A Justiça do Uruguai começará nesta segunda-feira (21) a ouvir um grupo de vítimas de tortura durante a ditadura militar no país. As audiências ocorrem menos de um mês após o presidente do Uruguai, o ex-guerrilheiro José Mujica, promulgar uma lei, aprovada no Congresso, que determina o fim da anistia para os crimes considerados de lesa humanidade.
Segundo organizações uruguaias de direitos humanos, devem ser ouvidos 35 denunciantes até dezembro. “Nós já tínhamos apelado à Justiça com base nos acordos internacionais assinados pelo Uruguai. Mas a aprovação da nova lei fez o juiz levar nossas denúncias adiante. Estamos surpresos com a rapidez com que nos convocou”, disse o ex-preso político Clarel de los Santos, de 60 anos.
A decisão tomada este ano pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pressionou o Uruguai a investigar crimes da ditadura. A lei foi apresentada pelos parlamentares da base governista, Frente Ampla, após a sentença da CIDH, em fevereiro passado. Antes dela, a anistia aprovada nos anos 80 e ratificada em dois plebiscitos (1989 e 2009), dificultava as investigações.