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terça-feira, 21 de maio de 2013

Será um caminho sem volta?


É,  não foi dessa vez.    Os  especuladores do capital e da exploração dos trabalhadores  estão em festa.  A sociedade brasileira, muito provavelmente num futuro não muito distante, reportará ao dia em que o Congresso Nacional  praticamente ratificou a criminosa MP dos Portos.

As  lamentações virão.  Quiçá não  sejam a contento  e coerente  com  o   teor da gravidade de tamanha  entrega de tão  importante setor de nossa economia.  Mas estarão lá.

Decididamente  o PT não é mais o mesmo.  Aliás  seu comportamento, já há algum tempo, se aproxima cada vez mais  ao de um “tucano moderno”.  E esses são os piores!  Os mais cínicos. Aqueles que disparam com proficiência  discursos que agradam o setor privado especulativo e vão ao encontro do entreguismo disfarçado.

O Brasil  aprofunda sua subordinação ao controle do setor privado  e se entrega  a sorte das multinacionais que atuam no setor.    É, decididamente  isso  representa mais uma frustração e mais passos  na  direção da escravidão junto ao  capital internacional.   Bem que  poderia ser diferente!        Sim, havia outras alternativas.  Decididamente que sim.

Os tucanos privatizaram e  envergonharam a nação.  Será que chegou  a vez do PT  repetir tão detestável  fenômeno  retomando   essa prática tão nociva  ao povo brasileiro?  Rodovias, aeroportos, leilões da Petrobrás,..  se não ocorreram manifestos populares bem organizados virão os  do pré-sal  e depois  outros  e outros.      É o caos. 
Notáveis “empreendedores” privados nativos e estrangeiros  estão ávidos por novas e espetaculares rodadas.  Dilma tem se mostrado  assaz generosa  com  tais segmentos, muito ao contrário  do que se  esperava  de uma representante   de sua magnitude.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Fiscal que autuou a OGX foi punido e sofreu ataques da diretora da ANP.


horadopovo.com.br
Associação dos Servidores condenou as pressões, desagravou o servidor e denunciou outros casos na Agência “Nacional” do Petróleo



Em nota sobre a perseguição a Pietro Mendes, funcionário da Agência Nacional do Petróleo (ANP) que autuou a empresa OGX por operar no campo de Tubarão sem instalar válvulas de segurança - conhecidas como DHSV, iniciais de Downhole Safety Valve - em seus poços, a Associação dos Servidores da ANP (ASANP) denunciou a frequência, na agência, de "atos de retaliação contra servidores de carreira que tentam, e frequentemente não conseguem, desempenhar suas funções em defesa do interesse público. Altera-se uma nota técnica, um parágrafo, a lotação. Retira-se a autonomia funcional, a avaliação e capacitação. Promove-se a inutilidade, o isolamento, a vergonha, a ineficiência e o silêncio".

QUALIFICAÇÃO

A ASANP retrata sucintamente a vida interna da ANP e suas consequências: "O Assédio Moral contra servidores públicos compromissados; a premiação com cargos para os que se omitem diante de atos de corrupção; a manutenção de uma cultura onde a defesa do lucro das empresas é prioridade única; a morosidade no julgamento dos casos de improbidade administrativa e crimes contra a sociedade desenham um futuro medíocre para o país".

O caso de Pietro Mendes, realmente, não é único. Mas é especialmente vergonhoso, e, a poucos dias dos leilões da 11ª Rodada - em que a ANP quer torrar 289 blocos petrolíferos numa superfície de 155,8 mil km², em 11 bacias sedimentares que vão do Amazonas ao Espírito Santo - mostram como a diretoria da agência tenta sufocar qualquer tentativa de preservar os interesses nacionais. O servilismo e o fascismo nunca são fenômenos estranhos um ao outro.

O que fez Pietro Mendes, um funcionário altamente qualificado, com doutorado, trabalhos publicados, prêmios recebidos e ex-professor de uma universidade federal?

Desde novembro, por duas vezes, o superintendente de Segurança Operacional e Meio Ambiente da ANP, Raphael Neves Moura, enviou o Processo Administrativo 48610.006470/2012-77 - uma auditoria referente à OGX - para o funcionário Pietro Mendes, determinando que procedesse à sua análise.

Ao analisar o processo, o funcionário constatou "infração grave. O concessionário informava que não havia instalado válvula de segurança em poço submarino, o que poderia ensejar acidente ambiental grave" (ver nota da ASANP, 1º parágrafo).

Pietro Mendes, então, comunicou "ao seu superior imediato [o superintendente Raphael Neves Moura] que iria elaborar auto de infração. Nenhuma determinação em contrário foi manifestada na ocasião". O funcionário autuou a OGX. Como ele explica em sua resposta à nota da ANP "lavrar o auto de infração não significa multar a empresa. Quem aplica a multa é o Superintendente de Segurança Operacional e Meio Ambiente, Raphael Neves Moura, julgador de primeira instância. Quanto ao devido processo legal, respeitado o contraditório e a ampla defesa, é de responsabilidade do Superintendente de Segurança Operacional e Meio Ambiente, ou outro servidor por ele designado. Após a lavratura do auto de infração, o mesmo é encaminhado para que o Superintendente proceda o julgamento".

TESES

Porém, em vez de julgar o processo, o superintendente, misteriosamente, mudou de posição e, na ausência do funcionário (que estava em viagem a serviço), pediu à Procuradoria Geral da ANP que fundamentasse a anulação do auto de infração: "A Procuradoria apresenta um parecer onde defende as teses de que, para autuar, o servidor teria que ter prévia DESIGNAÇÃO para fazê-lo e, necessariamente ter estado presente NO LOCAL onde ocorreu a infração (Parecer 108/2013/PF-ANP/PGF/AGU)".

As duas teses são falsas. Pietro Mendes tem prévia designação para autuar, fornecida a ele nominalmente pela Portaria ANP nº 286/2011. Essa designação somente lhe foi cassada no último dia sete pela Portaria nº 91/2013 (cf. DOU, 07/05/2013).

 Quanto à presença no local, além de ser contra a praxe da ANP (ver as declarações do então diretor-geral, Haroldo Lima, e da atual, Magda Chambriard, no caso Chevron, HP 23/11/2011), quanto à válvula, era desnecessária por duas razões: a primeira é "que não é possível verificar in loco a presença da DHSV por conta da lâmina d’água", ou seja, a válvula é submarina - e a rotina da ANP não é contratar mergulhadores ou submersíveis para achá-la, mas fiscalizar tais dispositivos a partir de documentos da empresa.

Segunda razão, "a própria empresa informa que não instalou a DHSV, gerando a materialidade que se faz necessária para sua autuação. O que poderia ser mais efetivo do que a própria manifestação por escrito da empresa?" (cf. resposta de Pietro Mendes).

Quando chegou de viagem, o funcionário foi informado que o superintendente exigia sua "retratação" diante da equipe para que continuasse a trabalhar. Mas ele recusou e entrou na Justiça para garantir o seu direito de trabalhar. Em seguida, Pietro foi chamado para uma reunião com o superintendente "na qual lhe imputam inúmeras outras faltas (...); sob forte pressão emocional [Pietro] retira-se da reunião, informando que se a intenção era colocá-lo à disposição, que o fizessem, mas que não ficaria ouvindo acusações que considerava infundadas; no mesmo dia o superintendente convoca reunião com toda a sua equipe, sem a presença do servidor, e declara que aquele teria um comportamento desagregador e antiético e, por essa razão, o estava colocando à disposição" - sem processo administrativo.

SOLIDARIEDADE

Afastado de qualquer função, Pietro foi convocado a uma reunião com os superintendentes da SRH [relações humanas] e da SSM. Este último, seu chefe até pouco antes, diz que "estaria disposto a não solicitar abertura de processo de apuração de sua conduta mediante retratação por e-mail para outros colegas de área". Mas não consegue a anuência de Pietro Mendes. Em reunião solicitada pela associação de funcionários, esse superintendente diz a dois diretores da ASANP "que havia cancelado o auto de infração e que o próprio servidor havia solicitado sua transferência para a SRH", o que era, evidentemente, mentira. Tanto assim que ele conta outra no documento de transferência: "a razão da transferência do servidor reside na sua formação de químico".

Outro funcionário, Kerick Robery Leite de Sousa, que apontou a correção de Pietro Mendes, foi "chamado para uma conversa com a Diretora Geral e o Superintendente Adjunto da SRH. Nessa conversa a Diretora pergunta a esse servidor o por quê da defesa de seu colega Pietro, ‘se era seu amigo ou parente’; no mesmo dia esse servidor é comunicado de sua transferência (…). Seu computador é retirado para análise do NIN (núcleo de informática)".

O resto é conhecido: a ASANP tenta várias vezes falar com a diretora-geral. Depois de 15 dias, a diretora-geral responde que não tem tempo para receber a associação. Em seguida, a ANP divulgou uma furiosa nota com acusações contra Pietro Mendes. A diretora-geral, nas férias de Pietro, abre sindicância contra ele, nomeia um seu assessor direto para presidi-la, mas não o cita – até agora, Pietro Mendes não foi informado da sindicância nem acusado de nada. Permanece afastado de qualquer função na ANP.


fonte: site: PCB e hora do povo.com.br

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Dilma Rousseff e Graças Foster iniciam o projeto de privatização da Petrobrás


Como se não bastassem os leilões de petróleo, marcados para os dias 14 e 15 de maio pela Agencia Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis ( ANP), que vão entregar 30 bilhões de barris de petróleo, o governo brasileiro e a direção da Petrobrás entregarão os terminais secos da Transpetro (Osbra, Oslapa, Ospar, Tevol)

Os 30 bilhões de barris a serem leiloados na 11ª Rodada de Licitações da ANP são equivalentes a duas vezes a reserva provada da Petrobrás, sem o pré-sal e acima do PIB brasileiro.

Os terminais secos são os mais lucrativos no Sistema Petrobrás, provavelmente por serem processo automáticos que utilizam muito pouco a força de trabalho, diferente dos terminais molhados. O Brasil construiu sua malha de dutos durante anos, e com investimentos pesados de dinheiro público no setor. Tais recursos poderiam ter sido investidos em saúde, educação, segurança pública. Esse investimento é parte fundamental na logística de distribuição de derivados de petróleo no país. Vamos privatizar esses dutos para depois pagar para utilizá-los?

E mais: tais decisões estão sendo tomadas sem nenhuma discussão e acolhimento de opiniões da sociedade e seus representantes. As privatizações de Fernando Henrique Cardoso, que trouxeram tantos prejuízos aos brasileiros, eram precedidas de todo um arcabouço legal. Talvez por isso, FHC não conseguiu vender nenhuma unidade de negócio da Petrobrás. Graça Foster criou uma gerência que, ironicamente, leva o nome de Novos Negócios, que decide a venda de ativos: campos de petróleo, refinarias, terminais, entre outros.

Além de privatizar a Petrobrás, a gestão de Maria das Graças Foster deprecia a companhia: o diretor de Abastecimento da Petrobrás, Sr. José Carlos Cosenza, divulgou, em 15/02/2013, noticia na chamada principal do jornal Valor Econômico (um dos mais importante do setor econômico), com a seguinte declaração: “Petrobrás terá déficit comercial até 2020”. Se essa declaração mentirosa fosse feita numa empresa séria da administração pública ou numa empresa privada, o referido diretor seria sumariamente demitido. Mas Cosenza está em sintonia com o governo brasileiro e com a direção da Petrobrás.

Essa declaração do Cosenza, com certeza, causou mais prejuízo à Petrobrás do que os recentes vazamentos de óleo dos terminas. Nestes terminais, os operadores envolvidos estão sendo ameaçados de punição pelos prejuízos causados, mesmo o acidente tendo sido uma fatalidade. Agora, qual será a punição para o diretor Cosenza, autor de uma declaração desastrosa à imagem da Petrobrás?

A Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e o Sindipetro-RJ enviarão, urgentemente, ofício a respeito da situação dos terminais, com pedido de esclarecimentos. O Departamento Jurídico do Sindipetro-RJ, bem como o da FNP, estudarão a possibilidade de argüir, na Justiça e no Ministério Público, sobre a venda dos terminais e de todos os ativos da Petrobrás através da Gerência de Novos Negócios, bem como responsabilizará o Diretor de Abastecimento da empresa, José Carlos Cosenza, pelos prejuízos causados à imagem da Petrobrás.

Nesta sexta-feira (3), a FNP realizará atos nas bases da Transpetro para denunciar as “tramóias” contra a Petrobrás e os nossos terminais e iniciará discussão para desencadear uma jornada de luta.

Fonte: Surgente nº 1215-G (3/5/13), boletim do Sindipetro-RJ.

sábado, 20 de abril de 2013

Artigo de Emanuel Cancella: A Privataria Petista


Já se disse que  quando um homem fala do que não compreende para uma  multidão de pessoas que não entende  o que ele diz, ele está falando metafísica.   Esse chiste é bastante  oportuno  em face ao tema desse texto.                   Sim, ele  encerra  muitas verdades.

Ou  aquele  outro  mais   popular:  “esta   conversa é  fiada”.  Isso  faz-me lembrar de um  grande professor de língua portuguesa  que  certa manhã, no último  ano do ensino médio ,   legou-nos,  referindo-se naquele momento   a certos  fatos infundados. . .. ”são colóquios flácidos para acalentar  bovinos”.            Inesquecível!                          Lembro-me como se fosse   há pouco.

As questões  que   apontam para  as  expectativas , produção  e o patrimônio da Petrobrás   já acenderam grandes e   espetaculares   discussões.  Muitos se expressaram sobre  o tema, alguns com superficialidade, outros não.

A  análise e  observações, a propósito  muito preocupantes,  do diretor do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), Emanuel Cancella  podem causar    surpresas  irritação e confirmações   para  muitos, da mesma forma que podem provocar   frustrações  e decepções    em outros.  Algo, entretanto,   nisso tudo é certo.                  Ele não está falando  metafisicamente .  

 Demonstra  com  grande nitidez  que   aquilo que tantos  temiam   está em curso.  E com notável  precisão.  O velho e antigo   ponto de intersecção  entre tucanos e petistas está em operação.  E isso se faz sentir  em determinados  setores  da vida nacional.  A  grande maioria dos  observadores e analistas políticos de cunho  progressista, por outro lado, se esquivam ou  desdenham  tal  elucidação.

 É um  mecanismo  terrível.  Como disse recentemente a senhora Foster, é como um relógio. Terá a sociedade organizada forças para   freá-lo?  O exemplo vindo da Venezuela  não seria  suficiente para ensinar algo aos nossos  governantes?  

É,  como diz meu   ilustre  vizinho     Ceará:  “ a pancada é seca”.    Muitos brasileiros esperavam por  postura diferente  do  governo atual em face  a política  energética  e suas potencialidades.

 Muito também se falou, e isso ainda é forte, na  web e noutros veículos  de informação, sobre o entreguismo e a submissão internacionais,  marca indelével, e ao que se vê não exclusiva dos  tucanos neoliberais.

Leonel Brizola com aquele   nacionalismo que lhe era peculiar  e  na defesa dos interesses  nacionais denunciava  aquilo que os tucanos e os fascistas colaboradores da ditadura   mais gostavam de fazer:  ampliar  e acentuar aquilo que ele  denominava de  perdas internacionais.  Já  no final de seus dias  Brizola apontava,  com grande preocupação, os rumos  de algumas vertentes  esquerdistas  que possuíam, segundo ele,  condições de mudar o status quo   então vigente.

A questão parecia estar bem encaminhada pelo menos no discurso, dizia ele, quando  discursava  com sua  respeitável experiência  e grande  conhecedor  dos feitos de nossas elites.  Ele sabia do que falava.  Passara  anos de sua vida denunciando as vilezas e  sevícias  dessa classe social  apátrida.


Hoje, decididamente, é uma vergonha   ver tais expedientes em andamento   e  saber por antecipação as consequências  de tais  deliberações.  Os precedentes,  em casos como esse, são os piores.          A história tem mostrado isso.

Um  governo oriundo de um partido que nasceu junto aos movimentos populares, não deveria  esquecer seu histórico papel e, muito menos, se esquivar de  suas origens.

Certas  coisas  não há como separar.   Aquelas que aludem as questões  ideológicas são, por assim dizer,  complexas  e a sociedade não  entende e não aceita comportamentos  tão  imprevisíveis.             Imprevisíveis?             Será esse mesmo o termo adequado?    

Em tempo:   O mesmo Brizola, em meados dos  anos 90, mais precisamente em 1994,  disparou, como habitualmente o fazia quando  indagado:     "Eu é que vou fazer um chamamento às bases do PT. A cúpula do PT tem uma tendência irresistível para a direita, o que não ocorre com as bases."      "Vou fazer um chamamento especialmente ao eleitorado popular que tem votado por simpatia no PT". 
 É, isso  não é metafísica.                     Está mais para dialética.


Professor Jeovane

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Vamos sugerir ao jornalista Amauri Ribeiro Junior que escreva um novo livro sobre a “Privataria Petista”. A edição do segundo volume dessa história de privatizações seria importante para comparar os métodos tucanos e petistas, apontando aqueles que foram favorecidos. Quem foi prejudicado já se sabe, o povo brasileiro.

*Por Emanuel Cancella

Vamos sugerir ao jornalista Amauri Ribeiro Junior que escreva um novo livro sobre a “Privataria Petista”. Apesar de boicotada pela grande imprensa e proibida de circular pelos tucanos, a publicação foi um sucesso de vendas.  A edição do segundo volume dessa história de privatizações seria importante para comparar os métodos tucanos e petistas, apontando aqueles que foram favorecidos. Quem foi prejudicado já se sabe, o povo brasileiro.

Dilma serve uma sopa para os miseráveis do país e faz banquete para os ricos do mundo.  Em termos de valores, os petistas devem chegar à frente dos tucanos: só a 11ª rodada de leilão da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP, a ser realizada nos dias 14 e 15 de maio, envolve, segundo a própria ANP, algo estimado em 30 bilhões de barris de petróleo ou equivalente a três trilhões de dólares. No entanto, a Agência espera arrecadar com o leilão apenas bilhão de dólares.

Todos os valores envolvidos na  “Privataria Tucana”, somados (Vale do Rio Doce, CSN, Telebrás, Eletrobrás etc) não atingiriam os valores do que presidente Dilma, do PT, já está privatizando e ainda pretende privatizar,  o que inclui aeroportos, portos, estradas e agora o petróleo.

Além dos leilões marcados pela ANP – com reservas que equivalem a pelo menos duas Petrobrás – existo o plano de “desinvestimento” criado pela presidente da companhia, Graça Foster, que inclui o repasse a iniciativa privada de termoelétricas, usinas eólicas, pequenas centrais hidrelétricas e campos de petróleo.

Foster já está colocando em prática a venda de ativos. Em novembro de 2012 repassou para Eike Batista 40% do campo BS 04, da Bacia de Santos. O governo tucano, que chegou a dividir a Petrobrás em unidades de negócio para vendê-la fatiada, não conseguiu seu intento, mas Graça Foster já começou a venda de ativos. Já está vendendo o patrimônio da Petrobrás.

Graça que disse que, no passado, foi catadora de papel. Em julho do ano passado chegou a declarar a investidores, em Londres, que vai dedicar sua vida para recuperar os valores dos papéis da Petrobrás. Mas os papéis a que ela se referia são as ações da empresa. Diferente de Lula que durante seu governo se reunia todo ano, no Natal, com catadores de papel, Graça nega a própria origem e já “vendeu” um campo gigante de petróleo ao mega empresário Eike Batista. Agora diz que quer ajudá-lo nas dificuldades que enfrenta, no Porto de Açu, em São João da Barra, no norte fluminense. Em visita a Porto Alegre, declarou aos jornais gaúchos que “ainda pretendem fazer outras parcerias com o empresário Eike Batista”.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Estudo desnuda a exploração ocultada dos trabalhadores do petróleo em alto-mar



Oswaldo Sevá Filho - Os homens levantam muito cedo, em cidades tão distantes quanto Londrina (PR), Salvador (BA), Lajes (SC), Juiz de Fora e Uberlândia (MG), Campinas e Sorocaba (SP), e várias outras nos estados do Rio de Janeiro, da Bahia, do Espírito Santo. Vão quase todos para a cidade do Rio de Janeiro, alguns por via aérea, muitos em ônibus de linha. Têm que passar pela rodoviária Novo Rio, onde fazem a baldeação para o norte fluminense; ainda viajam mais três horas e tanto pela BR 101, num dos trechos mais mortíferos do país, após o término da pista dupla em Rio Bonito.

Na estação rodoviária de destino, Macaé ou Campos, pegam mais ônibus e vans até os heliportos mais movimentados do país, no litoral de Macaé e de Atafona – de onde vão finalmente “subir”. Ou seja: embarcar em helicópteros e voar ainda por meia hora, uma hora ou mais, até pousar em cada uma das dezenas de plataformas petrolíferas cravadas ou ancoradas no meio do alto-mar, de oitenta a quase duzentos quilômetros da costa. O quase desconhecido, e muito propagandeado, mundo do “off-shore”.



Ali passam duas ou três semanas embarcados. Cada vez mais os estrangeiros também embarcam nas plataformas e tripulam os navios de apoio, lançadores de tubos, de mergulho, rebocadores. São brigadas de noruegueses, alemães, italianos e outros europeus, de norte-americanos, árabes, orientais, que ficam no mar por mais tempo que os nacionais.



O tipo da alternância embarque/desembarque depende de quem os contratou, e do quanto topam ganhar em troca do trabalho e dessa aventura. Os regimes são de 14 dias no mar por 21 em terra para a maioria do pessoal mais estável, da própria Petrobrás. Para os outros, 14 por 14 dias; também depende de como fazem com o direito às férias, se “vendem” ou não. Os tempos de percurso de casa até o alto-mar e de volta pra casa, de muitas horas, dias, são descontados, naturalmente, do período “em terra”. No mar, trabalham todos feito doidos em grandes e apertadas fábricas químicas flutuantes; quando não fazem plantão, nos turnos de revezamento, ficam de vigília, em “stand by”, de sobreaviso a qualquer hora do seu sono ou do seu banho.



Sono? Dormem dentro das fábricas e navios, nas cabines, celas melhoradas; se forem subcontratados, das “empreiteiras”, pode ser que durmam em containeres no convés, celas pioradas. O dormir e o estar desperto são para eles noções totalmente distintas do que são para muitos de nós; viram noites seguidas, conforme as escalas de turnos, e às vezes emendam as noites com os dias, as tais “dobras” de turno, porque faltou gente ou sobrou muito serviço. Repouso verdadeiro, algo raríssimo.



As refeições são fartas e variadas, mas uma boa sesta é quase sempre um sonho distante. Tudo, inclusive o lazer, é feito ali dentro mesmo: caminhadas por entre tanques e guindastes, algum esporte de salão numa quadra fechada, que pode estar balançando ao sabor das ondas e ventos, salas de vídeos onde projetam “blockbusters” e pornôs. Todos pensando na vida lá fora, em terra, os telefonemas repetidos e ansiosos, muitos, para os familiares e amigos que ficaram em terra, naquelas cidades distantes.



Suas companhias no mar, com certeza, além da maresia e do balanço, são a pressão das chefias e das metas e os vários medos: o de errar, de provocar prejuízo, de ser punido; o medo de machucar a si próprio ou aos outros, sem ter ao menos garantido o registro formal do acidente ou da doença. O medo de não poder mais trabalhar e o de morrer queimado, esmagado, afogado.



O perigo começa na estrada, as longas idas e voltas, aumenta no vôo de helicóptero, tantos já caíram. Está em todo canto, nas passarelas e escadas oleosas e apertadas, nos corredores quentes e barulhentos, nos movimentos dos guindastes e gruas, nas vibrações e faíscas dos grandes motores elétricos e das turbinas, nas onipresentes emanações de hidrocarbonetos, de gases às vezes letais como o sulfídrico. Mais o risco de incêndio e de explosão, os “kicks” e “blow-outs”, trancos ou verdadeiros coices que a tubulação e a plataforma levam quando bolhas de gás pressurizado sobem das profundezas das rochas sendo perfuradas ou já produzindo.



Mesmo que consigam enganar a estatística, convivem com a memória dos acidentes já ocorridos, a correria, as perdas. Daí vem a probabilidade da descompensação, da “piração” das drogas – ou sem elas – e se soma à angústia de não estar “em casa”, ou pior, ao estranho sentimento de não ter de fato uma casa como a maioria tem. Depois, no final do seu tempo de embarque, “descem”.



Na volta, o mesmo itinerário da vinda, que pode durar um, dois dias ou mais para chegar lá onde moram seus familiares. Sua “casa” – para eles um conceito totalmente distinto do que é para cada um de nós, trabalhadores, digamos, normais. E lá ficam, se readaptando a cada vez, durante duas ou três semanas. Ou mais, dependendo de quem os contratou, de como sejam contabilizadas as férias e os demais “bônus”.



Esses são os extraordinários sujeitos da minuciosa pesquisa feita durante quinze anos por Marcelo Figueiredo, que conhecemos como “Parada”, engenheiro civil, doutor em Engenharia de Produção e professor de Engenharia de Produção na Universidade Federal Fluminense.



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