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sábado, 26 de outubro de 2013

Taiguara Souza: Resposta policial truculenta ‘ busca ocultar legitimidade da reivindicação’

Brasil - Diario Liberdade - Muitas são as ações atuais que têm sido associadas aos tempos de ditadura civil-militar.


Não só a Lei de Segurança Nacional de 1983, que voltou a ser consultada recentemente, mas também a ação violenta da polícia e a criação de novas leis com caráter ainda mais repressivos têm cerceado direitos fundamentais da Constituição, como o de reunião e manifestação. Nesta entrevista, o professor de direito penal do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) e membro da Comissão Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e do Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura, Taiguara Souza, aponta os principais problemas destas atuações dos poderes Executivo e Legislativo no Brasil desde as manifestações de junho.


Como você avalia todo este endurecimento em relação à prisão de manifestantes?

Nós observamos que há um traço comum nessa resposta do Estado às grandes manifestações que têm eclodido nas metrópoles do Brasil: o excessivo uso da força do aparato policial. Temos ações das instituições policiais que não condizem com as garantias e os princípios basilares do Estado democrático de direito. O que nós temos, na realidade, é o que chamamos de criminalização dos movimentos sociais. Essa resposta altamente truculenta e violadora dos direitos fundamentais busca ocultar a legitimidade da reivindicação, que é trazida por esses movimentos, organizada nessas vozes que se manifestam nas ruas. Sem dúvida, não há respaldo jurídico para o excesso. Em nenhum contexto, é possível tirar essa prerrogativa que qualquer cidadão tem.


Como você avalia o caso do casal de São Paulo que foi enquadrado pela Lei de Segurança Nacional. Esta lei ainda tem validade? Ela é legalmente adequada para a situação dos manifestantes?


Essa lei é de 1983. Cinco anos depois, foi promulgada a Constituição Federal e uma legislação desta natureza entra em conflito com o conteúdo da Constituição. Por uma série de razões essa lei, portanto, não pode prosperar. Primeiro porque a Constituição tem hierarquia sobre qualquer lei. Segundo porque, embora não tenha sido revogada de maneira expressa, ela não foi recepcionada pela Constituição. Quando saímos de um regime de exceção e entramos numa suposta democracia, aquela legislação anterior à nova Constituição, que demarca o Estado democrático de direito, entra em descompasso com a nova legislação. A doutrina chama isso de um fenômeno de não recepção da norma. Ainda que esteja em vigor, ela não pode ser aplicada porque está em descompasso com essa ordem jurídica que surge em 1988. Portanto, uma lei que é característica de um Estado ditatorial não pode vigorar em regime democrático.


sábado, 13 de julho de 2013

Pela livre manifestação popular


Abaixo a truculência policial

O Grupo Tortura Nunca Mais/RJ - GTNM/RJ que, há 28 anos, luta pela memória histórica do período da ditadura (1964-1985), pelo esclarecimento das circunstâncias de morte e desaparecimento dos militantes políticos daquele período, e contra todas as formas da violência atual, principalmente a estatal, participa do grande movimento popular que se alastra pelo Brasil contra todas as suas mazelas, e se pronuncia contra a truculência policial que se abate sobre os manifestantes.


O movimento que se iniciou em junho tomou uma grande dimensão e atravessa toda a sociedade brasileira São milhões de pessoas, de norte a sul do país, em passeatas pacíficas nas ruas, que estão se manifestando por melhorias na mobilidade urbana, na saúde e na educação, exigindo maior transparência no uso do dinheiro público, entre outras reivindicações.


O aspecto que mais deve ser destacado é a reação das polícias e das forças militares inclusive com o apoio de seus sistemas de informação a esses eventos. Em todos os contextos, a violência ultrapassou qualquer nível de aceitabilidade por parte de sociedade.


O exemplo da cidade do Rio de Janeiro, no dia 20 de junho, onde tivemos, certamente, a maior manifestação dos últimos tempos, é estarrecedor: Sobre os manifestantes, constituiu-se uma ação de repressão em larga escala, que utilizou todos os meios para, sistematicamente, agredir a população. Podemos falar tranquilamente numa suspensão de qualquer norma ou garantia individual ou coletiva que pudesse oferecer qualquer limite para essa ação. Mais parecia um Estado de Sítio, ou de Exceção, não declarado, sobre regiões inteiras do Centro da Cidade e de Bairros da Zona Sul. Os relatos colhidos informam ataques com bombas contra transeuntes em hospitais, bares e restaurantes, ou mesmo contra pessoas em praças a quilômetros das manifestações, assim como, prisões praticadas aleatoriamente. Assistimos ainda a dois casos estarrecedores, em que a polícia sitiou pessoas em prédios federais da UFRJ, e em restaurantes, em que foi preciso a intervenção de advogados da OAB/RJ para que essas pessoas pudessem retornar com segurança para suas casas.


Vale ressaltar também a desastrosa incursão no Complexo da Maré, após uma manifestação na Av. Brasil/RJ, nos dias 24 e 25 de junho, por policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Batalhão de Ações com Cães (BAC) e Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque). A ação resultou na morte de nove moradores e um sargento do Bope. A população ficou aterrorizada, as aulas foram suspensas nas escolas da região, o comércio local foi fechado, moradores ficaram sitiados em seus lares, casas e ruas ficaram às escuras e várias pessoas feridas. A justificativa oficial, como sempre, foi o combate ao tráfico e prisão de criminosos. Nada justifica esse massacre, com total desrespeito aos moradores da Maré.

Outra questão também tem nos estarrecido: a presença de elementos nitidamente fascistas nessas manifestações. Podemos chamar de um fascismo difuso e desorganizado, que atinge manifestantes de partidos e movimentos sociais. Eles têm sofrido agressões físicas e verbais, assim como têm de lutar fisicamente para manter erguidas suas bandeiras e portarem suas identificações políticas. Casos mais graves foram noticiados em abundância nas cidades de Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro.

Cabe ao GTNM-RJ denunciar a atitude absolutamente inaceitável do aparato repressivo do Estado. Entendemos que essa situação é insustentável, não pode jamais se repetir e deve ser seguida de uma ampla responsabilização de todos os agentes envolvidos nessa ação coordenada de repressão.

Denunciamos e repudiamos também o papel da grande mídia que de todas as formas tenta adjetivar os movimentos de forma negativa e caracterizá-los como criminosos. Em muitos momentos, as bandeiras e demandas dos movimentos sociais foram distorcidas ou parcialmente apresentadas.

Consideramos de fundamental importância que os movimentos sociais se incluam nestas manifestações com as suas reivindicações e, nesse sentido, o GTNM/RJ já está participando e percebendo a mobilização de vários setores organizados da sociedade.

Pela abertura de todos os arquivos da ditadura

Pelo cumprimento integral das decisões da OEA contra o Estado brasileiro

Abaixo a violência policial contra os manifestantes

Pela Vida, Pela Paz, Tortura Nunca Mais!

Rio de Janeiro, julho de 2013

Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro


Fonte:  PCB

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Dia de lutas terminou com milhares nas ruas, paralisações vigentes e ataques policiais no RJ.


Brasil - Diário Liberdade - Nos protestos de dia 11 enfrentaram-se dois interesses contrários: o dos governistas, que tencionam acalmar a tensão social e pôr sob seu controle os protestos, e de entidades de classe, que tentarão impulsar o protesto para patamares sólidos em favor das classes trabalhadoras. Entretanto, pautas da Globo e nacionalistas reacionárias ficaram em casa.

O dia 11 de julho foi definido pelas centrais sindicais – CSP-Conlutas, Força Sindical, CUT, CTB, UGT, NCST, CGTB, CSB – como um dia de greves, paralisações e manifestações de rua em diferentes âmbitos. Os Estados em que a adesão à jornada de paralisação foi maior foram Rio Grande do Sul, São Paulo, Bahia e Pernambuco.

A jornada de mobilização, apesar das suas carências, era impensável faz algumas semanas em um Brasil em pleno momento protagonista no cenário capitalista global. A pauta das mobilizações que decorreram incluiu aumento de investimento em segurança, educação e saúde pública, reivindicações trabalhistas (redução da jornada de trabalho e fim do fator previdenciário), reajuste digno para aposentadas e aposentados, fim do projeto de Lei 4330 que amplia a terceirização, fim dos leilões de petróleo e retomada da reforma agrária.

Os transportes, junto com a indústria, educação e mesmo portos, foram as categorias que mais pararam ao longo do país. Em BH, metrô fechou na noite de quarta feira para não abrir até sexta. Ainda, com serviços de transporte rodoviário totalmente paralisados em cidades como Vera Cruz (RS), entre outras, aulas foram diretamente suspendidas ou não puderam acontecer, graças à adesão à jornada de greve de professores e professoras de diferentes níveis. Na indústria pararam importantes centros, como a fábrica da General Motors em São José dos Campos.

A maior parte das grandes cidades tiveram protestos ao longo da tarde, como no caso do Rio de Janeiro, onde a manifestação terminou com violência após ataques da PM. Em Brasília, São Paulo, Belo Horizonte ou no próprio Rio de Janeiro, entre outras cidades, foram milhares a responder a convocação. Na capital paulista, onde 7.000 pessoas (segundo a PM) protestaram no início da tarde, permanece cercado o edifício da Rede Globo.



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