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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Dilma esta fazendo o que FHC não conseguiu: entregando nosso petróleo


por  Emanuel Cancella

O 'Desinvestimento' de Dilma&Foster é sem licitação. Os valores são decididos na surdina, a portas fechadas, entre banqueiros, megaempresários, testas de ferro e representantes das multinacionais do petróleo.   Assim como a escolha dos compradores.

A presidenta Dilma repete em seus discursos populistas que país rico é país sem pobreza. Mas, na prática, não está erradicando a pobreza no país e, sim, as nossas riquezas.

Ao apagar das luzes de 2013, Dilma autorizou a venda de 35% do bloco Parque das Conchas, na Bacia de Campos, por US$1,6 bilhão. Esse campo produz 50 mil barris de petróleo por dia. Para se ter uma ideia, essa produção é mais do que o consumo diário de países como Uruguai, Paraguai e Bolívia.

Quem vai abocanhar 75% desse negócio é a Shell, dos ingleses e holandeses.
A negociata não surpreende. Na retrospectiva de 2013, a Revista Época já destacava a cumplicidade de olhares entre a presidente da Petrobrás Maria das Graças Foster e o representante da Shell, durante o leilão de Libra.

Dilma já superou de longe FHC. O ex-presidente tentou de todas as formas, mas não conseguiu privatizar a Petrobrás. Esbarrou na maior greve da história dos petroleiros, em maio de 1995, que paralisou o país por 32 dias. FHC teve que recorrer a artifícios para facilitar o desmonte da empresa. Dividiu a Petrobrás em Unidades de Negócios, com a intenção de vender a companhia aos pedaços. O máximo a que chegou foi repassar à iniciativa privada 30% da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Porto Alegre, fatia depois recomprada, no governo Lula.

Ao assumir como herdeira de Lula, em 2010, Dilma adotou o discurso que poderia distingui-la de Serra e garantir os votos para a conquista da presidência. Afirmou que “leiloar o pré-sal era um crime e que o pré-sal representava o nosso passaporte para o futuro”. No entanto, seu governo está destruindo a Petrobrás e entregando a petrolíferas estrangeiras o nosso petróleo, indo muito além do que seu antecessor e suposto adversário político jamais sonhou.

Na gestão iniciada por Maria das Graças Foster à frente da Petrobrás, amiga  pessoal de Dilma, foi criado o Plano de Desinvestimento, sob o argumento de que eram necessários recursos abundantes para investir no pré-sal. Anunciou-se, a princípio, que seriam vendidos ativos na área internacional. Mas o fato é que o governo Dilma está vendendo as melhores áreas do pré-sal!     A começar pelo Campo de Libra.

O 'Desinvestimento' de Dilma&Foster é sem licitação. Os valores são decididos na surdina, a portas fechadas, entre banqueiros, megaempresários, testas de ferro e representantes das multinacionais do petróleo.   Assim como a escolha dos compradores.

Dilma&Foster agem como se estivessem transacionando bens próprios e não o patrimônio nacional. Muitas vezes tomamos conhecimento da venda de ativos da Petrobrás em discretas colunas nos jornais. Foi o caso do Parque das Conchas, o filé mignon da Bacia de Campos.


O Brasil chegou à condição de grande produtor de petróleo, graças à luta do povo e ao empenho dos trabalhadores da Petrobrás, desde a campanha “O Petróleo é Nosso”, em 1940-50. O ouro negro poderia estar sendo utilizado para resolver os graves problemas sociais da nação brasileira. No entanto, o governo que prometia o novo é apenas uma continuidade medíocre da velha política.

Emanuel Cancela é diretor do Sindicato dos Petroleiros do RJ e coordenador da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP)


Fonte  Correio da cidadania 

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