Somos Todos Lúcio Flávio Pinto- Os mais de 30 processos judiciais
movidos contra Lúcio Flávio Pinto desde os anos 1990 representam uma tentativa
de inviabilizar a produção do jornal alternativo que denuncia fraudes e
desmandos de empresários e grupos de poder locais.
O jornalista Lúcio Flávio Pinto
edita o “Jornal Pessoal” há 25 anos (Foto: Miguel Chikaoka)
Reconhecido no final do ano
passado com o Prêmio Especial Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos,
entre as várias homenagens recebidas por seu trabalho nos últimos anos, o
jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, que edita há 25 anos o Jornal Pessoal,
foi novamente condenado pelo judiciário paraense. Desta vez, ele deverá pagar a
quantia de R$ 410 mil (ou 600 salários mínimos) ao empresário Romulo Maiorana
Júnior e à empresa Delta Publicidade S/A, de propriedade da família dele,
também detentora de um dos maiores grupos de comunicação da Região Norte e
Nordeste, as Organizações Romulo Maiorana.
A decisão da desembargadora
Eliana Abufaiad, que negou o recurso interposto pelo jornalista no primeiro
semestre de 2012, data de 21 de novembro de 2012, mas foi publicada apenas em
22 de janeiro com uma incorreção e, por causa disso, republicada nesta
quarta-feira, dia 23. O jornalista vai recorrer da decisão, tentando levar o
caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas teme que a condenação seja
confirmada.
Romulo Maiorana Júnior alega ter
sofrido danos morais e materiais devido à publicação, em 2005, do artigo “O rei
da quitanda”, no qual o jornalista abordava a origem e a conduta do empresário
à frente de sua organização. Por causa desse texto, em 12 de janeiro do mesmo
ano, Lúcio Flávio foi agredido fisicamente pelo irmão do empresário, Ronaldo
Maiorana, junto com dois seguranças deste em um restaurante de Belém.
Depois da agressão, o jornalista
também se tornou alvo de 15 processos judiciais, penais e cíveis, movidos pelos
irmãos. Chegou a ser condenado em 2010 a pagar uma quantia de R$ 30 mil, mas
recorreu da decisão do juiz Francisco das Chagas. A recente decisão da
desembargadora Eliana Abufaiad, se confirmada, significará um duro golpe às
atividades desempenhadas por ele, que não dispõe de recursos financeiros para
arcar com as indenizações.




