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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Francis Dupuis-Déri: 'Black blocs são politizados e expressam revolta contra injustiças sociais'

Diario Liberdade-Estudioso dos jovens mascarados, Francis Dupuis-Déri defende que a tática é uma reação à violência policial, e nasceu na Alemanha de 1980 da convicção de que é preciso ir além das passeatas.



“É preciso perturbar e reagir quando a polícia ataca o povo.” Essa é uma das explicações que o cientista político Francis Dupuis-Déri elaborou sobre os black blocs durante os mais de dez anos em que estuda a tática dos jovens mascarados que se infiltram nas manifestações populares para atacar símbolos do capitalismo. “Apenas uma ínfima parcela da elite controla os negócios globais. Existe um sério déficit democrático no mundo. As pessoas estão revoltadas e consideram que já não basta se manifestar pacificamente.”

Professor da Universidade de Québec em Montreal (Uqam), no Canadá, Dupuis-Déri conversou com a RBA por e-mail. Respondeu a perguntas sobre a origem histórica dos black blocs, na Alemanha Ocidental, nos anos 1980, e sobre como tem sido a repressão à tática em outros lugares do mundo. Na entrevista, ficamos sabendo que os governos de São Paulo e Rio de Janeiro não foram os únicos a ferir as liberdades civis na tentativa de reprimir o descontentamento dos black blocs. “Os conflitos políticos se polarizam e o Estado age de maneira burra, através da repressão policial e da detenção dos dissidentes.”

Dupuis-Déri é autor de Les Black Blocs, já na terceira edição, e Who's Afraid of the Black Blocs? Anarchy in Action Around the World, que pode ser traduzido como Quem tem medo dos black blocs? Anarquia em ação ao redor do mundo. Embora à distância, tem olhado com atenção para as recentes movimentações dos black blocs no Brasil e no Egito. E não parece surpreso com a multiplicação da tática ao redor do mundo. “O blackbloc é facilmente reproduzível”, diz, ressaltando um dos problemas do grupo: a infiltração. “Na Alemanha, neonazistas organizam black blocs dentro de suas próprias manifestações.”

O que é o black bloc? Um movimento? Uma tática? Uma performance?

Black bloc é simplesmente uma tática, uma maneira de se organizar dentro de uma manifestação. Consiste em se vestir de preto para garantir um certo anonimato. Pelo que conheço, a maioria dos black blocs desfilam com calma nas manifestações. A simples presença deles forma, de certa maneira, uma bandeira preta, símbolo do anarquismo. Vale lembrar que os sindicatos fazem coisa semelhante quando se manifestam: eles se agrupam atrás de faixas, com bandeiras, para que todos os seus membros andem juntos. Nesse sentido, com o black bloc é a mesma coisa.

Quando, como, onde e por que surgiram os black blocs?

O black bloc como forma de ação – ou seja estar vestido de preto e mascarado – surgiu na Alemanha Ocidental por volta de 1980. A tática apareceu dentro do movimento “Autonomen”, que organizava centenas de ocupações políticas e lutava contra a energia nuclear, a guerra e os neonazistas. Os black blocs alemães defendiam as ocupações de prédios contra as expulsões da polícia e se confrontavam com os neonazistas nas ruas. A estratégia black bloc se propagou no Ocidente através da música anarcopunk e de grupos antirracismo. A ampla cobertura midiática das manifestações antiglobalização de Seattle, nos Estados Unidos, em 1999, também contribuiu para a difusão da tática, assim como a internet o faz hoje. A questão, aqui, é que o black bloc é facilmente reproduzível.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

LATUFF É MEU AMIGO, MEXEU COM ELE, MEXEU COMIGO!


Lamentavelmente esse é quase sempre o desfecho para  todos que tentam desmascarar   o status quo.  Não serão, todavia, invectivas e assassinatos que impedirão a liberdade de expressão e a  proclamação da verdade.  Na  história do  homem moderno há incontáveis  momentos  em que os poderosos, ao se lançarem ávidos na perpetuação de seus feitos, quase sempre  pérfidos, destruidores e  de profundo desrespeito as causas humanas, provocam  gigantes  frustrações no comportamento e natureza da raça humana.

Quando alguém disse que  aqueles que tremem de indignidade diante de uma injustiça é um revolucionário, este foi apenas verdadeiro e humano.  É, isso  ocorre.  Ainda bem que existem  muitos  que não têm  receios e nem  rodeios  sobre aquilo que acreditam; E o que é melhor  fazem e conquistam seguidores.     Viva  Latuff!!!


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(Ivan Pinheiro)

Carlos Latuff está entre aqueles que lutam contra a opressão do capital e por uma sociedade justa e fraterna. Antes de tudo, é um humanista, internacionalista e revolucionário, que sofre as dores dos oprimidos, seja onde for.

Militante corajoso, independente, coloca sua arte, sempre inteligente e radical (no bom sentido da palavra), a serviço da esquerda de todo o mundo e da humanidade. Uma charge de Latuff vale mais que muitos manifestos, fala por si, emociona.

Mais uma vez, Latuff está ameaçado de morte.

Justamente indignado com a violência policial, fez, em suas próprias palavras, uma “provocação” em torno do assassinato de um casal de PMs paulistas.

Por mais que a emoção o tenha levado a exagerar o tom da “provocação”, temos a obrigação política e moral, os revolucionários e progressistas, de lhe prestar solidariedade e blindá-lo diante das ameaças de que tem sido vítima, por parte de fascistas que tentam se aproveitar de um momento de compreensível destempero verbal do nosso Latuff.

É bom que saibam os que o ameaçam do carinho que lhe devotam um incalculável número de pessoas e organizações políticas e sociais no mundo todo.

E que depois do “Cadê o Amarildo?”, os matadores, com ou sem farda, de carreira ou de aluguel, vão ter que pensar muito antes de assassinar covardemente um ser humano, seja ele um pedreiro ou um artista. Não mais os deixaremos em paz, a cada covardia.

Com nossa solidariedade, sabemos onde estará por muitos anos o jovem Latuff: numa prancheta, com sua pena implacável contra as opressões e em nossas manifestações contra elas, com a alegria dos que lutam por uma sociedade onde todos nos possamos chamar de companheiros.

* Ivan Pinheiro é militante comunista (PCB-RJ)

fonte: site PCB


quarta-feira, 10 de julho de 2013

Jornalista em Sergipe é condenado à prisão por escrever crônica ficcional



Sindijor

Apesar de o texto ser em primeira pessoa e não ter indicação de locais e datas, um desembargador do TJ, cunhado do governador Marcelo Déda, sentiu-se ofendido, pediu a prisão do jornalista e juiz atendeu.

A Justiça em Sergipe acaba de condenar o jornalista José Cristian Góes a sete meses e 16 dias de detenção. O crime cometido por ele: ter escrito uma crônica ficcional sobre o coronelismo.

Mesmo sendo um texto em primeira pessoa e sem citar nome de ninguém, o desembargador e vice-presidente do Tribunal de Justiça Edson Ulisses, alegou que se sentiu pessoalmente ofendido pela expressão “jagunço das leis” e pediu a prisão do jornalista por injúria.

Apesar de todo o processo ter sido presidido pela juíza Brígida Declerc, do Juizado Especial Criminal em Aracaju, a sentença foi assinada no último dia 04 de julho pelo juiz substituto Luiz Eduardo Araújo Portela.

“Esta é uma decisão em primeira instância. Vamos ingressar com os recursos. Em razão de ser uma sentença absurda, não acreditamos que ela prospere, mas se for o caso vamos até o STF em razão da decisão ferir gravemente à Constituição Federal, e quem sabe, podemos ir até ao CNJ e as Cortes Internacionais de Direitos Humanos”, informou Antônio Rodrigo, advogado de Cristian Góes.

Os sete meses e 16 dias de detenção foram convertidos pelo juiz Eduardo Portela em prestação de serviço a alguma entidade assistencial.

O desembargador Edson Ulisses, cunhado do governador Marcelo Déda (PT), alegou que a crônica literária intitulada “Eu, o coronel em mim”, escrita pelo jornalista Cristian Góes em maio de 2012 em seu blog, ataca diretamente o governador de Sergipe e a ele, por consequência.

Por isso, ingressou com duas ações judiciais. Na criminal, o desembargador pedia a prisão de quatro anos do jornalista. Na ação cível, solicita que o juiz estabeleça um valor de indenização por danos morais e já estipula os honorários dos seus advogados em R$ 25 mil.

Numa audiência, o desembargador afirma: “Todo mundo sabe que ele escreveu contra o governador e contra mim. Não tem nomes e nem precisa, mas todo mundo sabe que o texto ataca Déda e a mim”.

O advogado Antônio Rodrigo provou com farta documentação que é completamente impossível na crônica literária assinada por Cristian Góes encontrar a mínima prova da intenção de ofender a honra de ninguém. “Esse ‘alguém’ não existe no texto. Não é uma questão de interpretação. A figura do injuriado não existe”, disse o advogado.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Violência da direita nas ruas visa provocar golpe


Além da repressão policial, vandalismo e depredações, os legitimos protestos populares tem sido manchados por atos de violência e intolerância cometidos contra os militantes dos movimentos populares e partidos de esquerda. Estão ocorrendo agressões físicas, tomada e queima de bandeiras feitas por provocadores infiltrados levantando palavras de ordem e propaganda abertamente antidemocrática, reacionária e golpista.

Por trás de todos estes atos de violência e intolerância que a grande mídia está convenientemente minimizando, estão provocadores infiltrados (inclusive por forças policiais e setores empresariais) e extremistas de direita (nazistas, fascistas, militaristas, direitistas religiosos) tentando manipular e deturpar as legitimas manifestações juvenis e populares para degenerar-las em um movimento fascista e golpista e levar o país a uma nova ditadura. Tudo isso com o apoio velado do PiG (ou melhor dizendo, sendo sorrateiramente insuflado pela mídia golpista!).
Intolerância mancha ato na Paulista


Bandeiras foram queimadas e manifestantes com símbolos partidários acabaram hostilizados em passeata de comemoração à revogação do aumento das tarifas de trem, ônibus e metrô

O clima tenso que veio se formando nos últimos dias em torno dos atos populares pelo país explodiu na Avenida Paulista com hostilidade entre manifestantes, especialmente contra os que decidiram levar símbolos de partidos políticos, e manchou aquela que deveria ser uma marcha de comemoração pela revogação do aumento da tarifa de ônibus, trem e metrô de São Paulo. Desde o começo houve uma divisão extraoficial por blocos, em que movimentos e tendências estavam definidos. Também no Rio de Janeiro houve hostilidade contra participantes que carregavam bandeiras da CUT.

“Sou brasileiro, sem partido”, disse um rapaz que tomou bandeiras partidárias, em especial do PT, de cidadãos que compareceram ao protesto. Na altura do prédio da TV Gazeta, próximo ao cruzamento com a Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, um grupo sentou sobre o pavimento e impediu que pessoas com símbolos partidários avançassem. Em seguida, bandeiras foram tomadas e queimadas. Segundo a Polícia Militar, uma pessoa ficou ferida.

Uma jovem que puxava um bloco com o uso de um megafone pedia que as pessoas fossem à rua contra “o governo”, mas não sabia especificar contra qual governo estava protestando. “Não, a gente não é anarquista. A gente é contra esse governo. Todos os governos corruptos, esses governos que aumentam a passagem do ônibus, que roubam, são corruptos.”

O próprio Movimento Passe Livre (MPL), organizador dos atos que resultaram na revogação dos aumentos, havia manifestado receio de que setores conservadores tentassem se apropriar das manifestações. Depois da quinta-feira (13), quando houve repressão policial às passeatas de São Paulo e Rio de Janeiro, marchas passaram a ser realizadas em todo o país, mas aos poucos foram surgindo bandeiras e grupos mais heterogêneos, que não tinham a qualidade do transporte público como prioridade.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Não deixemos que imprensa burguesa manipule as manifestações



PCO- A imprensa burguesa modificou seu discurso de quinta-feira passada para ontem. Aparentemente, a mudança foi radical. A baderna, a arruaça, passou a ser considerada uma livre manifestação da democracia.
 Até quinta-feira, a orientação era chamar os manifestantes de baderneiros e de ignorantes, mostrando apenas vidros quebrados, lixo queimado. Procurou-se mostrar também que o movimento era despropositado e que era impossível reduzir o preço da passagem, alegando-se que, qualquer que fosse a redução, seria o próprio povo a pagar por ela.

 O discurso de ontem passou a ser o da "democracia". O próprio governador, que vinha chamando os manifestantes de criminosos, passou a elogiar a manifestação, a democracia e a ordem com que ocorreram as passeatas. O comentarista do Jornal da Globo, Arnaldo Jabor, abandonou sua notória arrogância para "reconhecer" a legitimidade do movimento.

 É preciso, no entanto, ressaltar que essa mudança de discurso, provocada pela enormidade dessa última manifestação, não foi apenas um recuo. Trata-se sim de um recuo, mas de um recuo planejado. A ideia era aproveitar-se do movimento para caracterizá-lo como um movimento ordeiro, contra a corrupção.
 Lemos, nessas palavras, um movimento contra o PT, contra a PEC 37. Vez ou outra, mencionou-se os gastos para a Copa do Mundo. A imprensa tenta passar a mensagem de que as reivindicações populares são contra o governo central e contra o PT.

 E, quando a manifestação dirigiu-se contra o poder legislativo, com a tomada do Congresso Nacional, em Brasília, e o ataque à ALERJ, no Rio de Janeiro, essas movimentações foram tratadas com a mesma linguagem anteriormente usada contra todo o movimento.

 A jogada da direita, agora, é tentar manipular o movimento, colocando palavras de ordem nele, como "abaixo a corrupção", "punição aos mensaleiros" e, com isso, atraindo grupos de direita para o movimento. No Facebook, por exemplo, já existe um abaixo-assinado pedindo a renúncia de Dilma.

terça-feira, 18 de junho de 2013

MPL: “Não vamos permitir que parasitem a nossa pauta” .


Por Igor Carvalho.
Manifestantes acreditam que o número de 65 mil pessoas não é razoável, teriam sido pelo menos 100 mil 
 imagem: Internet

Depois da noite histórica daúltima segunda-feira (17), quando pelos menos 235 mil pessoas saíram às ruas pelo Brasil, setores da mídia tradicional passaram a divulgar e até mesmo “sugerir” novas pautas e reivindicações para os protestos, que originalmente surgiram para barrar o aumento da tarifa do transporte público.

Em entrevista à Fórum, Luiza Mandetta, integrante do Movimento Passe Livre (MPL) de São Paulo, reafirmou o compromisso com a pauta originária do movimento, que é o valor cobrado no transporte coletivo em São Paulo. “Não queremos e não vamos permitir que parasitem a nossa pauta.”

Fórum - Depois dos protestos de ontem, muito se falou nas redes sociais e se propagou por setores da mídia que as pautas de vocês são mais amplas, passando por temas como aumento da inflação, votação da PEC 37 e até impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Isso é verdade?
Luiza Mandetta - Não, não tem nada disso. Estamos na rua para barrar o aumento, para que a passagem retorne aos R$ 3. Esse negócio de colocar várias pautas e tentar pautar o movimento não nos agrada. Tem muita gente querendo colocar a própria pauta nos atos, e tentamos combater isso porque é um risco para nós. Não queremos e não vamos permitir que parasitem a nossa pauta e que as coloquem no meio, justamente agora que a manifestação está gigante.

Fórum – Se conseguirem barrar o aumento, o próximo passo pode ser requerer a gratuidade na passagem?
Luiza Mandetta – A gente tem um projeto que se chama Tarifa Zero, que na verdade é um projeto de lei de iniciativa popular que precisa da assinatura de 0,5% do eleitorado para ser colocado em pauta na Câmara. Da forma que está estruturado o transporte público, o aumento ocorrerá ano que vem da mesma forma. Queremos evitar isso, reverter essa lógica que trata o transporte como produto.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Jornalista que denunciava PMs é assassinado em MG


Conhecido por denunciar grupos de extermínio da PM na região do Vale do Aço foi assassinado com características de execução.
PCO-O jornalista Rodrigo Neto de Faria foi assassinado a tiros na madrugada deste sábado (9), por dois homens em uma moto. Faria era repórter policial em uma rádio e em um jornal e já havia recebido ameaças por conta das denúncias feitas contra policiais.

Rodrigo estava saindo de um bar que frequenta no bairro Canaã, por volta de meia noite e meia, quando dois homens em uma moto o pararam e fizeram cinco disparos, acertando dois no jornalista. A polícia ainda não aponta nenhum suspeito ou o que pode ter motivado.

Há uma semana o repórter havia denunciado à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do estado a relação de crimes na região com policiais. Além desta denúncia, ele já havia denunciado diversos casos de grupo de extermínio da PM.


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