A deliberada negação de informações sobre o que vem
a ser Libra, seu "leilão" e dinâmicas, que culminaram por colocá-lo sob o controle de empresas
estrangeiras, decididamente representa uma marca indestrutível do caráter nefasto presente nos
Meios de Comunicação existentes
no Brasil. Tanto veículos grandes quanto pequenos, todos eles, prestaram-se a esse desserviço. Independente das matizes ideológicas que os
constituem, como frisa bem a matéria que
segue, a contribuição desses veículos
anulou e minimizou o impacto de
tão inaudito acontecimento. Ei-la. logo abaixo.
*******************************************************************************************************************
Paulo Metri- Um amigo me perguntou, assim que
soube do resultado do leilão de Libra, se ele tinha sido um sucesso ou um
fracasso. O interessante é que, em muitos momentos na vida, respostas curtas
não satisfazem. Comecei a explicar a ele que, se compararmos com a alternativa
de entregar Libra através da lei das concessões (no 9.478), o que ocorreu foi
um sucesso. Se compararmos com a alternativa de entregar o campo à Petrobras,
sem leilão prévio, para ela sozinha assinar um contrato de partilha com a União
em melhores bases para a sociedade, o ocorrido foi um fracasso.
Neste momento, vem a célebre
argumentação da falta de recursos da Petrobras. É verdade que o superbônus
definido pelo governo atingiu seu duplo papel de conseguir arrecadar recursos
para o superávit primário e de desalojar esta empresa da pretensão de ficar
sozinha com o campo. A curtíssimo prazo, segundo autoridades, a empresa tem
falta de recursos, sim. Mas, se ela passasse a ter, no seu portfólio, um campo
com mais de 10 bilhões de barris, considerando que sempre foi competente para
produzir petróleo, não teria a mínima dificuldade para obter financiamentos.
Com o superbônus, o governo trocou o benefício de satisfazer o superávit
primário, de curtíssimo prazo, por perdas que irão durar 35 anos.
Considerando os impactos para a
sociedade brasileira, a alternativa com a Petrobras, que está dentro da lei,
pois atende ao artigo 12 da lei no 12.351, é a melhor, à medida que ficamos com
100% do petróleo, assim como 100% do lucro. Não sei se consegui, mas tentei
explicar ao amigo que o leilão ocorrido consistiu em um “meio fracasso” e um
“meio sucesso”. Meus amigos de esquerda dirão que foi um fracasso total. Quero
lembrar a eles que a manchete principal de um dos jornalões, no dia do leilão,
era que a lei dos contratos de partilha precisava ser reformulada, pois criava
grandes dificuldades. Obviamente, queriam o retorno das concessões para o
pré-sal.
Infelizmente, existe no nosso
país uma dicotomia também na mídia. Acho que a sigla PIG foi criada pelo
jornalista Paulo Henrique Amorim, representando o Partido da Imprensa Golpista,
que congrega a imprensa do capital. Aquela que busca iludir nossa sociedade
para colher o máximo de aceitação dela, contrariando até os seus próprios
interesses. Concordo integralmente com o criador da sigla PIG. Entretanto,
existe também, para mim, o PIP, o Partido da Imprensa Petista, que é sempre
favorável a qualquer decisão do governo Dilma. O PIP está mais em sites e, na
maioria das vezes, concordo com as posições que ele toma. Mas, na questão de
Libra, o PIP e a presidente se comportaram pessimamente. Não ouviram, não
dialogaram, quiseram “criar verdades”, igual aos manipuladores do PIG.
Não concluam que, por não apoiar
a posição neoliberal tucana, nem concordar com a posição privatista petista, eu
seria adepto da dupla Marina e Campos, até porque, possivelmente, eles devem
concordar com a posição tucana. Aliás, é sofrido ser de esquerda em um país
como o nosso, onde há total controle das massas através da disseminação abusiva
de posições de interesse do capital ou do governo, pelos meios de comunicação,
sobre quase todos os temas. Esta mídia irreal, incompleta e falsa não analisa
os fatos, omite opiniões, desvirtua acontecimentos e conclui, na maioria das
vezes, errado, não ajudando em nada a sociedade. Não há um debate público na mídia
sobre pontos relevantes.
O tema do destino dos royalties
tomou todo o tempo do noticiário e debates porque era indiferente para o
capital e, além disso, ajudava a esconder temas cuja conscientização era
inconveniente, como os modelos para exploração de riquezas minerais no Brasil.
Nada foi debatido sobre o monopólio, quando ele foi extinto, em 1995. Ouvia-se,
à exaustão, que no monopólio, por não haver competição, o monopolista irá
ofertar o produto com baixa qualidade e por preço alto. Isto é a mais pura
verdade, se for um monopólio privado.




















