

Só a luta muda a vida e isso tem sido o mais importante nessa tônica tenaz em que a Greve dos Educadores de Minas vem construindo em nossas vidas e na vida política desse país.

E que ninguém nunca mais duvide do poder da classe trabalhadora!

*Professor de Filosofia e membro do CC do PCB.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Em greve pelo piso salarial, professores se acorrentam em BH.

Professores se acorrentaram em Belo Horizonte em protesto pelo pagamento do piso nacional da categoria | Foto: Sindute/Divulgação

A greve dos professores da rede estadual de Minas Gerais, estado governado pelo tucano Anastasia, já se aproxima dos 100 dias. O governador do PSDB-Pior Salário do Brasil- não fugindo a regra e a cartilha neoliberal que tem norteado as ações administrativas dos tucanos massacra os educadores com salários aviltantes.

Seria interessante aqueles que votaram em Antonio Augusto Anastasia e sobretudo todos aqueles que se envolveram entusiasticamente em sua campanha vitoriosa cobrassem dele maior respeito aos professores. Aqueles que o tachavam de democrático -não faltou quem afirmasse que ele era “esquerdista”- influenciando, observadas as devidas proporções, o eleitorado mineiro. Estes deveriam rever os seus feitos e o peso de suas perspectivas durante a campanha eleitoral, e vir a público mostrar claramente a forma vergonhosa e imoral como o governador tucano vem tratando os professores mineiros.

Governante que trata professores com tropa de choque e bombas, marca indelével, dos tucanos e que não respeita a lei- outro traço marcante desses espécimes entreguistas e profundamente apátridas- e que portanto deveria responder pela conduta imoral, indecorosa e fora da lei. O descaso com os servidores públicos e o sucateamento da coisa pública, dos serviços básicos é estrondosamente espantoso quando eles têm o poder em suas mãos. O lamentável de tudo isso é que o Ministério Público Estadual pouco ou nada tem feito para obrigá-los a respeitar e seguir a lei.


Pense Nisso nas próximas eleições. Sempre haverá um tucano perto de você desesperadamente querendo o seu voto para , se chegar ao poder, fazer o que melhor sabe fazer: destruir você e sua cidade e se não abrires os olhos destruir seu estado. E com ele vai a Educação a Saúde a Segurança, o velho tripé básico do Estado moderno. Tudo vai para o ralo. É assim que eles atuam. Sempre "ligados em você". Entendeu?!

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Em uma greve que já dura 98 dias, professores da rede estadual de Minas Gerais se acorrentaram, nesta segunda-feira (12), a uma praça no centro de Belo Horizonte. O protesto, protagonizado por cerca de 50 professores, foi para reivindicar o cumprimento da lei 11.738, cuja constitucionalidade foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal, estabelecendo o piso salarial nacional da categoria de R$ 1.187 para uma jornada de trabalho de 40 horas semanais.

com informes do Sul21

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Omissão do governo de SP aos direitos humanos é denunciada a ministra Maria do Rosário.



Representantes de quinze movimentos sociais, ao longo da tarde, expuseram fatos e ações que contrariam e desrespeitam os direitos humanos, focados principalmente no Estado de São Paulo. Para a ministra, ficou claro que “há sede por justiça” e “ansiedade por direitos humanos” e propôs um trabalho conjunto, entre sociedade e todas as esferas de governo e poderes.
Do site PT Alesp e Rede Brasil Atual

“Não concluímos esta audiência com um ponto final, mas como uma etapa para uma caminhada às respostas, que sejam encontradas por todos nós. O Estado brasileiro não pode transferir a ação de agir, mas uma parte cabe a própria sociedade”, assim enfatizou a ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes, em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo, na tarde de segunda-feira (29/8), pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, presidida pelo deputado Adriano Diogo. A Bancada dos deputados do PT esteve presente em quase sua totalidade.

Representantes de quinze movimentos sociais, ao longo da tarde, expuseram fatos e ações que contrariam e desrespeitam os direitos humanos, focados principalmente no Estado de São Paulo. A sociedade civil organizada participou dos debates municiados de cartazes, faixas, denúncias e protestos, represados pela ausência de fóruns no e instâncias estaduais para dar vazão as questões e atender os direitos e promover cidadania.

Para a ministra, ficou claro que “há sede por justiça” e “ansiedade por direitos humanos” e propôs um trabalho conjunto, entre sociedade e todas as esferas de governo e poderes. Ela citou a presidenta Dilma quando se refere a “busca ativa”, ou seja, o Executivo não pode estar parado, é fundamental ir até os problemas com políticas públicas e sociais e é, desta forma, que a ministra acredita que a grande maioria das violações de direitos humanos possa ser resolvida.

Estado de SP omisso em várias questões
Maria do Rosário indignou-se com uma das páginas na internet da Rota da Polícia Militar. “Como defensora de direitos humanos, considero inaceitável que o Estado de São Paulo tenha uma página oficial em que se coloca com orgulho de ter participado da deposição de um presidente eleito (João Goulart)”, disse a ministra. Ela também fez um apelo à secretária estadual da Justiça e da Defesa da Cidadania, Eloisa de Sousa Arruda, presente na audiência, para que se reveja estes conceitos que estão na página.

Outro ponto questionado pela ministra é o fato que o Estado não tem uma Comissão Estadual para Combate ao Trabalho Escravo, sendo que 15 Estados já têm.

Com relação às mortes violentas de jovens na Baixada de Santos, em 2006, que levou a formação do grupo “Mães de Maio”, que pedem a apuração correta dos acontecimentos, com a identificação dos assassinos e sua punição, Maria do Rosário explicou que já solicitou há três meses reunião com o governo do Estado, mas ainda não obteve resposta. Para ela, “o Ministério Público do Estado tem que pedir a reabertura dos processos”.

O coordenador do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Ivan Seixas, denunciou a intervenção do governador Geraldo Alckmin que, por meio de dois decretos, tem tolhido o processo de escolha do integrante da Ouvidoria da Polícia. Num dos decretos editado Alckmin estipulou uma lista tríplice e em outro definiu regras para inscrever os candidatos.

Também foram denunciadas a “higienização” que está sendo promovida no município de São Paulo, seja das crianças em situação de rua, seja nas remoções e despejos na área da habitação.

Políticas públicas
Em resposta às cobranças de apuração dos crimes cometidas durante a ditadura militar, a ministra disse que está atuando fortemente para a criação da Comissão da Verdade, assim como está sendo dada prioridade à questão racial. “Isso tem que estar no centro da atenção do país”, explicou. Ela exemplificou a questão da violência contra jovens negros, ao apresentar os dados de que ao nascer há mais meninos do que meninas, mas a partir dos 12 anos há uma inversão, “porque isso nada mais é do que o alto número de assassinatos de meninos negros”.

Com relação à necessidade apontada na audiência de que é preciso que seja retirada qualquer forma de legalidade sobre a morte por resistência, que nada mais é do que a execução sumária – com tiros pelas costas e nucas, Maria do Rosário esclareceu que já há um trabalho junto a SEPPIR – Secretaria de Política de Promoção da Igualdade Racial. Também explicou que irá formar uma comissão para discutir o uso de armas não letais, que hoje não há uma regulamentação de como as polícias podem usar este armamento.

Outro ponto de grande preocupação da ministra é a instituição de uma política pública para as crianças e adolescentes em situação de rua. Segundo ela, é preciso reunir os conselhos em todas as esferas e construir uma “política pública de vida” inovadora para estas crianças e completou: “o Brasil tem que ter a solução e ter condições de dar conta das suas crianças”.

Direitos têm que ser respeitados
Além dos temas já abordados, alguns outros exemplos de assuntos expostos pelos movimentos estavam:

. o genocídio à população negra;

. o desrespeito e perseguição as religiões de matizes africanas;

. a homofobia;

. o descaso com a saúde pública; e

. a perseguição aos africanos, principalmente aos nigerianos.

Licença Creative Commons
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