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domingo, 29 de janeiro de 2012

A hipocrisia da elite estadunidense e o imperialimo em suas vestes seculares.

As “ eleições”, ou melhor , o modelo dito “democrático” nos EUA pra escolha do presidente é ridículo.  Um show insosso e nauseante para quem  minimamente vê as relações  humanas . Tal  texto não tem o propósito de reportar a esse lamentável espetáculo e sim de  tentar  buscar algo que acreditamos ainda não se deteriorou; Não  se foi ainda   num mundo de incontáveis relações sociais temperadas pelo ardor do modelo capitalista de onde o: tudo por dinheiro ainda tem força.    Não é assim mesmo?      Ou não?

No ano de 1492, segundo a historiografia Positivista e hegemônica,  o genovês Cristovão Colombo “ descobriu” a América- o nome vem de Américo Vespúcio, amigo próximo da poderosa e famigerada família Bórgia, tendo em Rodrigo Bórgia, que  dominou o papado em fins do século XV um exemplo claro de tão detestável fenômeno - e pouco depois, eram abertos os caminhos da Ásia.   Bem depressa se difundia pela Europa  um conhecimento fragmentário de nossas terras e novos povos.

Aquelas grande expedições  de   descobrimento e exploração, que lançaram os alicerces  de imensos impérios coloniais, tornaram as massas européias  cônscias das chamadas  diferenças raciais.  Como era natural,  as noções adquiridas a respeito de estranhos  povos que habitavam estes países  remotos e exóticos  exerciam grande fascínio, mas nada tinham de científico.


Estavam os europeus apostados em “ conquistar” tribos  indígenas: em conseqüência , tudo o que se referia sobre estas tomava a   cor de seus   grosseiros interesses.  Além disso arvoravam-se em aristocracias prepotentes .
Sendo cada homem branco um membro de um grupo dominante.     Seguia daí que todo o cidadão de pele negra , parda ou vermelha era um vassalo, um ser inferior.    De parte a parte  crescia a consciência das adversidades   físicas e com eles, por conseguintes, as culturais.       O tráfico de escravos africanos , em particular, contribuía para estimular esse sentimento mesquinho.



Desde o início procuraram os europeus  conhonestar  a situação  convencendo-se , mediante rodeios estúpidos de lógica, de que a sujeição da raças estrangeiras era tão natural quanto inevitável.       Já pelos idos de 1517, um conselheiro real da Espanha  sugeria , pasmem, que os nativos  se encontravam demasiado  abaixo na escala  humana para poderem exercer o direito de propriedade e a verdadeira soberania.  Os espanhóis  persistiam em considerar  os nativos animais brutos.

 Este modo de ver, a propósito, não foi exclusivo deles.  Os “gentleman conquistadores” ingleses, franceses, holandeses adotaram comportamento semelhante. Vemos, por exemplo  no século XVIII um tal de  Samuel Sewall, que era então  juiz da Corte Superior  da  Baía  de Massachusetts , registrar no seu diário que  “ havia tentado fazer  com que os negros e os nativos deixassem de ser olhados  como reses, mas fora em vão”.  Os puritanos, em geral, consideravam  nativos e negros como selvagens  amaldiçoados, que se podia sem crime imolar  ou escravizar.     Não sabemos quando nem como  esses  nativos vieram habitar o grande continente , mas podemos supor que o diabo provavelmente atraiu para aqui  estes miseráveis selvagens, na esperança de que o Evangelho de N. S Jesus Cristo jamais viria destruir  ou perturbar o seu império absoluto sobre  eles   Isto era o que pregava  Cotton Mather         . E assim pregava  a ladainha.

E assim se firmava a força da espada nas sanções religiosas  Como os europeus pertencia m a “ raça cristâ”, parecia natural que Deus protegesse os seus eleitos. Em face de tais preconceitos e absurdos, era impossível uma compreensão sistemática  e exata das populações nativas.   Os infelizes efeitos desse  gigantesco erro inicial  constituem a base de muita confusão dos dias atuais.


Quando as sanções  sobrenaturais  da supremacia  “ racial “  começaram a perder força, os brancos “civilizados”  não demoraram  em arquitetar outras razões   que justificassem seus interesses coloniais  sobre os povos ditos atrasados.  Quem não se recorda por exemplo do notabilíssimo poeta inglês Kipling, já mencionado aqui em matérias anteriores,   com  suas perspectivas raciais virulentas e hostis em face da defesa, “inconteste”, da  suposta superioridade  da etnia anglo-saxônica?   Outros autores europeus aferraram-se  ao conceito do destino dos povos , dando aos seus cadinhos de etnia , como destinada a habitar e civilizar o globo.   De todos os exemplos desse fenômeno condenável sobressai as façanhas de Cecil Rhodes  e seus pensamentos temperados  por gigantesco preconceito com relação a povos que não fosse anglo-saxões.

Nesta mesma  esteira , com alusão ao espetáculo ridículo que  são as prévias eleitorais nos EUA, o candidato republicano, ex senador da Pensilvânia, Rick Santorum: teve a coragem de  afirmar que “ o assassinato de cientistas iranianos é uma coisa maravilhosa”.  Ele ainda lembrou que Hilary Clinton também pensa e concorda com ele embora não se manifeste. Correu, a boca pequena, nos meios políticos  que a gargalhada de Hillary se deu na ocasião do assassinato de Kadafi 

 Muito recentemente dos notáveis do PIG, indubitavelmente defensores de teses racialistas e conservadoras de direita  basta olhar para o histórico profissional de ambos,  defenderam  a morte por assassinato de cientistas  que trabalham no projeto de Física nuclear daquele país.  Isso tudo só vem a contribuir para  aumentar o cabedal de conhecimentos   que se formou nos últimos séculos  sobre a natureza humana.  Lamentavelmente , aqui e acolá, grande parte desses  saberes representam retrocessos gigantescos na grandeza do espírito humano.

O preconceito de raça e seus congêneres envergonha  a grande  maioria que ainda  acredita na raça humana.   Parafraseando o grande pensador Marx quando  disse:  "A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”...

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