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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Evo cede e Bolívia deve mudar traçado de estrada.

foto crédito contrainjerencia

Decidido a manter o pedido ao Brasil para que financie uma estrada ligando a isolada região de Beni a Cochabamba, próxima ao centro do país, o governo Evo Morales detalhou, na terça-feira, a diplomatas de países amigos seu plano para aplacar os protestos contra a obra, que atravessa um santuário natural e uma reserva indígena. Morales fez aprovar, na madrugada de segunda-feira, no Congresso boliviano, uma série de medidas que abrem caminho para um traçado alternativo contornando o Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis), razão dos protestos, que provocaram grave crise no governo.

A reportagem é de Sergio Leo e publicada pelo jornal Valor, 13-10-2011.

Pela lei aprovada pelos congressistas bolivianos, foram suspensos os planos de construção do trecho da estrada que atravessa o parque (que não haviam sido ainda iniciados) enquanto não for realizada uma consulta aos indígenas sobre a obra, que terá poder de determinar ou não sua realização. Numa demonstração de que não planeja simplesmente cancelar a estrada, o governo comunicou aos diplomatas que estuda um traçado alternativo - o que deverá encarecer a obra, a cargo da brasileira OAS.

O Brasil financia a construção, por meio do BNDES, a pedido dos próprios bolivianos, que, no entanto, estão engolfados em disputas internas na base de apoio ao governo Evo Morales. Sem oposição capaz de ameaçar sua permanência no governo, Morales enfrenta divergências violentas entre as populações indígenas do chamado altiplano, entre as quais estão produtores de coca, e os indígenas amazônicos. que se sentem ameaçados pela obra a cargo da OAS.

Há também uma disputa no governo Morales entre os integrantes contrários a projetos de desenvolvimento que impliquem em ampliação da exploração de recursos naturais e ameacem a "mãe Terra", ou Pachamama, e os que, capitaneados pelo próprio Morales, defendem um projeto desenvolvimentista que desagrada a algumas comunidades indígenas e a organizações não governamentais.

Enquanto a Bolívia é atravessada por marchas de grupos contrários e de aliados a Evo Morales, o clima político é influenciado fortemente também por uma originalidade boliviana, as "eleições judiciárias", que, no domingo, permitirão por voto universal direto a escolha dos integrantes dos tribunais Supremo Eleitoral, Constitucional e Agroambiental, e do Conselho da Magistratura. A oferta de suspensão do trecho polêmico através do Tipnis e da consulta pública (que não deixa claro quais serão as comunidades indígenas consultadas) despertou críticas dos organizadores dos protestos, situados em segmentos à esquerda do espectro político boliviano.

No governo brasileiro, que está consciente da disputa interna entre as forças governistas na Bolívia, autoridades que acompanham o debate sobre a obra argumentam que a participação do BNDES foi um pedido do governo Morales, por interesse dos próprios bolivianos.

Embora a obra tenha sido divulgada como parte da ligação entre as rotas para os Oceanos Pacífico e Atlântico passando por território boliviano, a estrada, na realidade, segue um trajeto Norte-Sul, e não é vista como parte do projeto brasileiro de integração continental. Segundo os auxiliares da presidente Dilma Rousseff, as garantias proporcionadas pelo Convênio de Crédito Recíproco (CCR) e pelos contratos de fornecimento do gás boliviano ao Brasil fazem com que a operação seja considerada segura do ponto de vista financeiro, e o BNDES deverá analisar a viabilidade de traçados alternativos que vierem a ser apresentados pelo governo da Bolívia.
fonte:Instituto humanitas unisinos-

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A bandeira dos mercenários líbios é hasteada na ONU.


A bandeira dos “rebeldes”, leia-se, lacaios das nações imperialistas e da OTAN, foi içada na ONU. Isso denota a grandiosidade e o grau elevado de uma crise moral, que envolve esta instituição, sem precedentes pela sua magnitude. Há expectativas que aconteçam denúncias desse ato condenável. Espera-se também que tais manifestações, diante de tal afronta não se restrinja aos brados e lamentos das nações latino-americanas de cunho democrático e anti imperialista como Cuba, Venezuela, Bolívia, dentre outros.

É bem verdade que a hipocrisia e seus adornos dominam os discursos e a prática da direita. Que de seus ingredientes mais sombrios e pérfidos, a falácia e o ardil assédio, ressaltam aos olhos do mais atento de todos os interlocutores. Não é possível que a humanidade que atingiu os portentos mais espetaculares da tecnologia associada a uma enorme quantidade de feitos científicos que têm ofertado a raça humana benesses, trazido a longevidade para multidões, alcance e tenha um fim tão trágico.

Sim, os avanços científicos em muitas ocasiões não foram devidamente compreendidos. Em especial aqueles lotados no campo dos saberes humanos. Mas a ciência é inexorável, e por esta razão hoje muitas daquelas teses que sustentavam o poder durante os regimes absolutos, com todo o seu cortejo teológico, não passam de um esfumaçado espectro do passado. Todavia para quem deseja consolar-se desta destruição das velhas idéias, as palavras de Renan são as mais satisfatórias: “ As verdades que a ciência revela são superiores aos sonhos que ela destrói “.

O que a ONU tem feito nas últimas décadas e os crimes que tem acobertado deveriam causar fortes preocupações a todos. O planeta terra, não demorará muito, se nada ocorrer em sentido oposto, poderá se tornar um endereço preocupante e perigoso para os humanos.

A 66ª Assembleia Geral da ONU, sem dúvida, é o foro que ainda mantém destaque, apesar dos anais historiográficos sugerirem algo difuso disso, para que seus participantes demonstrem, vivazmente, que ainda há esperanças para que salvemos o nosso planeta de uma catástrofe.

Quando o nazismo ascendia, fulminantemente, na Alemanha havia, e não eram poucos, quem não acreditasse em seus planos de invasão. Da mesma maneira e no mesmo contexto não faltaram vozes que, covardemente e dolosamente se calaram após terem conhecimento dos planos alemães da ocasião da invasão do território da antiga Tchecoslováquia.

“Sou da opinião” disse aquele pensador alemão do alto de sua erudição tremenda, “ que o socialismo poderá suprir nossas necessidades futuras, e substituirá, creio ser isso certo, esse Modo de Produção que aí está. Talvez transcorram ainda mil anos antes que possamos vê-lo contribuindo, axiomaticamente, para o surgimento de seres humanos melhores, ou pode ser que o dia de amanhã nos veja com as rédeas nas mãos”.

Ansiosos estamos, ainda que de pouca monta, por "boas novas" desse esperado encontro de nações. Fiquemos de pronta.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

É necessário uma revolução na ONU, afirma Evo Morales.


Um dos avanços mais impressionantes, na seara política da América Latina, foi a chegada ao poder de um presidente de origem verdadeiramente indígena como ocorreu com a Bolívia. Evo Morales é o exemplo mais bonito de um governante que veio das entranhas mais profundas da sociedade boliviana historicamente marcada pela exploração e pela opressão desenfreada imposta pelos notáveis “europeus civilizados”.

Suas observações sobre a natureza da ONU e de seu Conselho de Segurança deveria ser repetido, amiúde e com grande veemência por outros chefes de Estado. Sabemos que, muito provavelmente, isso não teria grande força de convencimento mundial uma vez que trata-se de uma instituição que veio ao mundo para atender aos anseios do imperialismo capitaneado por Washington. Os exemplos recentes envolvendo as ações criminosas no norte da África reforçam, assaz, essa proposição. È quase que um axioma.

Discursos como os de Evo, sabemos, não são de interesse da grande imprensa. Mas precisamos levá-lo ao mundo. Fazer com que suas preocupações e suas assertivas mais agudas, que têm suas origens nas contradições que marcaram a luta dos seres humanos mais humildes e aviltados do continente contra o seu algoz mais feroz: o invasor do norte, cheguem aos lares de homens e mulheres que, espalhados por esse grande planeta, acreditam no futuro da espécie humana e num mundo melhor. Evo Morales, certamente, deve ser um orgulho para todos os bolivianos.

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(Prensa Latina) O presidente de Bolívia, Evo Morales, assegurou que é necessária uma revolução nas Nações Unidas, a qual se coloque fim à ditadura que representa o Conselho de Segurança.


Este milênio é dos povos, preconizou Evo Morales

Recebe Evo Morales título Honoris Causa de universidade cubana


Em entrevista exclusiva com Prensa Latina durante a visita oficial que realiza a Cuba, o mandatário criticou a resolução aprovada em março último nessa instância da ONU que serviu de cobertura aos bombardeios da OTAN contra Líbia.

"Que Conselho de Segurança, eu diria que é um Conselho de insegurança", exclamou Morales, depois de afirmar que essa agressão constitui uma vergonha para a humanidade.

O Presidente perguntou também que classes de organismos internacionais temos no mundo, ante cujos olhos se pode fraguar uma investida bélica como a empreendida pela Organização do Tratado do Atlántico Norte (OTAN) com Estados Unidos à cabeça contra o país árabe.

O Conselho de Segurança da ONU integram-no 15 países, deles cinco de forma permanente e com direito a veto: Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia.

De acordo com o mandatário boliviano, depois de retirar do poder a base de bombas ao líder líbio, Muamar Kadafi, agora as potências ocidentais e Estados Unidos se brigam para ver quem será o dono dos poços petroleiros de Líbia.

"Há muitos interesses de continuar acumulando o capital em poucas mãos, em mãos das oligarquias, das multinacionais", precisou Morales.

Referente a necessidade de reformar as Nações Unidas, e à incapacidade do organismo para defender o direito internacional, o chefe de Estado recordou ademais o desrespeito de Washington ao pedido mundial de que finalize o bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba.

Desde 1992 nas Nações Unidas são submetidas à votações resoluções sobre a necessidade de pôr fim a essa guerra econômica contra a ilha, documentos que ano após ano incrementam seus votos a favor.

Em 2010, 187 países respaldaram a Cuba, e só Estados Unidos e Israel opuseram-se ao texto.

Washington "não respeita e as Nações Unidas não fazem cumprir", enfatizou o presidente boliviano, quem nos próximos dias falará no segmento de alto nível da Assembleia Geral da ONU.

"Não tenho um discurso preparado, estou pensando fazer algumas reflexões sobre a crise do capitalismo, sobre as intervenções desumanas como a de Líbia", comentou o dignatário à Prensa Latina, ao enumerar ademais outros temas que abordará em Nova York.

Há uma crise financeira do império, do capitalismo, e por tanto dos Estados Unidos, destacou Morales, que expressou preocupação pelas agonias econômicas de Ocidente e sua repercussão nos países subdesenvolvidos.

Na opinião do mandatário, depois de ver os protestos em massa em vários países da Europa perguntou-se se, a esse passo, as economias dos países do Sul devam depender dos mercados do chamado Velho Continente ou do estadunidense.

"Depender do mercado norte-americano e do europeu, penso que é um problema muito sério para os países chamados em via de desenvolvimento, os subdesenvolvidos.", indicou.

A respeito, defendeu por regionalizar o mercado, sob políticas de solidariedade e complementaridade, e descartar totalmente as políticas de competitividade.

"Neste novo milênio não pode ser o milênio das oligarquias, as hierarquias, as monarquias (...) este deve ser o milênio dos povos", afirmou, para destacar que uma forma de viver é o socialismo comunitário, que -insistiu- deve se desenvolver e implementar em frente à crise do capitalismo.

Na opinião de Morales, a América do Sul avançou bastante em função da integração apesar das diferenças ideológicas dos governos, já que em cinco ou seis anos conseguiu-se dar forma à União de Nações Sul-americanas (Unasul).

Pôs como exemplo de comércio dos povos no marco da complementaridade, que Bolívia prefere lhe comprar a Brasil equipamentos da indústria tecnológica, como tratores, em lugar dos adquirir na Europa ou nos Estados Unidos.

Por sua vez, os países que produzem esse equipamento, podem comprar os têxteis que produz essa indústria boliviana.

O Presidente destacou ademais o papel de Unasul contra intentonas golpistas como a de 2008 na Bolívia, que pretendeu retirar do poder, ao qual tinha chegado em 2005 com 53,74 por cento dos votos.

"Antes o que se fazia na América do Sul?, quando tinha algum problema, era a OEA em nome dos Estados Unidos, ou algum representante dos Estados Unidos que ia resolver esses problemas internos", lembrou.

Morales chamou a atenção sobre a realidade de que cada país tem suas particularidades, mas os une a meta de se libertar culturalmente, socialmente, e fundamentalmente no econômico.

"Se não há libertação econômica ou financeira, seguramente vamos cair na dependência desses mercados, e às vezes esses mercados nem sequer estão garantidos", considerou o mandatário.

Recordou que ainda alguns países da América Latina têm bases militares estrangeiras, em particular dos Estados Unidos. "E na Bolívia libertamo-nos de bases militares", afirmou.

A respeito da XVII Conferência das partes da Convenção sobre Mudança Climática, a realizar-se em dezembro próximo em Durban, África do Sul, Morais pôs em dúvida que nesse encontro possam resolver as diferenças entre os países desenvolvidos e os subdesenvolvidos.

"Os inimigos da humanidade estão identificados, é o capitalismo, o imperialismo, como mudar isso, essa é a batalha permanente", afirmou, depois de recordar a manobra dos Estados Unidos e um grupo de países em Copenhague há dois anos para obstruir qualquer tentativa favorável a um segundo período de compromissos do Protocolo de Kioto.

"Obama, entra por um buraco, faz sua intervenção e escapa-se pelo mesmo buraco, nem sequer entra pela porta principal. Alguém tem que escapar, o que tem feito dano à humanidade, queriam acabar com o Protocolo de Kyoto", assim disse Morales sobre o episódio de Copenhague.

O mandatário assegurou estar convencido de que a Mãe Terra, o planeta, a natureza "é o mais importante".

"Por que não debater nas Nações Unidas os direitos da Mãe Terra", ao igual que se emitiu a Declaração Universal dos Direitos Humanos, perguntou o chefe de Estado.

E é que o capitalismo não entende, quer seguir destroçando o meio ambiente, e a mudança -precisou- lhe concede bônus aos países subdesenvolvidos para explorar seus recursos naturais.

"É como mercantilizar, privatizar nossos bosques, nos países pobres de Sulamérica", exclamou, ao mesmo tempo em que abogó porque os países da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA) levem de conjunto sua postura ao encontro na América do Sul.

"Antes de ir a Durban deveríamos reunir-nos, primeiro nossos chefes negociadores em mesas de trabalho, e depois os presidentes, para levar uma só voz e defender os direitos da Mãe Terra", considerou o estadista.

A aliança está integrada por Venezuela, Bolívia, Cuba, Equador, San Vicente e as Granadinas, Nicarágua, San Cristobal e Neves, Dominica e Antigua e Barbuda.

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