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terça-feira, 8 de maio de 2012

A historiografia brasileira precisa ser reescrita. A que termos chegaremos?!


 Após o desenrolar de fatos, notas  e outros registros  narrados pelos jornalistas Marcello Neto e Rogério Medeiros, sobre a ditadura e seus crimes algo de fato difuso está por vir.   Ou não!

Pelos idos dos  anos 70, em seu princípio,  as intensas perseguições e segregações, que culminaram com prisões  e  torturas seguidas por  assassinatos  eram muito comuns, a propósito assaz corriqueiras.   As similaridades dessas práticas com aquelas difundidas pelo nazistas saltavam aos olhos de muitos, todavia  em termos historiográficos,  parecia  nada acontecer que lembrasse os horrores  levados a cabo por Hitler, seus comparsas e  admiradores.

 Tentar tachar aqueles idos  ou anunciá-lo e identificá-lo como próximo a um   regime genocida e terrorista era considerado um exagero, uma  blasfêmia.   Um absurdo incomensurável tipificado como  acusação infundada e  infame.

Todavia a morte  estava ali fria e assídua como os nazistas que ceifaram milhões de seres humanos em sua loucura  em defesa de uma suposta superioridade racial.  Uma porção, não pouco  considerável dos militares, “ anos de chumbo”,  comungaram  com essa teoria estúpida e medíocre.  O mesmo fenômeno  estúpido  que fazia alavancar  e  prosperar  na Alemanha da segunda metade do século XIX as  “ Associações Gobinistas”.  Elas estavam por lá e multiplicavam-se  na calada da imprensa.  Havia  uns poucos que  as denunciavam.  Mas não foi suficiente.

A queima de cadáveres para que não fossem posteriormente  identificados  era  algo muito  comum entre os nazistas e, hoje sabemos, também praticada  pelos militares brasileiros . Marcelo e Rogério, ambos jornalistas brasileiros  de hoje, confirmam a existência do fenômeno em suas narrativas contidas na obra Memórias de uma guerra suja.


 O rito, o modus operandi era o mesmo.   A ideologia portanto era a mesma.  Tal qual os raciialistas, como Arthur de Gobineau,  tão difundido, como já      mencionei  na  Alemanha de Bismarck,  influenciaria os nazistas com sua tese de superioridade ariana  durante o século posterior, os torturadores da ditadura se alimentavam pelo mesmo tipo de interpretação, portanto pela mesma essência de pensamento.

O livro tem nesse sentido uma importância  extremamente especial pois  anuncia que muito ainda há por descobrir.  Milhares de acontecimentos, que envolviam  as concepções, contradições e  ações  de  muitos militares e seus colaboradores diversos,  sequer foram registrados pela historiografia oficial.      A história de grandes e notáveis teoristas é, muitas vezes, a de homens que foram alvo de grande irrisão.  Muitos que, inclusive nos atuas dias, se propõem a discorrer sobre  tais temas são vitimados em intenso bombardeio de escárnio.

Aqueles que assim pensam , que portanto os combatiam  não possuíam a mesma sensatez e sutileza de espírito, nem a mesma caridade .  Quantos não atacaram  os que não concordassem com suas  caracterizações .  Os processos que atuaram e atuam nos nossos dias são  os mesmos de eras transitadas.    Aquela máxima de Marx, ao se referir as relações humanas:   "A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”, é muito atual.

Aquela velha política de se opor a abertura dos arquivos, defendida por muitos , inclusive até por  algumas personalidades  tidas  como democráticas, esconde algo mais grave.  A direita, seus colaboradores  e suas vertentes mais arraigadas,  será que têm algo a esconder?    Parece que há algo de estranho no ar!!


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