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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Cultivos transgênicos: entre detratores e defensores.

Havana - A Argentina e o Brasil encabeçaram durante o ano de 2011 na América do Sul os países que aumentaram os cultivos transgênicos, superando assim - ao lado da China, Índia e África do Sul - em mais de duas vezes o registrado pelos países desenvolvidos.
 

Um relatório do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agro biotecnológicas (ISAAA, por sua sigla em inglês), indicou que a Argentina, um dos principais produtores, atingiu 23,7 milhões de hectares dedicados a essa modalidade em 2011.

Essa cifra representa 14,8% da área total cultivada com transgênicos e um aumento do 3,5% em relação ao ano anterior.

 Até hoje, é o terceiro país que mais produtos modificados geneticamente usa no mundo, mas o governo prevê em seu Plano Estratégico Agroalimentário elevar a colheita às 160 milhões de toneladas para 2020, desde os 100 milhões atuais.

 "O avanço científico é de tal magnitude e de tal velocidade que coisas que nos pareciam mágicas ou impossíveis até muito pouco tempo, hoje se realizaram, multiplicando a produtividade através da ciência e da tecnologia, como nunca antes visto", assegurou recentemente a presidenta da Argentina, Cristina Fernández.

 Segundo o ISAAA, a Argentina autorizou em 2011 o plantio comercial de três variedades de milho e duas de soja, com o qual completou uma lista de três tipos desse cereal, 16 de milho e três de algodão aprovados até o momento. Para a próxima safra, têm previsto plantar 38 milhões de hectares de soja geneticamente modificada com a técnica de plantio direto. Esta superfície representa mais de 65% da área agrícola do país.

 Brasil, por sua vez, foi em 2011 o motor da expansão mundial no cultivo de transgênicos e pode deslocar nos próximos anos os Estados Unidos como primeiro produtor do planeta, de acordo com o ISAAA, uma ONG especializada em biotecnologia da agricultura.

 As estatísticas indicam que o país nórdico liderou esse ano a produção agrícola de organismos geneticamente modificados (OGM) com 69 milhões de hectares plantados, seguido do Brasil, com 30,3 milhões, Argentina com 23,7 e Índia com 10,6.

 O gigante sul-americano registrou uma expansão do 20% nas plantações transgênicas, em comparação a 2010, o que representou 4,9 milhões de hectares a mais.

 Para Clive James, presidente do ISAAA, a liderança do Brasil é devida "ao modelo desenvolvido no país, de rápida aprovação das sementes, e pela capacidade de desenvolver suas próprias tecnologias".

 "Demorará um tempo para que alcance os Estados Unidos, mas acho que a vontade política está aí e o objetivo é aumentar a produtividade através da biotecnologia, tanto para seu mercado interno como para suas exportações, especialmente à China, seu primeiro sócio comercial. Além disso, está contribuindo com novas modalidades transgênicas, como por exemplo a cana de açúcar", acrescentou.


 Dita instituição informou que a taxa de crescimento dos cultivos geneticamente modificados nos países em desenvolvimento em 2011 foi de 11%, equivalente a 8,2 milhões de hectares.

 Tal quantidade mais que duplicou o aumento experimentado pelas nações industrializadas, que foi de cinco por cento, uns 3,8 milhões de hectares.

 Em seu relatório, o ISAAA agregou que, no ano passado, o aumento nos países em desenvolvimento representou metade dos cultivos transgênicos globais, e se espera que este ano supere o número de hectares cultivados pelos industrializados.

 Mundialmente, em 2011 foram plantados 12 milhões de hectares a mais que em 2010, o que representa uma taxa de crescimento anual do oito por cento, atividade liderada por Argentina, Brasil, China, Índia e África do Sul, que, em conjunto, constituem 40% da população do planeta.

 Ainda que especialistas e ecologistas enfatizam que a segurança dos produtos transgênicos ou geneticamente modificados não está comprovada cientificamente, ao todo foram cultivados 160 milhões de hectares por parte de 16,7 milhões de agricultores em 29 nações.

 OPINIÕES E INTERESSE EM CONFLITO

 Desde o início de sua comercialização em 1996, foram adotadas mais de 100 milhões de decisões para plantar e replantar uma cifra superior aos 1,25 bilhões de hectares com transgênicos, uma área 25% maior que a dos Estados Unidos ou China.

 Montse Arias, co-fundadora da Associação Vida Sana (Vida saudável em espanhol) e diretora da revista The Ecologist para Espanha e Latino-américa, comentou em um artigo que, devido à cumplicidade entre os governos e a indústria da biotecnologia, os transgênicos continuam sendo comercializados livremente sob o amparo da lei.

 Estas novas criações genéticas nunca fizeram parte dos alimentos consumidos pelo homem e suas consequências para a saúde, o meio ambiente e inclusive ao sistema agrícola, são dificilmente imagináveis a partir da perspectiva atual.

 Inclusive as empresas de seguros informaram há vários anos que não assegurariam a liberação ao ambiente de organismos manipulados geneticamente, contra a possibilidade de dano ambiental catastrófico a largo prazo.

 O argumento é lógico: a indústria ainda carece de uma ciência de avaliação de risco ecológico preditivo, com a qual julgar o risco de determinada introdução.

 O perigo começa quando o conhecimento biotecnológico fica em mãos e sob controle das indústrias para usos comerciais, sem considerar a repercussão na saúde e no meio ambiente.

 Tais artifícios são utilizados pelos gigantes sojeiros: Noble, Nidera, Cargill, Grobocopatel, Molinos, Bunge, Aceitera Geral Deheza e Vicentin, entre outros, que, segundo os entendidos, utilizam agrotóxicos nocivos para os seres humanos.

 Além disso, mentem e envenenam às pessoas com o aval dos grandes meios de comunicação, que omitem dados relevantes sobre pesquisas científicas que documentam o perigo desses produtos químicos.

 Câncer, infertilidade, abortos, malformação fetal em seres humanos e animais; e mutações biológicas e genéticas de todo tipo que destroem a saúde das pessoas, são algumas das sequelas destacadas como argumento contra dos transgênicos. Não é por uma questão de devoção que a União Europeia proíbe a entrada em seu território de qualquer carregamento de cereais, plantas ou vegetais transgênicos ou que apresentem algumas de suas características.

 No entanto, seus defensores afirmam que esses tipos de cultivo resistem melhor às secas, ao frio, às doenças e agrotóxicos, e têm maior produtividade. Também propõem que podem ser usados para aumentar o conteúdo nutricional dos alimentos.

 Para eles, são decisivos no desafio de alimentar à população mundial que deve atingir a cifra de nove bilhões de pessoas em 2050.
Fonte: Prensa Latina

 * Jornalista da Redação da América do Sul da Prensa Latina.

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