Niemeyer se foi. Ficará,
por certo, um grande vazio. Um dos
grandes brasileiros que se dedicou, com elevada proficiência, em defesa da liberdade e do exercício da verdadeira justiça
para a grande nação brasileira.
Suas obtemperações, para muitos ácidas e
carregadas de elevado inconformismo com o atual sistema e modelo econômico vigentes, atingiam
o âmago e a verdade
avassaladora da crítica, antes preocupante e construtiva do que
deletéria e inoportuna.
Minha primeira impressão e
contato inicial com o pensamento de Niemayer se deu por intermédio da obra de
Jorge Amado. E isso Já tem algum tempo. Data do início dos anos 80. Jamais me esquecerei da trilogia: Os
subterrâneos da liberdade em que Jorge
Amado, reportando ao Brasil dos anos
trinta menciona , numa de suas incontáveis
passagens espetaculares, certa viagem de uma de suas personagens que,
se dirigindo a cidade de Santos,
terminou por dar uma carona aquele humilde operário que partia em busca de seus ideais. “ um homem
inteligente que dialogava sobre
temas dos mais diversos com uma
clareza e profundidade impressionantes “ assim frisou o jovem arquiteto, uma das
personagens, impressionado com o saber e
eloquência daquele jovem trabalhador. O jovem arquiteto, assim asseverou Jorge Amado
em sua grande obra, atinaria muito sobre
o que dialogaram durante o trajeto.
O destino do promissor arquiteto estava em curso.
Niemayer foi um gigante em
defesa do nosso país. Um comunista
que levou o nome do Brasil para o mundo. Um magnífico brasileiro que cumpriu seu papel.
Um materialista histórico e um revolucionário na
arquitetura das ideias e das Artes.
A matéria que segue abaixo reporta a fatos
que demonstram quão determinado e
assíduo sempre fora ele. Com
aquela serenidade, uma de suas marcas e peculiar aos sábios, ele dispara com a
lucidez da proximidade de um centenário que nunca mudou de lado. Vamos a matéria?
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Após 34 dias de internação,
arquiteto veio a falecer hoje (5), no Rio de Janeiro, em decorrência de uma
infeccção respiratória; militante comunista histórico, Niemeyer cedeu seu
prestígio ao Brasil de Fato, ao aceitar ser, desde à fundação do jornal, membro
do nosso Conselho Político
05/12/2012
da Redação
Após 34 dias de internação, Oscar
Niemeyer morreu hoje aos 104 anos, às 21h55. De acordo com a equipe médica do
Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, onde o arquiteto estava desde o dia 2
de novembro, ele veio a falecer em decorrência de uma infecção respiratória.
Há dias, Niemeyer, que em 15 de dezembro
completaria 105 anos, vinha sendo submetido à hemodiálise e à fisioterapia
respiratória. Ainda de acordo com a equipe médica, só perdeu a lucidez hoje
pela manhã, quando foi sedado após a infecção ter sido constatada.
Leia abaixo entrevista exclusiva
de 2005 que Niemeyer, à época com 97 anos, deu ao Brasil de Fato:
Lula podia ter feito mais, diz
Niemeyer
João Alexandre Peschanski e Taís
Peyneau
do Rio de Janeiro (RJ)
Sentado, em seu escritório em
Copacabana, no Rio de Janeiro, Oscar Niemeyer balança a cabeça. “Cansamos de
esperar as reformas que Lula prometia”, diz, comentando a crise do governo e do
Partido dos Trabalhadores (PT). Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, o
arquiteto revela que nunca teve ilusões em relação ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, que, segundo ele, chegou ao poder “cheio de ânimo”, mas sem um
projeto para mudar radicalmente o Brasil.
Esboça um sorriso. Mantém-se
otimista, pois “Lênin já dizia que sem sonhar as coisas não acontecem”. Segundo
ele, Lula ainda pode “virar a mesa” e implementar ações efetivas contra a
pobreza. Para tanto, sugere, deve tomar exemplo nos presidentes cubano e
venezuelano, Fidel Castro e Hugo Chávez.
Segundo Niemeyer, mais do que
nunca é preciso voltar-se à luta por mudanças radicais. Diante da possibilidade
de transformar o mundo, outras atividades – até mesmo a arquitetura – perdem
importância. Diz isso e caminha para a sala. Nas paredes, frases que escreveu.
“Revolução”, “Terra para todos”, “Por um mundo melhor”. Ao lado, nas mesmas
paredes, rascunhos e desenhos de suas obras.
Brasil de Fato – Apesar da queda
do muro de Berlim, da dissolução da União Soviética e, agora, da crise do PT, o
senhor continua a ser comunista. De onde encontra motivação?
Oscar Niemeyer – Deste mundo de
pobres que nos cerca e até hoje espera por uma vida melhor.
O comunismo é a solução?
O comunismo resolve o problema da
vida. Faz com que a vida seja mais justa. E isso é fundamental. Mas o ser
humano, este continua desprotegido, entregue à sorte que o destino lhe impõe.



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