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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer morre aos 104 anos


Niemeyer se foi.    Ficará, por certo, um grande vazio.  Um dos grandes brasileiros que se dedicou, com elevada proficiência, em defesa  da liberdade e do exercício da verdadeira   justiça  para a grande nação brasileira.

 Suas obtemperações, para muitos ácidas e carregadas de elevado inconformismo com o atual sistema e modelo econômico vigentes,  atingiam  o  âmago  e a verdade  avassaladora da crítica, antes preocupante e construtiva do que deletéria e inoportuna.

Minha primeira impressão e contato inicial  com  o pensamento de  Niemayer se deu por intermédio da obra de Jorge Amado.   E isso Já tem algum tempo.  Data do início dos anos 80.   Jamais me esquecerei da trilogia: Os subterrâneos da liberdade em que  Jorge Amado, reportando  ao Brasil dos anos trinta menciona , numa de suas  incontáveis  passagens espetaculares,  certa viagem de uma de suas personagens que, se dirigindo a cidade de Santos,  terminou  por dar uma carona    aquele humilde  operário que partia  em busca de seus ideais.  “ um homem  inteligente que dialogava  sobre temas dos mais diversos  com uma clareza  e profundidade  impressionantes “  assim frisou o jovem arquiteto, uma das personagens,  impressionado com o saber e eloquência  daquele jovem trabalhador.  O jovem arquiteto, assim asseverou Jorge Amado em sua grande obra, atinaria muito sobre  o que dialogaram durante o trajeto.     O destino do promissor arquiteto estava em curso.

Niemayer foi um gigante em defesa  do nosso país. Um comunista que  levou o nome do Brasil para o mundo.  Um magnífico brasileiro que cumpriu  seu papel.     Um  materialista histórico e um revolucionário na arquitetura das ideias e das Artes.

A matéria que segue abaixo reporta  a fatos  que demonstram quão determinado e  assíduo sempre fora ele.  Com aquela serenidade, uma de suas marcas e peculiar aos sábios, ele dispara com a lucidez da proximidade de um centenário que nunca mudou de lado.   Vamos a matéria?


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Após 34 dias de internação, arquiteto veio a falecer hoje (5), no Rio de Janeiro, em decorrência de uma infeccção respiratória; militante comunista histórico, Niemeyer cedeu seu prestígio ao Brasil de Fato, ao aceitar ser, desde à fundação do jornal, membro do nosso Conselho Político

 05/12/2012

da Redação

Após 34 dias de internação, Oscar Niemeyer morreu hoje aos 104 anos, às 21h55. De acordo com a equipe médica do Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, onde o arquiteto estava desde o dia 2 de novembro, ele veio a falecer em decorrência de uma infecção respiratória.

Há dias, Niemeyer, que em 15 de dezembro completaria 105 anos, vinha sendo submetido à hemodiálise e à fisioterapia respiratória. Ainda de acordo com a equipe médica, só perdeu a lucidez hoje pela manhã, quando foi sedado após a infecção ter sido constatada.

Leia abaixo entrevista exclusiva de 2005 que Niemeyer, à época com 97 anos, deu ao Brasil de Fato:



Lula podia ter feito mais, diz Niemeyer

João Alexandre Peschanski e Taís Peyneau

do Rio de Janeiro (RJ)


Sentado, em seu escritório em Copacabana, no Rio de Janeiro, Oscar Niemeyer balança a cabeça. “Cansamos de esperar as reformas que Lula prometia”, diz, comentando a crise do governo e do Partido dos Trabalhadores (PT). Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, o arquiteto revela que nunca teve ilusões em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo ele, chegou ao poder “cheio de ânimo”, mas sem um projeto para mudar radicalmente o Brasil.

Esboça um sorriso. Mantém-se otimista, pois “Lênin já dizia que sem sonhar as coisas não acontecem”. Segundo ele, Lula ainda pode “virar a mesa” e implementar ações efetivas contra a pobreza. Para tanto, sugere, deve tomar exemplo nos presidentes cubano e venezuelano, Fidel Castro e Hugo Chávez.

Segundo Niemeyer, mais do que nunca é preciso voltar-se à luta por mudanças radicais. Diante da possibilidade de transformar o mundo, outras atividades – até mesmo a arquitetura – perdem importância. Diz isso e caminha para a sala. Nas paredes, frases que escreveu. “Revolução”, “Terra para todos”, “Por um mundo melhor”. Ao lado, nas mesmas paredes, rascunhos e desenhos de suas obras.



Brasil de Fato – Apesar da queda do muro de Berlim, da dissolução da União Soviética e, agora, da crise do PT, o senhor continua a ser comunista. De onde encontra motivação?

Oscar Niemeyer – Deste mundo de pobres que nos cerca e até hoje espera por uma vida melhor.

O comunismo é a solução?

O comunismo resolve o problema da vida. Faz com que a vida seja mais justa. E isso é fundamental. Mas o ser humano, este continua desprotegido, entregue à sorte que o destino lhe impõe.

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Este obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 2.5 Brasil.